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(A) :: Estamos a formar líderes para o mundo que existe ou para o mundo que precisamos de construir?

Estamos a formar líderes para o mundo que existe ou para o mundo que precisamos de construir?

Uma responsabilidade que consideramos estrutural: formar gestores e líderes capazes de integrar sustentabilidade, ética, impacto e propósito nas decisões que tomam.

Mafalda Sarmento
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Durante demasiado tempo, imaginámos a universidade como um lugar separado do mundo: um espaço de estudo, investigação e reflexão, protegido do ruído da sociedade. Essa imagem teve, e continua a ter, uma parte de verdade. A universidade precisa de tempo longo, pensamento crítico e liberdade intelectual. Mas, num mundo marcado pela crise climática, pela fragmentação social, pela aceleração tecnológica, pela instabilidade geopolítica e pela desconfiança crescente nas instituições, essa imagem já não chega.

A universidade tem de ser uma ponte.

Ponte entre conhecimento e decisão. Entre investigação e empresas. Entre ciência e política pública. Entre economia e ecologia. Entre gerações que já lideram e gerações que se preparam para liderar. Entre o rigor académico e a urgência prática dos desafios que temos pela frente.

Esta missão é particularmente relevante para uma business school. As escolas de gestão e economia formam muitos dos profissionais que, nos próximos anos, estarão em lugares de decisão nas empresas, nos mercados financeiros, nas instituições públicas, nas organizações sociais e nos novos ecossistemas de inovação. Por isso, ensinar gestão hoje não significa apenas ensinar eficiência, crescimento, competitividade ou criação de valor económico. Significa também formar pessoas capazes de compreender impactos, gerir dilemas, integrar ciência, escutar comunidades, respeitar limites planetários e liderar com responsabilidade.

A pergunta central já não é apenas: que competências devem ter os líderes do futuro? A pergunta é mais exigente: que tipo de futuro estamos a preparar através da forma como ensinamos, investigamos, avaliamos, financiamos e nos relacionamos com a sociedade?

Na Católica-Lisbon SBE, esta pergunta tem vindo a tornar-se cada vez mais central. Este ano, concluímos um processo Business School Impact System (BSIS), que nos ajudou a olhar para o impacto da escola de forma mais ampla, sistemática e transparente. Mas o essencial é mais profundo do que qualquer processo de avaliação: uma business school só cumpre verdadeiramente a sua missão quando coloca o conhecimento ao serviço da transformação positiva da sociedade.

Este compromisso tem vindo a ganhar expressão em diferentes dimensões. A ligação da Católica-Lisbon SBE aos Principles for Responsible Management Education (PRME) reforça uma responsabilidade que consideramos estrutural: formar gestores e líderes capazes de integrar sustentabilidade, ética, impacto e propósito nas decisões que tomam. Não como temas periféricos, mas como dimensões centrais da gestão contemporânea.

Esta evolução é visível na forma como temos vindo a criar e consolidar unidades curriculares, programas e experiências de aprendizagem em diferentes momentos da formação: licenciaturas, mestrados, programas executivos, mestrados executivos e formação ao longo da vida. Falamos de sustentabilidade empresarial, ESG, finanças sustentáveis, governação responsável, transição energética, inovação social, impacto, inteligência artificial, liderança responsável, empreendedorismo e novos modelos de negócio. O objetivo não é acrescentar “mais uma disciplina” ao currículo. É preparar alunos e executivos para compreenderem que estes temas são estratégia, competitividade e legitimidade das organizações.