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Influencer marroquino detido depois de publicar vídeo em que aparece a esfolar, cozinhar e comer um cão

Ben Nesnes é acusado de ofender os preceitos do Islão, que proíbem consumo de carne de cão. Vídeo desencadeou onda de indignação nas redes sociais e motivou a condenação de líderes religiosos.

Margarida Vieira dos Santos
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Durante o Eid al-Adha, uma das celebrações mais importantes do calendário islâmico, Ayoub Ben Nesnes publicou um vídeo no YouTube em que surge a esfolar, cozinhar e comer um cão. Pouco depois, o influenciador digital marroquino, que soma mais de dois milhões de seguidores na plataforma, foi detido pelas autoridades, acusado de crueldade animal. Conhecido online apenas como Ben Nesnes, o jovem de 26 anos afirmou que gravou o vídeo em protesto contra o elevado preço das ovelhas durante a festividade religiosa no mês passado, garantindo ainda que não matou o animal.

Ayoub Ben Nesnes, para além de maus-tratos a animais, é também acusado de insultar o Islão dado que, de acordo com a lei islâmica, comer carne de cão é proibido, relata o The Telegraph.

A publicação do vídeo desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais e motivou a condenação de líderes religiosos islâmicos, bem como de grupos de defesa dos animais, que classificaram as imagens como repugnantes e ofensivas. Pelo menos três organizações apresentaram queixas formais contra o influencer, segundo o jornal britânico.

Mohamed Amziane, responsável pela Associação de Bem-Estar Animal Al Rahma, afirmou que o vídeo revela “um perigoso afastamento dos valores humanos”. Amziane considerou inadequado associar o ato ao Eid al-Adha, celebração que assinala a disponibilidade do profeta Ibrahim (Abraão) para sacrificar o filho em obediência a Deus. Para o responsável, a festividade religiosa simboliza valores como a compaixão, a solidariedade e o respeito, incompatíveis com as imagens divulgadas, que, na sua opinião, apresentam uma visão negativa da sociedade marroquina.

Entretanto, Ben Nesnes garantiu que não matou o animal. “Encontrei-o morto na berma da estrada depois de ter sido atropelado num acidente de viação”, afirmou o influencer marroquino em comunicado, citado pelo The Telegraph. “Eu não o matei, por isso parem de dizer que fui eu. Está tudo documentado e há provas”. O jovem de 26 anos disse ainda estar surpreendido com a reação nas redes sociais. “Todos cometemos erros, mas estou chocado com todo este ódio e amargura”, acrescentou.

O aumento do preço das ovelhas, tradicionalmente sacrificadas durante o Eid al-Adha, tem gerado descontentamento entre os marroquinos. No ano passado, o Rei Mohammed VI apelou à população para que abdicasse do ritual, numa altura em que os preços disparavam devido à seca e à redução do efetivo pecuário. Apesar do apelo, os preços mantiveram-se elevados este ano, colocando a compra de uma ovelha fora do alcance de muitas famílias.

“O Governo marroquino está alegadamente a planear exterminar 99% de todos os cães sem-abrigo”

Várias organizações de defesa dos animais afirmam que houve um aumento drástico do número de cães mortos e envenenados no país. Os grupos acusam o Governo marroquino de fazer esforços para reduzir a população de animais abandonados antes do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030, que será sediado em Marrocos, em Portugal e em Espanha.

“O Governo marroquino está alegadamente a planear exterminar 99% de todos os cães sem-abrigo em todo o país”, acusa a People for the Ethical Treatment of Animals. “Homens com espingardas dispararam sobre cães à vista de testemunhas chocadas, incluindo crianças. Alguns cães foram envenenados, enquanto outros foram queimados vivos”.