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"Equalizadora": a nova bomba guiada da Ucrânia pesa 250 quilos e é uma resposta direta à Rússia

Engenheiros ucranianos trabalharam na bomba durante 17 meses. Arma tem sido usada pela Rússia para arrasar quarteirões inteiros. Mas ucranianos poderão ter mais dificuldades a usá-la.

Mariana Lima Cunha
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Está apresentada a primeira bomba planadora guiada produzida pela Ucrânia, a Vyrivniuvach (ou “Equalizadora”, em português) — uma bomba que pesa 250 quilos e pode chegar a viajar 130 quilómetros para atingir o seu alvo, e que rivaliza assim com bombas do mesmo género, descritas como altamente destrutivas, que a Rússia tem usado frequentemente contra o país que está a invadir.

A bomba foi apresentada pela primeira vez ao público na feira internacional de defesa Eurosatory-2026, depois de o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, ter anunciado que estava pronta — depois de 17 meses em desenvolvimento — há um mês, no dia 18 de maio.

Estas são bombas convencionais, atiradas por via aérea, com asas e sistemas para as guiar, o que permite que viajem por longas distâncias — podem chegar aos 130 quilómetros, mas num combate convencional é normal que percorram até cerca de 40 quilómetros — até chegarem ao seu alvo, o que faz delas armas de grande precisão.

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Como o Kyiv Independent recorda, estas bombas são uma arma “primitiva mas altamente destrutiva” muito usada nas linhas da frente do combate, nomeadamente pela Rússia, que tem modificado as que tem na sua posse para aumentar o seu alcance e o seu poder destrutivo (tem usado bombas de 250, 500 ou até mil quilos). Este tipo de bomba tem-se assim tornado numa das maiores ameaças para as tropas ucranianas e para os civis que se encontram perto da linha da frente.

Como o Telegraph escreve, quarteirões inteiros de cidades ucranianas como Kharkiv, Zaporíjia ou Kherson já foram arrasados por bombas deste género, cuja produção é barata mas que nenhum sistema de defesa aérea ocidental consegue, até ver, travar.

Logo em maio, os pilotos ucranianos começaram imediatamente a ensaiar o uso da bomba em cenários de combate e a adaptar a arma para o uso em condições reais de guerra. “Esta não é uma cópia das soluções ocidentais ou soviéticas, mas um desenvolvimento original dos engenheiros ucranianos desenhado para atingir com eficácia fortificações, postos de comando e outros alvos do inimigo que estejam a dezenas de quilómetros atrás da linha”, disse Fedorov, citado pelo jornal ucraniano.

O Telegraph classificava, depois do anúncio de maio, este como “um dos acrescentos mais significativos ao arsenal doméstico da Ucrânia desde o início da guerra”, além de um sinal de que Kiev já não quer ou consegue esperar pela ajuda dos aliados ocidentais para conseguir as ferramentas de que precisa para fazer frente à Rússia.

A “Equalizadora” foi desenhada de forma a ser compatível com as aeronaves ucranianas que já existem, incluindo os caças F-16. A ideia é que consiga atingir alvos mais profundos no interior da Rússia e destruir armamento do país inimigo. Ainda assim, especialistas em defesa apontam um obstáculo: é que a força aérea da Ucrânia, que se vê forçada a voar a altitudes mais baixas para evitar os sistemas de defesa russos, dificilmente conseguirá nessas condições lançar as suas bombas com tanta precisão como a Rússia.