Dois homens sul-africanos foram condenados por tráfico de chifres de rinocerontes no âmbito de uma investigação que as autoridades do país descreveram como o maior caso relacionado com este crime no mundo. Dawie Groenewald e Tielman Erasmus enfrentavam mais de 1700 acusações, incluindo caça e remoção ilegal de chifres de rinoceronte, extorsão e branqueamento de capitais, relata o The Guardian.
Descrito pelas autoridades sul-africanas como o mentor da organização criminosa que traficava chifres de rinocerontes, Dawie Groenewald foi condenado a uma multa de 2 milhões de rands (cerca de 106 mil euros) ou quatro anos de prisão efetiva, após um acordo judicial com o Estado. Já Tielman Erasmus foi multado em 100 mil rands (aproximadamente 5300 euros) ou três anos de prisão, segundo o jornal britânico.
A investigação teve início em 2007 e, passados três anos, foram detidas 11 pessoas, entre as quais “caçadores profissionais, veterinários, um piloto de helicóptero e trabalhadores manuais envolvidos numa organização criminosa”. O processo acabou, porém, por arrastar-se durante mais de 15 anos, marcado por sucessivos recursos e contestações judiciais. Durante esse período, de acordo com o The Guardian, dois dos 11 arguidos morreram, assim como 10 das 185 testemunhas de acusação, enquanto outros envolvidos acabaram por emigrar.
Em 2014, Dawie Groenewald e o seu irmão Janneman chegaram mesmo a ser acusados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos de vender a cidadãos norte-americanos viagens ilegais para caçar rinocerontes.
O maior criador de rinocerontes do mundo, John Hume, foi acusado no ano passado, juntamente com outras cinco pessoas, de integrar uma rede de tráfico de chifres. O homem de nacionalidade sul-africana criava rinocerontes brancos na sua quinta, chegando mesmo a liderar campanhas pela legalização e regulamentação do comércio de chifres na África do Sul. Em 2023, vendeu a propriedade onde mantinha cerca de 2 mil animais, alegando já não ter condições para a sustentar.
https://observador.pt/2022/06/08/maior-criador-de-rinocerontes-no-mundo-quer-devolver-100-animais-a-natureza-por-ano/
A caça ilegal de chifres de rinoceronte na África do Sul foi responsável por 81% dos casos de caça ilegal no continente africano em 2024, segundo a Fundação Internacional para o Rinoceronte. O país alberga, de acordo com a organização, cerca de um terço da população mundial de rinocerontes-negros, uma espécie atualmente classificada como em perigo crítico de extinção, assim como mais de 75% de todos os rinocerontes-brancos-do-sul.