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Instituto que elaborou exame de Português diz que uso de imagem repetida "não põe em causa a equidade", mas são necessárias melhorias

Instituto que fez prova nacional de Português garante que não há injustiças entre quem fez exercício do manual de preparação e quem não fez. E vinca: não é "plausível que tenham memorizado respostas".

Mariana Marques Tiago
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O instituto responsável por elaborar os exames nacionais emitiu esta sexta-feira um parecer no qual garante que o facto de ter sido usado no exame de Português um cartoon igual ao de um manual de preparação “não viola o princípio da equidade nem constitui um benefício”, lê-se no documento elaborado pelo EduQA (antigo IAVE) e enviado pelo Ministério da Educação às redações.

Um dia depois de o Ministério da Educação pedir uma auditoria aos procedimentos do EduQA na elaboração do exame de Português e também um parecer técnico a este instituto sobre a consequência desta situação na “equidade entre os alunos”, este Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação veio já descartar qualquer injustiça entre os estudantes que já tinham resolvido as questões do manual de preparação da Leya e aqueles que não o tinham feito.

Em causa está o grupo III do exame nacional, no qual era pedida uma “apreciação crítica do cartoon, da autoria de Javad Takjoo”. No texto que elaborassem, os alunos tinham de incluir: “a descrição da imagem apresentada, destacando elementos significativos da sua composição; um comentário crítico, fundamentando a sua apreciação em, pelo menos, três aspetos relevantes e utilizando um discurso valorativo; uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos”.

Por sua vez, no livro de preparação para o exame publicado pela Leya “em agosto de 2025, é apresentado o cartoon anteriormente referido num item de produção escrita de apreciação crítica que utiliza os enunciados produzidos pelo IAVE”. “Esta questão suscitou debate na opinião pública”, reconhece o EduQA, que vinca, no entanto, não influenciar o desempenho de qualquer aluno.

O EduQA argumenta que “a competência de produção escrita decorre de uma aprendizagem complexa desenvolvida ao longo de todo o percurso escolar”, não estando dependente “da simples resolução de um item com um estímulo semelhante (ou mesmo idêntico)”. “A complexidade deste item está, aliás, refletida na diversidade de parâmetros incluídos nos Critérios de Classificação”, alega.

O instituto refere-se concretamente a dois parâmetros de classificação: aspetos relacionados com a Estruturação Temática e Discursiva (nomeadamente o género/formato textual, o tema e pertinência da informação e a organização e coesão textual) e aspetos relacionados com a Correção Linguística (como é o caso da pontuação, ortografia, morfologia, sintaxe e léxico).

https://observador.pt/2026/06/18/ministerio-da-educacao-pede-auditoria-ao-eduqa-apos-ser-usada-no-exame-de-portugues-uma-imagem-igual-a-de-um-manual-de-preparacao/

Este instituto, que veio substituir o antigo IAVE aquando da reestruturação do Ministério da Educação, admite que “é provável” que, para se prepararem para o exame, “muitos alunos tenham resolvido diversos itens semelhantes a este, ancorados numa gama variada de estímulos visuais”. Contudo, não é “plausível que tenham memorizado todas essas respostas”, defende o EduQA, dando como exemplo todas as perguntas que estão disponíveis nos arquivos de exame do IAVE.

“Por outro lado, a sugestão de resposta que se encontra no referido livro de preparação para exame debruça-se sobre a relação entre o ‘título’ e a imagem, induzindo uma determinada linha de raciocínio. Essa relação não é estabelecida no enunciado da prova de exame nacional de 2026, que omitiu propositadamente o título do estímulo visual, possibilitando um alargamento do campo de reflexão”, lê-se ainda no parecer.

Neste sentido, o instituto de avaliação diz que “não parece aceitável” considerar que quem usou o referido livro de preparação para exames “tenha obtido alguma vantagem na resolução do item em causa”. Isto porque “teve de produzir obrigatoriamente um novo texto no âmbito do exame”. “A menos, é claro, que o aluno tivesse memorizado a resposta dada aquando da preparação, o que se afigura muito pouco plausível, considerando que os alunos desconheciam por completo o conteúdo da prova de exame”.

Instituto que fez prova recomenda que equipas tenham “procedimentos acrescidos de verificação”

O parecer emitido pelo EduQA a mando do Ministério da Educação — e apesar de considerar que não põe em causa a equidade — o instituto de Educação, Qualidade e Avaliação deixa, no entanto, uma recomendação: “Que os suportes utilizados na construção dos itens sejam objeto de procedimentos acrescidos de verificação prévia pelas equipas responsáveis.”

Na opinião do EduQA, esta verificação prévia deve passar por um “despiste da presença dos mesmos suportes em materiais de preparação para exame amplamente divulgados, manuais, cadernos de atividades, livros de preparação para exames ou publicações comerciais recentes”. Desta forma, seria possível “reduzir o risco de repetição de estímulos, evitar leituras públicas de favorecimento ou desigualdade e preservar a confiança no processo de avaliação externa”.

No comunicado enviado pelo Ministério da Educação na passada quinta-feira (onde ordenava à Inspeção-Geral da Educação e Ciência a realização de uma auditoria), lia-se que considerava ter havido uma “falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras”.

“A utilização da imagem em questão deveria ter sido evitada pelo EduQA, tendo em conta a prática habitual de verificação exaustiva — no âmbito da elaboração de enunciados — de cadernos de preparação disponibilizados pelas editoras, o que evitaria situações semelhantes à ocorrida este ano”, argumentava a pasta liderada por Fernando Alexandre.