Em 2024, a Comissão de Beneficência do Reino Unido proibiu Naomi Campbell de exercer funções de administradora de instituições de caridade durante cinco anos. A decisão surgiu na sequência de uma investigação por “má conduta financeira” à Fashion for Relief, uma organização fundada pela supermodelo. Campbell contestou a decisão, mas agora, em tribunal, a entidade reguladora britânica defende que a modelo demonstrou ser inapta para gerir qualquer instituição, depois de ter “abdicado completamente” das suas responsabilidades de supervisão, relata o The Guardian.
Campbell, segundo o jornal britânico, alega ter sido vítima de fraude por parte de outras administradoras da organização, sustentando que não retirou qualquer benefício pessoal da instituição de solidariedade social. A Comissão de Beneficência, porém, afirmou em tribunal que a supermodelo foi “altamente culpada” pela má gestão e utilização indevida de fundos da Fashion for Relief, fundada em 2015.
A entidade reguladora britânica argumentou em tribunal que Campbell não exerceu uma supervisão adequada sobre a instituição, demonstrando “ausência da competência que se poderia esperar” ao confiar excessivamente a gestão a outra administradora e ao não agir de forma suficiente quando surgiram indícios de problemas. “O facto de ela estar ocupada e viver na América não lhe dá o direito de ser tratada de forma diferente”, disse Faisel Sadiq, que falou em tribunal em nome da Comissão de Beneficência do Reino Unido.
Embora não a considere “ativamente desonesta”, Sadiq afirmou em tribunal que a supermodelo era uma “testemunha pouco fiável” e que dizia uma “série de coisas que simplesmente não eram verdadeiras” no seu depoimento. Acusou ainda Campbell de querer controlar a narrativa dos media, em vez de se preocupar com “honestidade e precisão”, relata o The Guardian.
Sadiq disse ainda que Naomi Campbell não demonstrou arrependimento nem reconhecimento dos erros apontados, sustentando que a supermodelo continua a ser “inapta” para exercer funções de administradora de instituições de solidariedade social. “O objetivo dela era culpar os outros”, apontou.
O advogado da supermodelo, Andrew Westwood KC, rejeitou as alegações da Comissão de Beneficência e afirmou que Campbell foi vítima de um elaborado esquema de fraude por parte de Bianka Hellmich, uma das coadministradoras da Fashion for Relief. Segundo a defesa, a amiga da modelo terá falsificado documentos e e-mails, para além de ter omitido questões relacionadas com a situação financeira da instituição de caridade.
Entretanto, a defesa de Campbell e a Comissão de Beneficência encaminharam às autoridades britânicas as acusações de fraude contra Hellmich. O tribunal vai agora deliberar antes de proferir a sentença, que deverá ser conhecida nos próximos três meses.
Fashion for Relief terá pago despesas de luxo de Naomi Campbell, incluindo hotéis, voos, spas e cigarros
Fundada em 2015, a Fashion for Relief angariou milhões de euros para projetos de combate à pobreza através de eventos de moda. A organização gerida por Campbell acabou por ser encerrada nove anos depois, após os administradores nomeados pela Comissão de Beneficência do Reino Unido terem declarado a sua insolvência.
Publicado seis meses depois, o relatório da entidade reguladora destacou graves falhas de gestão e conduta financeira na instituição, incluindo a ausência de recibos, atas de reuniões e registos de decisões, relata o The Guardian. Entre as irregularidades identificadas, a Fashion for Relief terá suportado despesas no valor de milhares de euros associadas a estadias em hotéis de luxo, voos, tratamentos de spa e cigarros atribuídos a Campbell.
Bianka Hellmich e uma terceira administradora, Veronica Chou, foram também proibidas pela entidade reguladora de exercer funções de administradoras em instituições de caridade durante nove e quatro anos, respetivamente, sem que qualquer delas tenha recorrido da decisão.