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Mundial 2026. Chuteiras rosa por todo o lado? O segredo afinal está num relatório

Os pés do Mundial foram invadidos por cor-de-rosa. Embora a Nike justifique isto com o contraste face ao campo, a lógica falha num ponto: o relvado sempre foi verde.

Mariana Carrilho
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Quem acompanha os jogos do Mundial reparou nas chuteiras com a mesma cor. Segundo a indústria, o rosa é o tom que se destaca mais. Mas um especialista aponta outra razão: um relatório de tendências que as empresas todas leram.

Inicialmente, Odinga Nimako, membro da equipa de calçado da Nike, disse ao The Athletic que o “cor-de-rosa ajuda a criar contraste com o verde do relvado, quer se esteja nas bancadas ou a ver pela televisão, garantindo a máxima visibilidade”.

https://observador.pt/2026/06/13/chuteiras-rosa-predominam-no-mundial-mas-ronaldo-foge-a-tendencia/

Contudo, se fosse esta a questão, marcas rivais como a Adidas, Puma, New Balance ou Skechers não teriam lançado modelos em tons idênticos exatamente ao mesmo tempo e para a mesma competição. Não há coincidências deste género no mercado do futebol, afirmou Luiz Filipe Carneiro, um especialista em marketing, numa análise que publicou no X.

https://twitter.com/luizfilipecm/status/2067343258536050831

A verdadeira explicação para este fenómeno visual terá um nome: WGSN. Esta agência de previsão de tendências cruza dados de consumo e comportamento para ditar o que vai estar na moda com dois anos de antecedência. Em 2024, a WGSN apontou o “Electric Fuchsia” como uma cor-chave para 2026.

Carneiro explicou que empresas como a Nike, Adidas e Puma contratam as mesmas agências de tendências, havendo uma grande probabilidade de serem todas clientes da WGSN. “Uma assinatura custa cerca de 25 mil dólares por ano, e mais de 6.500 marcas pagam por isso”, referiu, numa publicação do LinkedIn.

Realçando que o desenvolvimento de calçado demora cerca de dois anos, Machado esclareceu que as empresas não precisariam de se reunir numa sala para chegar à mesma conclusão: “Elas só precisaram de fazer o trabalho de casa”.

No relatório da WGSN, o Electric Fuchsia é descrito como um néon vivo com uma qualidade cinética e digital. “Esta tonalidade luminosa, situada entre o cor-de-rosa e o roxo, tem a sua essência em atitudes progressistas e provocadoras, unindo-se a temas de resistência rebelde“, lê-se no texto. O relatório aborda ainda o efeito empolgante e inebriante da cor, que alimenta um sentimento de evasão. “Com a Inteligência Artificial a continuar a desafiar as perceções do que é real, o Electric Fuchsia é um néon alucinante e psicadélico que traz uma dimensão multissensorial ao nosso futuro virtual”.

Ao tentarem criar uma chuteira que refletisse uma identidade própria, as marcas acabaram por seguir todas o mesmo design — o que era para ser exclusivo tornou-se num padrão de moda. O especialista em marketing explicou a situação com o conceito “profecia autorrealizável”: uma previsão que se torna realidade por toda a gente acreditar nela. “O banco que todos acham que vai falir acaba por falir porque todos tiram o dinheiro ao mesmo tempo. As agências de tendências operam num mecanismo parecido”, contou. Ou seja, quando a WGSN apontou o Electric Fuchsia como a cor do momento, não estava apenas a descrever o futuro, mas sim a participar na construção dele.

As únicas chuteiras que os adeptos conseguem identificar à distância pertencem às lendas com modelos personalizados: Messi joga com chuteiras brancas, Cristiano Ronaldo calça um modelo dourado e Pulisic exibe um padrão com estrelas azuis.

https://observador.pt/2026/06/13/chuteiras-rosa-predominam-no-mundial-mas-ronaldo-foge-a-tendencia/