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(A) :: EUA realizam novo ataque contra lancha no Pacífico em combate ao narcotráfico. Há três mortos a registar

EUA realizam novo ataque contra lancha no Pacífico em combate ao narcotráfico. Há três mortos a registar

Esta operação eleva para 211 o número de mortos desde que o exército norte-americano iniciou uma campanha de ataques a pequenas embarcações alegadamente utilizadas para tráfico de droga para os EUA.

António Moura dos Santos
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Os Estados Unidos da América bombardearam esta quinta-feira no oceano Pacífico uma lancha alegadamente usada para narcotráfico proveniente da América do Sul, indicando que a operação resultou na morte de três homens que seguiam na embarcação.

Esta ação militar foi divulgada pelo Comando Sul do exército dos EUA, caracterizando-a como “um ataque cinético letal contra uma embarcação operada por organizações terroristas designadas”. “Os dados dos serviços de informação confirmaram que a embarcação se deslocava ao longo de rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental e que estava envolvida em operações de narcotráfico”, lê-se no comunicado.

Como resultado deste ataque coordenado pelo general Francis L. Donovan, “três narcoterroristas do sexo masculino foram mortos durante esta ação”, ao passo que “nenhuma força militar dos EUA sofreu baixas”. No vídeo que acompanha a nota do Comando Sul dos EUA é possível ver uma embarcação a navegar a alta velocidade antes de ser bombardeada e de irromper em chamas.

Segundo adianta a Associated Press, esta ação eleva para, pelo menos, 211 pessoas mortas em ataques a embarcações levados a cabo pelas forças armadas dos EUA desde setembro de 2025, quando a administração Trump designou o seu combate ao narcotráfico como um “conflito armado não internacional” e os membros dos cartéis de droga como “combatentes ilegais”.

https://observador.pt/2025/10/03/trump-declara-membros-dos-carteis-de-droga-como-combatentes-ilegais/

Todavia, tal como tem sido habitual por parte das forças armadas dos EUA noutros ataques, neste comunicado não foram apresentadas provas de que a embarcação transportasse droga ou quaisquer outros materiais ilícitos.

Como tal, estas operações têm sido alvo de escrutínio quanto à sua legalidade no que toca ao direito militar. Adianta a AP que, também esta quinta-feira, um grupo de senadores democratas exigiu ao Pentágono que divulgasse “vídeos não editados” dos ataques para análise.

A legalidade destes ataques foi posta em causa logo na primeira das operações realizadas a estas lanchas, no início de setembro, quando um bombardeamento a uma embarcação causou 11 mortes, duas delas por parte de sobreviventes do primeiro ataque e que entretanto voltaram a ser visados quando se encontravam no mar, agarrados aos destroços.

https://observador.pt/2025/09/02/escalada-da-tensao-na-venezuela-eua-levam-a-cabo-ataque-letal-contra-navio-no-sul-das-caraibas/

A Casa Branca confirmou o ataque subsequente, insistindo que tinha sido realizado “em legítima defesa” para garantir a destruição do barco e em conformidade com as leis dos conflitos armados. No entanto, o ato tem sido analisado como uma instância de “ataque double-tap” — quando são realizados dois ataques num espaçamento curto de tempo para maximizar o número de vítimas —, prática que, à luz da Convenção de Genebra de 1949, pode ser encarada como um crime de guerra.