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(A) :: João Pinheiro viu os suplentes golearem os titulares. No fim sorriu a Suíça (a crónica do Suíça-Bósnia)

João Pinheiro viu os suplentes golearem os titulares. No fim sorriu a Suíça (a crónica do Suíça-Bósnia)

A Suíça venceu por 4-1 a seleção da Bósnia. Do lado dos helvéticos, marcaram Johan Manzambi (74' e 90'), Rubén Vargas (84') e Granit Xhaka (90+6'). Pelos bósnios, marcou Ermin Mahmic (90+3').

Manuel Conceição Carvalho
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A Suíça começou o Mundial com uma surpresa, depois de um empate a uma bola diante do Qatar. A Bósnia com uma surpresa começou, depois de travar um dos anfitriões, o Canadá (1-1). Aos dois países juntou-se João Pinheiro, responsável por arbitrar uma partida que em muito contava para as aspirações dos suíços e dos bósnios na prova.

Assim que o jogo começou, ficou bem definido quem ia dominar a partida. A Suíça montou rapidamente a sua zona de trabalho junto da baliza bósnia. Embolo era a grande referência dos helvéticos e era servido muito mais vezes que o bósnio Dzeko — mais tempo sem bola do que com ela, à semelhança dos seus colegas de equipa, que jogavam na expetativa de poder recuperar o esférico e responder em contra-ataque.

Por mais adiantada que a Suíça estivesse no terreno, a Bósnia foi conseguindo aguentar as investidas alpinas e ainda ia lançando alguns avisos, sem conseguir qualquer oportunidade clara, à semelhança do adversário. A história da primeira parte resumia-se sem golos, mas com uma seleção suíça a estabelecer claras diferenças territoriais e na posse de bola. Poucos apontamentos, poucas notas de destaque e zero golos no primeiro tempo.

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A segunda parte chegava e, com o seu início, as melhores oportunidades do jogo. Depois de um cruzamento antecipado de Xhaka, Ndoye estava pronto para desenhar um grande momento na partida e dar alguma cor a uma tela vazia de oportunidades claras. O esférico veio alto e o avançado suíço ensaiou um pontapé de bicicleta que parou na defesa de Nikola Vasilj, que minutos mais tarde se dividiu com o poste para travar um cabeceamento perigoso de Breel Embolo.

A certa altura, abundava a vontade mas escasseava o engenho de um lado e do outro. Foi só aos 74′ que essa história mudou. De facto, é preciso muito engenho para acertar na bola da forma como Johan Manzambi acertou. O jovem jogador do Friburgo é médio, mas o número nove que veste assentou-lhe na perfeição naquele momento. Depois de uma confusão na área, Manzambi aproveitou um corte incompleto da defensiva bósnia para o ar. O médio suíço rematou de primeira para, de uma vez por todas, materializar o domínio suíço no jogo.

O castelo de cartas bósnio estava prestes a cair por completo. Primeiro, João Pinheiro mostrou um cartão vermelho a Tarik Muharemovic, reduzindo a Bósnia a 10 unidades a partir do 79.º minuto. Depois, um festival de golos. Rubén Vargas, da Suíça, foi o primeiro a alargar a vantagem dos suíços. Depois, Manzambi, aos 90′. Ambos tinham saltado do banco e não seriam os únicos suplentes a marcar. Ermin Mahmic, que tinha entrado aos 90+1′, demorou apenas dois minutos a marcar depois de um remate na ressaca de um pontapé de canto. Era assim: o jogo acabava de encontrar o caminho dos golos e a solução estava nos bancos de suplentes. No fim ainda houve tempo para recompensar quem esteve o tempo todo em campo, com Granit Xhaka a selar o resultado final em 4-1, depois da marcação de uma grande penalidade.

A estrela

  • Entrou e marcou duas vezes. Manzambi vai ser um atleta difícil de aguentar no Friburgo. Lançado do banco de suplentes por Murat Yakin, o jovem abriu uma lata dura de roer. Até aos 74′, entre o domínio da Suíça e a resposta rápida dos bósnios, o resultado parecia ser bastante incerto e talvez tenha sido demasiado pesado para o relativo equilíbrio que se registou. No entanto, foi preciso um verdadeiro camisola ‘9’ para dar sentido de baliza à equipa que pareceu sempre querer mais vencer a partida.

O joker

  • João Pinheiro é o outro representante de Portugal neste Mundial. Estreou-se em bom plano num jogo com alguns incidentes. Acertou na hora de expulsar Tarik Muharemovic e na altura em que apontou para a marca do castigo máximo, além de conseguir manter o jogo morno no que aos ânimos diz respeito. A expulsão acabou por mudar o jogo por completo.

A sentença

  • A Suíça acaba de dar um passo de gigante para a próxima fase, porém a Bósnia ainda terá uma palavra a dizer no apuramento, pelo menos através do terceiro lugar, uma vez que jogará com a seleção teoricamente mais acessível na última ronda: o Qatar.

A mentira

  • O resultado é bastante enganador para o que se viu em campo durante quase toda a partida: nem a Suíça foi tão dominadora, nem a Bósnia tão permeável. A expulsão de Tarik Muharemovic contribuiu ativamente para o 4-1 final. Enquanto as equipas estiveram em igualdade numérica, o domínio suíço fez-se notar, é certo, mas nunca com a clareza que se registou depois de passar a jogar com mais uma unidade.