Duas irmãs de 12 e 16 anos estão desaparecidas há 11 dias depois de alegadamente terem fugido de uma casa de acolhimento em Áquila, capital da região de Abruzzo, na Itália. Sarah e Alisya terão preparado itens como roupa e maquilhagem, e escapado através de uma janela partida na madrugada de 6 para 7 de junho. O Ministério Público de Sulmona, na província de Áquila, abriu um inquérito por rapto de menores, mas ainda não está claro se as meninas terão planeado a fuga ou recebido ajuda de alguém do exterior.
As irmãs viviam no lar adotivo há cerca de dois anos, mas de acordo com o que familiares revelaram ao Corriere della Sera, estavam sob os cuidados do Estado há sete anos, depois da suspensão do poder parental dos pais na sequência de uma separação conturbada. Entretanto, em maio a custódia das meninas foi atribuída ao pai. Na sentença há a menção da “oposição obstinada da mãe, Valentina D’Acunto, ao retomar das relações entre as crianças e o pai, com um comportamento manipulador e influenciador em relação às crianças”. O pai, Stefano Di Giacinto, já acusou no passado a ex-mulher de ter tentado retirar uma das filhas da casa de acolhimento sem autorização.
As buscas estão a ser coordenadas pela Câmara Municipal de Áquila e conduzidas pela polícia, com o recurso a drones e cães farejadores, e estendendo-se de Abruzzo à região de Lazio, até à cidade de Scauri, onde vivem os pais das crianças. A última vez que as duas crianças foram vistas foi na noite de 6 de junho. Imagens de videovigilância mostram as irmãs a brincarem num bar próximo da casa de acolhimento, por volta das 21h26. A fuga terá ocorrido entre as 2h e as 5h da manhã. Outro vídeo de monitorização registou a passagem de um carro pelo lar adotivo mais ou menos no mesmo horário que as irmãs desapareceram.
O gancho vermelho, os bilhetes em código e os três telemóveis
Um gancho vermelho com flores brancas, que alegadamente pertence a Sarah, a irmã de 12 anos, será a primeira prova que as autoridades encontraram desde a fuga. O objeto foi recolhido num trilho perto da casa de acolhimento, apesar de não estar confirmado que a menina tenha perdido o acessório antes ou depois da fuga.
Os investigadores decidiram interditar os acessos ao lar adotivo na manhã desta quinta-feira, depois da descoberta. No interior da casa já foram realizadas buscas — quando foram encontrados bilhetes escritos em código, avança o jornal local Latina Today. O material ainda não terá sido decifrado, pelo que também não é certo se as anotações têm relevância para a investigação.
Outro mistério diz respeito aos três telemóveis que as meninas tinham quando deixaram a casa de acolhimento. De acordo com a polícia, um dos cartões SIM estava registado com o nome do companheiro da mãe das crianças, e foi dado à irmã mais nova por motivos de segurança, durante a deslocação entre o lar e a escola que frequentava. Os investigadores detetaram que os três aparelhos estiveram ativos durante alguns dias mas deixaram de funcionar no dia 10 de junho. Os telemóveis fornecidos à instituição e que foram previamente usados pelas menores também estão a ser analisados.
Os sinais dos telemóveis poderão indicar o caminho que as buscas devem seguir. Neste momento, os agentes procuram numa zona de montanhas, na direção da reserva natural de La Camosciara, no Parque Nacional de Abruzzo, Lazio e Molise. Os investigadores também realizam diligências na região de Cassino, a cerca de 160 quilómetros de L’Aquila, onde as crianças viviam, estudavam e podem ter mantido relações; e nas áreas vizinhas, de Minturno e Fondi.
O namorado de Alisya, um jovem de 18 anos que também viveu na casa de acolhimento, foi interrogado pela polícia. Num programa de televisão da RAI, o rapaz afirmou que “há algum tempo, a mãe escreveu-lhe: ‘Um dia irei buscá-la à força, mesmo à noite'”, afirmando que acreditava que as irmãs não tinham saído sozinhas, porque a namorada “tem medo do escuro e dos cães”. O namorado de Alisya também mencionou que as meninas poderiam estar a viver escondidas com algum familiar numa casa nas montanhas.
Pais denunciam casa de acolhimento
Diante do desaparecimento das irmãs, tanto a mãe como o pai das meninas denunciaram os responsáveis pela casa de acolhimento. Numa carta aberta, Valentina D’Acunto apelou ao público para que ajude nas buscas: “Por favor, falem imediatamente. Mesmo uma notícia aparentemente pequena pode ser crucial. Não escondam informações. Não fiquem em silêncio. As minhas filhas precisam de voltar para a segurança. Só quero encontrá-las”, escreveu. A mulher apresentou uma queixa por rapto de menores, enquanto o pai, Stefano Di Giacinto, apresentou queixa por desaparecimento. “Ajudem-me a encontrar as minhas filhas. Ainda não temos notícias”, diz o homem. “Espero que estejam bem, isso é o mais importante, e que sejam encontradas o mais rapidamente possível.”