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(A) :: Obama inaugura centro presidencial com ex-Presidentes e muitas estrelas. Trump não recebeu convite

Obama inaugura centro presidencial com ex-Presidentes e muitas estrelas. Trump não recebeu convite

Na plateia repleta de celebridades e figuras políticas, a ausência de Trump saltou à vista, ainda que o seu nome não tivesse sido mencionado nenhuma vez. Obama inagura centro presidencial em Chicago.

Carolina Santos
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Depois de mais de uma década de preparação, o Centro Presidencial Obama abriu as portas em Chicago com a presença de três ex-Presidentes dos EUA, políticos estrangeiros e estrelas musicais. Durante a inauguração, os Obama deixaram críticas implícitas a Donald Trump.

No bairro de Jackson Park, perto da zona onde o ex-Presidente vivia com Michelle Obama antes de se mudarem para a Casa Branca, a cerimónia de inauguração do campus com oito hectares tinha na plateia George W. Bush, Bill Clinton e Joe Biden. Angela Merkel e o ex-Presidente canadiano Justin Trudeau também estavam presentes.

Sem mencionar o nome de Trump, que não teve direito a convite, os discursos do casal Obama criticaram a atual abordagem autoritária e política externa do Presidente dos Estados Unidos, numa altura em que se aproxima o 250.º aniversário da independência do país. “As pessoas não procuram raiva perpétua e divisão: as pessoas procuram justiça, senso comum e respeito mútuo”, afirmou o 44.º Presidente, apelando também à cooperação entre nações “em vez de se tentar dominar, intimidar e espremer cada vantagem só porque sim”.

“Todos os Presidentes aqui presentes hoje, por mais diferentes que sejamos, deram o seu melhor para defender os valores em que John McCain e Mitt Romney acreditavam, tanto como eu”, continuou. “Estes são os valores e as tradições em que acredito — não são valores republicanos nem democratas. São valores americanos que todos podemos partilhar, independentemente do partido”, disse ainda Obama, referindo-se a valores como “honestidade, integridade, bondade, compaixão”.

“Nos Estados Unidos recém-independentes, não haverá reis ou senhores, não haverá servos ou súbditos, apenas cidadãos”, frisou ainda.

Já a ex-primeira-dama dirigiu críticas mais fortes a Donald Trump, depois de ter sido chamada de “homem” por um lutador de UFC (Ultimate Fighting Championship) nas celebrações dos 80 anos do Presidente, no último domingo.

Condenando as “mentiras espalhadas” em relação à nacionalidade de Barack, fomentadas por Trump e que alegavam que Obama não tinha nascido nos EUA, Michelle prestou homenagem aos dois mandatos do marido. “Quão absurdo é imaginar que pudesses ter feito outra coisa que não encher de orgulho a nossa família e todo este país”, citou o jornal The Guardian.

Em palco, Michelle aproveitou para elogiar (e emocionar) Obama e os seus feitos durante o seu tempo na Casa Branca: “Fizeste o trabalho do povo, a salvar a nossa economia, (…) a acabar com uma guerra”.

https://twitter.com/MichelleObama/status/2067844403104792600

A cerimónia foi animada por artistas como Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Jennifer Hudson, Christina Aguilera e John Legend — o que contrastou com a decisão da administração Trump de cancelar os concertos de aniversário dos EUA, depois de pelo menos cinco dos nove artistas previstos terem anunciado que não iriam participar.

Fugindo à tradição, o Centro Presidencial Obama não é a típica biblioteca de investigação que costuma ser criada por ex-Presidentes dos EUA, depois de deixarem o cargo. Nenhum registo da Administração Obama será armazenado nas instalações, nem estarão presentes arquivistas governamentais da Administração Nacional de Arquivos e Registos (NARA).

O projeto, financiado por fundos privados com um custo total de 850 milhões de dólares (cerca de 741 milhões de euros), combina um museu e uma sala de leitura, com instalações comunitárias como um parque infantil, um campo de basquetebol, um estúdio de gravação e uma biblioteca pública.