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(A) :: Andy Burnham eleito deputado trabalhista por Makerfield. Crítico de Keir Starmer pode avançar para afastar primeiro-ministro

Andy Burnham eleito deputado trabalhista por Makerfield. Crítico de Keir Starmer pode avançar para afastar primeiro-ministro

Burnham foi eleito com 54% dos votos, derrotando Robert Kenyon, do Partido Reformista. Agora com assento parlamentar, o mayor cessante de Manchester pode disputar a liderança do partido trabalhista.

Agência Lusa
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António Moura dos Santos
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O Presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham, foi esta quinta-feira eleito deputado ao Parlamento britânico pela circunscrição de Makerfield, no noroeste de Inglaterra, o que lhe permite desafiar o primeiro-ministro, Keir Starmer, na liderança do Partido Trabalhista.

Burnham foi eleito com 54% dos votos (24.927 votos), derrotando o principal adversário, Robert Kenyon, do Partido Reformista, que se ficou pelos 35% (15.696), numa eleição intercalar. Esta foi espoletada quando Josh Simons, então deputado do Partido Trabalhista por esta circunscrição, concordou em se afastar no mês passado para permitir que Burnham concorresse ao lugar e lançasse um desafio à liderança em dificuldades de Starmer.

Autarca de Manchester desde 2017, o agora deputado deixa o cargo por impossibilidade de o acumular com o de membro da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento britânico. É a segunda vez que Burnham se senta em Westminster, depois de um período entre 2001 e 2017 no qual chegou a assumir vários cargos ministeriais nos governos de Tony Blair e Gordon Brown.

No seu discurso de vitória, Burnham disse que o resultado pode ser um “ponto de viragem” na política britânica.

https://observador.pt/2026/05/15/reino-unido-autarca-de-manchester-andy-burnham-da-primeiro-passo-para-desafiar-lideranca-de-keir-starmer/

“Todos sabem que a política não está a funcionar. Todos sentem que o país não está onde deveria estar. Esta noite pode, apenas pode, ser o ponto de viragem. A partir de agora, vou dar tudo o que tenho para que assim seja”, disse.

Burnham referia-se assim à crise governamental em curso, fruto da impopularidade e contestação interna ao primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, dado o agravamento do custo de vida, maus resultados eleitorais e sucessivos escândalos. Dirigindo-se ao seu próprio partido, o agora deputado referiu que “esta é a última oportunidade para mudar”.

“Foi isto que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Temos de ouvir esta mensagem. Temos de agir em conformidade e temos de acertar. Não haverá uma segunda oportunidade”, argumentou Burnham.

O novo deputado e potencial candidato à liderança do Partido Trabalhista disse querer “construir uma nova política baseada na unidade e na esperança, afastando-nos do caminho que nos leva a uma política sombria e dividida, do tipo que vemos nos Estados Unidos”.

O resultado neste pequeno círculo eleitoral do noroeste de Inglaterra com cerca de 76 mil eleitores foi acompanhado com expectativa devido ao potencial impacto na política nacional.

Impedido até agora de desafiar Keir Starmer por estar fora do Parlamento, Burnham pode agora angariar o apoio necessário de 81 deputados trabalhistas para desencadear uma eleição interna.

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Como explicava a Sky News num artigo datado de maio deste ano, há várias formas de um partido tentar afastar o seu próprio primeiro-ministro em funções, mas são raras as ocasiões na história da política britânica onde isso logrou resultados.

Se Burnham avançar para eleições internas e vencê-las, tornando-se o novo líder do Partido Trabalhista, isso não obriga formalmente a que Keir Starmer apresente a sua demissão de Downing Street. No entanto, vendo a sua autoridade política altamente diminuída junto do próprio partido — e, com isso, perdendo o apoio dos próprios deputados da Câmara dos Comuns — é muito provável que Starmer informe o Rei da sua intenção de cessar funções.

Todavia, se Starmer não se demitir face à perda da liderança do partido, a solução provavelmente passará pela demissão dos seus próprios ministros com o pretexto de que perderam a confiança na sua governação, escreve a Sky News.

No Reino Unido, a demissão de um primeiro-ministro a meio do mandato não significa a necessidade de marcação de eleições legislativas desde que o seu partido mantenha uma maioria na Câmara dos Comuns — o que é o atual caso do Partido Trabalhista. Nessa eventualidade, o partido escolhe um novo líder de acordo com os seus estatutos e esse novo líder é convidado pelo monarca reinante a assumir o cargo de primeiro-ministro.

Uma outra hipótese, ainda mais extrema, seria a aprovação de uma moção de não confiança parlamentar contra o Governo na Câmara dos Comuns, onde basta uma maioria simples para afastar o executivo incumbente. No entanto, esta é uma solução que os trabalhistas quererão evitar a todo o custo: por um lado, abre a votação a toda a oposição; por outro, a derrota na câmara não resultaria numa mera substituição interna de liderança, mas sim na queda imediata do Governo e na provável convocação de eleições legislativas antecipadas.

Starmer tem sido pressionado por muitos dos seus próprios deputados a renunciar, sendo que o pico mais agudo desta crise se deu em meados de maio, quando um ministro do Governo — o ministro da Saúde, Wes Streeting —, quatro secretários de Estado (incluindo Jess Phillips) e quatro assessores ministeriais se demitiram em protesto contra a sua liderança.

Face a esta revolta, Starmer tem-se mostrado, até agora, determinado em continuar em funções e em enfrentar desafios contra a sua liderança. No entanto, a situação agravou-se este mês quando uma série de disputas sobre as despesas de defesa previstas pelo Governo resultou em mais três demissões, incluindo o ministro da pasta, John Healey.

Além de Burnham, também Streeting já declarou interesse em concorrer contra Starmer pela liderança do partido. A estes dois nomes somam-se os rumores de que a ministra da Administração Interna, Shabana Mahmood, o ministro da Energia, Ed Miliband, e a ex-vice-primeira-ministra, Angela Rayner, também estarão a considerar uma candidatura.

O primeiro-ministro, entretanto, já reagiu à vitória de Burnham, optando por uma postura elogiosa e diplomática. “Parabéns, @AndyBurnhamGM, novo deputado trabalhista por Makerfield! Os eleitores escolheram a campanha trabalhista de esperança e otimismo em detrimento da divisão e do ódio”, escreveu Starmer na rede social X.

Nas outras duas eleições parlamentares parciais realizadas na quinta-feira, o Partido Conservador ganhou o assento de Aberdeen South ao Partido Nacional Escocês, que ganhou em Arbroath and Broughty Ferry, também na Escócia.