(c) 2023 am|dev

(A) :: Entidade reguladora britânica considera Naomi Campbell “inapta” para gerir instituições de caridade

Entidade reguladora britânica considera Naomi Campbell “inapta” para gerir instituições de caridade

Comissão de Beneficência do Reino Unido culpa supermodelo pela má gestão e uso indevido de fundos da Fashion for Relief. Campbell alega ter sido vítima de fraude por parte de outras administradoras.

Margarida Vieira dos Santos
text

Em 2024, a Comissão de Beneficência do Reino Unido proibiu Naomi Campbell de exercer funções de administradora de instituições de caridade durante cinco anos. A decisão surgiu na sequência de uma investigação por “má conduta financeira” à Fashion for Relief, uma organização fundada pela supermodelo. Campbell contestou a decisão, mas agora, em tribunal, a entidade reguladora britânica defende que a modelo demonstrou ser inapta para gerir qualquer instituição, depois de ter “abdicado completamente” das suas responsabilidades de supervisão, relata o The Guardian.

Campbell, segundo o jornal britânico, alega ter sido vítima de fraude por parte de outras administradoras da organização, sustentando que não retirou qualquer benefício pessoal da instituição de solidariedade social. A Comissão de Beneficência, porém, afirmou em tribunal que a supermodelo foi “altamente culpada” pela má gestão e utilização indevida de fundos da Fashion for Relief, fundada em 2015.

A entidade reguladora britânica argumentou em tribunal que Campbell não exerceu uma supervisão adequada sobre a instituição, demonstrando “ausência da competência que se poderia esperar” ao confiar excessivamente a gestão a outra administradora e ao não agir de forma suficiente quando surgiram indícios de problemas. “O facto de ela estar ocupada e viver na América não lhe dá o direito de ser tratada de forma diferente”, disse Faisel Sadiq, que falou em tribunal em nome da Comissão de Beneficência do Reino Unido.

Embora não a considere “ativamente desonesta”, Sadiq afirmou em tribunal que a supermodelo era uma “testemunha pouco fiável” e que dizia uma “série de coisas que simplesmente não eram verdadeiras” no seu depoimento. Acusou ainda Campbell de querer controlar a narrativa dos media, em vez de se preocupar com “honestidade e precisão”, relata o The Guardian.

Sadiq disse ainda que Naomi Campbell não demonstrou arrependimento nem reconhecimento dos erros apontados, sustentando que a supermodelo continua a ser “inapta” para exercer funções de administradora de instituições de solidariedade social. “O objetivo dela era culpar os outros”, apontou.

O advogado da supermodelo, Andrew Westwood KC, rejeitou as alegações da Comissão de Beneficência e afirmou que Campbell foi vítima de um elaborado esquema de fraude por parte de Bianka Hellmich, uma das coadministradoras da Fashion for Relief. Segundo a defesa, a amiga da modelo terá falsificado documentos e e-mails, para além de ter omitido questões relacionadas com a situação financeira da instituição de caridade.

Entretanto, a defesa de Campbell e a Comissão de Beneficência encaminharam às autoridades britânicas as acusações de fraude contra Hellmich. O tribunal vai agora deliberar antes de proferir a sentença, que deverá ser conhecida nos próximos três meses.

Fashion for Relief terá pago despesas de luxo de Naomi Campbell, incluindo hotéis, voos, spas e cigarros

Fundada em 2015, a Fashion for Relief angariou milhões de euros para projetos de combate à pobreza através de eventos de moda. A organização gerida por Campbell acabou por ser encerrada nove anos depois, após os administradores nomeados pela Comissão de Beneficência do Reino Unido terem declarado a sua insolvência.

Publicado seis meses depois, o relatório da entidade reguladora destacou graves falhas de gestão e conduta financeira na instituição, incluindo a ausência de recibos, atas de reuniões e registos de decisões, relata o The Guardian. Entre as irregularidades identificadas, a Fashion for Relief terá suportado despesas no valor de milhares de euros associadas a estadias em hotéis de luxo, voos, tratamentos de spa e cigarros atribuídos a Campbell.

Bianka Hellmich e uma terceira administradora, Veronica Chou, foram também proibidas pela entidade reguladora de exercer funções de administradoras em instituições de caridade durante nove e quatro anos, respetivamente, sem que qualquer delas tenha recorrido da decisão.