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(A) :: Grupo neonazi acusado de planear atentado com granada contra Luís Montenegro

Grupo neonazi acusado de planear atentado com granada contra Luís Montenegro

Movimento Armilar Lusitano tinha longa lista de "alvos e ameaças" e chegou a reunir informação sobre a morada e o policiamento da casa do primeiro-ministro.

Mariana Lima Cunha
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Leonor Riso
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O Ministério Público acusou esta quinta-feira elementos do Movimento Armilar Lusitano de criarem um grupo terrorista neonazi, no âmbito do qual chegaram a equacionar um atentado ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, tendo criado também uma lista de “alvos e ameaças” onde se encontravam nomes como Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, António Costa ou até o humorista Nuno Markl.

Como conta o despacho de acusação, a que o Observador teve acesso, um dos elementos do grupo, Bruno Gonçalves, chegou a obter a morada de Luís Montenegro e a informação de que a PSP fazia “policiamento permanente” desta casa, tendo colocado essas informações num grupo de Signal chamado “lista dos indesejáveis”.

“Consegui a morada de um certo atual primeiro-ministro, aquele conhecido pelo Monstro Negro”, escreveu, tendo considerado então que o sequestro do primeiro-ministro estaria fora de hipótese mas que deveriam “cogitar dispararem uma granada de 37mm através de uma janela para o interior da casa de Luís Montenegro”.

“Sequestro é para esquecer, mas uma granada de 37mm disparada por uma janela adentro não está fora da ementa”, chegou mesmo a defender, seguindo-se depois uma conversa sobre se, dada a proximidade da casa com a de Aníbal Cavaco Silva, seria útil atacarem também o antigo Presidente da República.

Segundo o despacho, este grupo identificou e recolheu informações sobre uma longa lista de indivíduos, grupos ou associações, identificando-os como “ameaças e/ou alvos”, entre os quais se incluíam Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Luís Montenegro, Cavaco Silva, Marques Mendes, Francisco Pinto Balsemão, Carlos Moedas, Rui Tavares, Carlos Abreu Amorim e outras dezenas de nomes, que incluem também “chefias” do PAN e do Livre, o Alto Comissariado para a Migração, Observatório contra o Racismo e Xenofobia, o SOS Racismo, entre outros.

“Trata-se de Governantes, Políticos, Partidos e Movimentos, Jornalistas, Comentadores, Académicos, Artistas, Ativistas, organizações, sendo que a maioria dos nomes e organizações está associada, de forma direta ou indireta, a causas ou ao debate público português relacionados com a inclusão social, imigração, antirracismo, antifascismo, diversidade, direitos das minorias, ativismo cívico ou a setores políticos normalmente identificados como centro-esquerda e esquerda”, resume o Ministério Público. O grupo considerava estes nomes como “responsáveis pelo declínio da nação”.

Na acusação, o MP pede a aplicação de medidas de coação, incluindo para os elementos que já foram detidos, e reconhecendo que há “perigo de fuga acentuado como forma de se eximirem ao julgamento” para alguns. Pede-se assim a aplicação do termo de identidade e residência, a proibição de se ausentarem para fora do país ou de contactarem testemunhas.

“Os criadores do MAL fundaram, assim, um grupo/movimento de extrema-direita, nacionalista, neonazi, fascista, supremacista branco, antissistema, conspiracionista, negacionista, autoproclamado defensor da soberania nacional, da Pátria Mãe, da identidade cultural e histórica portuguesa, da língua portuguesa e das Forças de Defesa e Segurança. Mas, também, um grupo/movimento político que se propunha enfrentar as ameaças contra Portugal e os Portugueses e apresentar uma clara alternativa ao regime político, que pretendia derrubar, ameaças protagonizadas por todos os não brancos, judeus, ciganos, refugiados, imigrantes com origem brasileira, africana, asiática, pessoas da comunidade LGBTQI+, que defendessem assuntos ligados à identidade, diversidade, expressão e igualdade de género (…)”, pode ler-se no despacho.