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(A) :: O "quem não marca, sofre" fez uma nova vítima chamada República Checa (a crónica do Rep. Checa-África do Sul)

O "quem não marca, sofre" fez uma nova vítima chamada República Checa (a crónica do Rep. Checa-África do Sul)

República Checa e África do Sul empataram a um golo na segunda jornada do grupo A do Mundial. Pelos checos marcou Michal Sadílek (6'), pelos sul-africanos empatou de penálti Teboho Mokoena (83').

Manuel Conceição Carvalho
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Os checos e os sul-africanos chegavam ao arranque da segunda jornada do grupo A sob maior pressão. Os primeiros tinham perdido por 2-1 diante da Coreia do Sul, os segundos tinham sido derrotados por 2-0 frente ao México, na partida inaugural do Mundial-2026. Miroslav Koubek, selecionador da República Checa, na antevisão ao embate, afirmou que a igualdade de circunstâncias com a África do Sul tornava “tudo mais complicado”, mas garantiu que os checos fariam “de tudo para vencer o jogo”, com o foco voltado para “criar oportunidades claras de golo”. Hugo Broos, o homólogo de Koubek na África do Sul, priorizava a análise de tudo o que foi feito “de errado contra o México”.

Não era um mata-mata, mas este jogo entre a República Checa e a África do Sul, no Atlanta Stadium, tinha os efeitos práticos de um. Uma nova derrota para qualquer uma das duas equipas podia sentenciar as esperanças de ambas as seleções na competição. Foi sob pressão que os checos mostravam desde logo ao que vinham: um minuto de jogo e Patrik Schick, sozinho, falhou o golo candidato a ser o mais rápido de toda a prova. Já a segunda oportunidade foi convertida em golo (6′), com Michal Sadílek a fazer o primeiro em Atlanta num bom movimento coletivo, descomplexado, característico de quem tinha a certeza de que ia ser feliz.

Depois do golo, os checos geriam e os sul-africanos tentavam chegar ao empate, através da meia distância e de sucessivos cruzamentos. No entanto, os europeus pouco permitiam aos africanos, que no entanto eram inconsequentes com o domínio que tinham da posse de bola, muitas vezes consentida pelos checos. A resiliência sul-africana estava lá, mas continuava a ser a Rep. Checa a ser a mais assertiva em campo: compacta atrás e objetiva à frente. O intervalo chegava numa altura em que a partida já tinha visto mais ritmo e mais entretenimento. Valia a eficácia de Michal Sadílek logo no início — o ponto alto da partida até àquele momento.

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O início da segunda parte chegava como contraste do início da primeira, mas como reflexo do resto. Foram precisos cerca de 14 minutos para que a seleção checa desse sinal de querer fechar as contas do jogo, com Michal Sadílek a tentar bisar, na melhor chegada checa à área sul-africana. O remate do médio da Rep. Checa não foi além de um bloqueio da defesa da África do Sul.

Quando a partida parecia morrer na previsibilidade, eis que uma jogada sul-africana pelo corredor direito terminou no braço de Pavel Sulc, que impediu que a bola prosseguisse na direção da baliza checa. Teboho Mokoena assumiu aos 83′ a responsabilidade de relançar os sul-africanos na discussão do resultado e relançar o entretenimento que o jogo já tinha tido: bola para um lado, guarda-redes para o outro — mais clássico que isto é difícil. O jogo não ganhou qualidade, mas ganhou intensidade. O controlo da Rep. Checa transformou-se em descontrolo. O desespero sul-africano converteu-se em esperança. Um jogo que parecia nunca mais mexer passou a galopar, mas nada se alterou. No fim, ficaram a igualdade e o ritmo, exatamente como no começo. No meio, houve uma gestão checa insuficiente para uma terceira jornada sem calculadoras.

A estrela

  • Michal Sadílek foi o mais inconformado com a vantagem de apenas um golo da Rep. Checa. O médio checo foi quem abriu a contagem no marcador e esteve próximo de agarrar com as duas mãos os três pontos que fugiram à Rep. Checa com o golo do empate da África do Sul, marcado por Mokoena.

O joker

  • Tori Penso é a segunda mulher a arbitrar num Mundial de futebol masculino. O jogo correu de feição à árbitra norte-americana, que acabou por mostrar dois amarelos e conseguiu gerir a partida sem grandes sobressaltos.

A sentença

  • A República Checa e a África do Sul partem para a última jornada da fase de grupos sob a mesma pressão ou ainda maior do que aquela com que entraram na segunda. Para os checos segue-se o México, um dos grandes favoritos do grupo. Para a África do Sul, a Coreia do Sul, que conseguiu vencer a Rep. Checa na ronda inaugural.

A mentira

  • O golo madrugador numa partida em que as duas equipas precisavam de ganhar sugeria um jogo repleto de ritmo e espaço. O golo de Michal Sadílek foi o ponto alto de uma partida que só passou a vir à tona com o golo de Teboho Mokoena, quase no fim. A partir do golo de Michal Sadílek, a Rep. Checa consentiu a maior posse de bola dos sul-africanos que, inconsequentes, nunca causaram qualquer desconforto junto da baliza de Matej Kovár até ao momento em que os sul-africanos empataram. Do sétimo ao 83′ minuto, poucos foram os momentos cativantes no Atlanta Stadium.