Afinal, o plano de Donald Trump para executar as prometidas deportações em massa nos Estados Unidos mudou. Pelo menos é isso que sugere a decisão de vender ou alienar para outros fins sete armazéns que o governo norte-americano comprou por mais de 700 milhões de dólares (611 milhões de euros), desde o início deste segundo mandato, para deter pessoas que estivessem ilegalmente no país.
Como o The New York Times escreve, a ideia inicial do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) era dar um empurrão muito significativo à deportação de imigrantes que a administração concluísse que estavam no país ilegalmente. Como esses imigrantes ficam primeiro em centros de detenção do Estado, a administração queria comprar mais de doze armazéns vazios por todo o país para aumentar a sua capacidade para deter e expulsar pessoas.
No primeiro ano deste mandato em que regressou à Casa Branca, a administração Trump comprou, assim, onze espaços por mil milhões de dólares (873 milhões de euros). Mas agora, conta o jornal esta quinta-feira, quer livrar-se de sete destes, através de vendas ou cedências a outras agências do Estado.
O novo secretário da Segurança Nacional, Markwayne Mullin, que veio substituir a polémica Kristi Noem, já tinha expressado “em privado” reservas sobre o plano inicial — e em público esclareceu que quer que o governo seja mais discreto no que revela sobre a forma como executa estas operações.
Ao Times, o departamento de Segurança Nacional enviou um comunicado dizendo que “desde o dia um” tem estado “concentrado em expulsar os piores dos piores imigrantes ilegais criminosos e está sempre a avaliar os melhores métodos para fazê-lo”. “Estes criminosos horríveis, depois de presos, devem ser expulsos à velocidade da luz, não acolhidos em solo norte-americano à custa dos contribuintes”.
A mesma nota acrescentava que o departamento está a organizar-se “rapidamente” para utilizar espaços de detenção que já existem, em vez de comprar outros. A compra destes armazéns está a ser investigada pelo próprio departamento de Segurança Nacional, agora com uma nova liderança. Este ano, o país chegou a ter 70 mil imigrantes detidos ao mesmo tempo — ainda assim longe das 100 mil camas prometidas para estes espaços para o final de 2025, sendo que a ideia é que a execução das expulsões seja rápida.