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(A) :: Fact Check. Existe uma fila de espera de funcionários do Governo ucraniano para comprar superiates com dinheiro do Ocidente?

Fact Check. Existe uma fila de espera de funcionários do Governo ucraniano para comprar superiates com dinheiro do Ocidente?

Como parte da "maior operação de lavagem de dinheiro da história moderna", membros do Governo ucraniano estariam a comprar superiates, havendo uma lista composta quase apenas por eles. Será verdade?

José Carlos Duarte
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A frase

A corrupção na Ucrânia a começar pelo gabinete de Zelensky é conhecida. Um dos seus mais próximos está a contas com a justiça
Mas o descaramento vai mais longe. A lista de espera é de quatro anos para comprar superiates e é composta inteiramente por funcionários ucranianos.

— Utilizador de Facebook, 29 de maio de 2026

Seria mais uma suposta prova da extravagância. Nas redes sociais, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, têm surgido várias publicações que acusam o Governo ucraniano de esbanjar em variados luxos o dinheiro que recebe do Ocidente, que seria destinado a adquirir material bélico e armas para suster a ofensiva russa.

Desta vez, citando Stephen Kuhn, fundador da empresa Take America Back, existe uma lista de espera de quatro anos para a compra de superiates, que é “composta inteiramente por funcionários ucranianos” do Governo. “A corrupção na Ucrânia a começar pelo gabinete de Zelensky é conhecida. Um dos seus mais próximos está a contas com a justiça. Mas o descaramento vai mais longe”, ataca um utilizador nas redes sociais.

As publicações ecoam as palavras de Stephen Kuhn, que fez uma publicação no X. Conhecido por partilhar conteúdo pró-russo nas redes sociais, o empresário teria falado ao telefone com um “fabricante de superiates” que lhe teria dito que “centenas de milhões de dólares” estavam a ser gastos para fazer embarcações de luxo. Essas verbas teriam vindo da Ucrânia e do Governo do país.

Essa compra de superiates estaria a ser feita pelos “contribuintes de países ocidentais”, como o Canadá, o Reino Unido, os Estados Unidos ou a Austrália, que, através das verbas em ajuda militar para a Ucrânia, estariam a “financiar tudo isso”.

As publicações alegam ainda que o Governo da Ucrânia “recolhe” pessoas nas ruas para enviá-las para a frente de batalha. Alegadamente, esses ucranianos “suicidam-se para não ir à guerra”, isto enquanto os altos dirigentes “compram superiates”. “É a maior operação de lavagem de dinheiro da história moderna”, lê-se nas publicações.

No entanto, não existe qualquer confirmação oficial de que exista uma lista de espera de quatro anos composta exclusivamente por funcionários do Governo ucraniano para comprar superiates. Este negócio está sujeito a leis estritas de confidencialidade, conforme estipulado nos regulamentos e contratos padronizados pela associação MYBA (The Worldwide Yachting Association) — que é o padrão da indústria para a transação destas embarcações.

Segundo as diretrizes estabelecidas pela associação, existe uma clara preocupação em manter o anonimato dos compradores, uma vez que a compra de superiates “envolve frequentemente figuras públicas, celebridades e pessoas VIP”. Assim, há várias cláusulas que obrigam a que todas as partes envolvidas no negócio mantenham total confidencialidade.

Para além das preocupações com a proteção de dados, os contratos padrão do setor estipulam que os fabricantes “não devem divulgar detalhes sobre a identidade dos compradores, os valores envolvidos ou as especificações de construção dos navios em lista de espera”. Isto garante que “todos os detalhes da transação permanecem privados, reforçando a exclusividade e discrição esperadas na indústria dos iates de luxo”, estipulando-se ainda “consequências legais” para quem as incumprir.

Tendo em conta estas diretrizes e o secretismo em redor da compra de superiates, é praticamente impossível que alguém tenha tido acesso a informações de uma indústria bastante fechada. Como recorda a agência de notícias ucraniana Ukrinform, um caso de grande dimensão que acabou por vir a público no país foi o do superiate do empresário Rinat Akhmetov — que é o atual presidente do clube de futebol Shakhtar Donetsk e não ocupa atualmente qualquer função política, apesar de já ter sido deputado no passado.

A agência de notícias ucraniana também classificou esta informação como “falsa”, apontando que se trata de uma “história fabricada” e parte “de uma operação informativa e psicológica russa” com o objetivo de “minar a confiança na Ucrânia entre os contribuintes ocidentais”. O objetivo é claro: “Diminuir o apoio financeiro e militar à Ucrânia”.

Stephen Kuhn foi questionado pelo site Lead Stories sobre as fontes que usou para as suas declarações, mas perante a recusa, considerou que as alegações eram infundadas.

Conclusão

Não existe qualquer sustentação nem evidência para o rumor de que existe uma lista de espera composta praticamente por membros do Governo ucraniano para a compra de superiates. O negócio envolve práticas restritas de confidencialidade, existindo mesmo “consequências legais” para quem as incumprir. A agência de notícias Ukrinform classifica estas informações como “falsas” e uma “história inventada” para “minar a confiança na Ucrânia entre os contribuintes ocidentais”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.