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A uma vitória dos 16 avos de final. Era isto que esperavam México e Coreia do Sul à partida para esta segunda jornada do Campeonato do Mundo. Na estreia, as duas equipas cumpriram, com os mexicanos a baterem a África do Sul no jogo que inaugurou este Mundial (2-0), seguindo-se o triunfo sul-coreano frente à Rep. Checa (2-1). Com exibições mais ou menos convincentes, tricolores e tigres da Ásia enfrentavam-se num dos confrontos mais esperados do grupo A, sabendo de antemão que até o empate podia ser suficiente para as suas aspirações. As diferenças eram poucas, ainda que o ranking favorecesse o México por apenas 11 posições, esperando-se um jogo equilibrado e dinâmico. Frente aos sul-africanos, a seleção da casa — que rumou a Guadalajara neste segundo jogo — mostrou-se forte no momento da pressão e na reação à perda, ao passo que os sul-coreanos apresentaram um jogo defensivo de excelência, com entrosamento no ataque.
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“Concedi-lhes o benefício da dúvida devido ao nervosismo de uma estreia. Disse-lhes que já não posso permitir que um jogador, devido à importância do momento, seja incapaz de fazer um passe de três ou quatro metros ou um movimento para o qual treinou. Treinámos para anular a velocidade dos sul-coreanos no ataque. Temos de estar atentos à ‘vigilância’ quando estamos a atacar. Se houver dois coreanos, tem de haver pelo menos três mexicanos. Pausa para hidratação? Aproveitamos as regras. É permitido dar instruções enquanto os jogadores bebem água. Aproveito essas pausas para corrigir o que vejo. Na verdade, é útil para nós, treinadores, porque já não temos de gritar do outro lado do campo. É um tipo de futebol diferente daquele que eu jogava. Entre o VAR e a evolução tecnológica, com as imagens que nos enviam no intervalo, acho que tudo isso contribui para um futebol melhor. Estou há 50 anos neste abençoado mundo do futebol e ainda sinto um estranho nervosismo antes de cada jogo… No dia em que deixar de sentir isso, vou para casa”, assumiu Javier Aguirre na antevisão ao jogo da madrugada desta sexta-feira.
“O jogo contra a seleção anfitriã, o México, é o jogo mais importante do nosso grupo. Vou preparar-me bem para que os jogadores consigam superar este desafio e fazer um bom jogo. O México é uma equipa completamente diferente da Rep. Checa. Tudo é diferente, desde o estilo de jogo até tudo o resto. A qualidade individual geral deles é elevada e a movimentação no meio-campo é muito criativa. Conversámos bastante com os jogadores sobre isso e acredito que nos preparámos bem. O adversário vai, certamente, entrar em campo com força e temos de estar preparados para isso. Os jogadores ganharam uma grande confiança ao vencerem o primeiro jogo. Espero que isso se reflita bem em campo. Os meus jogadores já passaram por jogos assim antes, por isso amanhã [sexta-feira] será diferente. Temos de controlar o ritmo e o andamento do jogo e, depois, será importante ter em conta o momento certo”, perspetivou, por sua vez, Hong Myung-bo, que confirmou ainda a presença de um drone indesejado durante um dos treinos dos diabos vermelhos.
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Sem César Montes, que foi expulso na defesa, Aguirre estava forçado a reorganizar a sua defesa e optou por colocar Edson Álvarez como central, trocando ainda Israel Reyes por Jorge Sánchez, que passou pelo FC Porto, no lado direito. No meio-campo, Luis Romo rendeu Álvaro Fidalgo, ao passo que, no ataque, Roberto Alvarado, Julián Quiñones e o ex-Benfica Raúl Jiménez continuaram a ser o trio de serviço. Já Myung-bo fez apenas uma mudança, optando por colocar Kim Moon-hwan em detrimento de Lee Tae-seok na ala esquerda, com Son Heung-min a manter-se como referência ofensiva, ao lado de Lee Kang-in e Lee Jae-sung, o que fez com que o goleador Oh Hyun-jun continuasse no banco.
O jogo começou bastante animado e com o México a assumir as despesas perante uma Coreia do Sul bastante resguardada, como habitual, o que levou os adeptos mexicanos ao delírio desde o apito inicial, entoando olés e assobiando os sul-coreanos quando estes tinham a bola. Depois de dois remates frouxos dos tricolores e da resposta de Son, mas em fora de jogo, a única ocasião da primeira parte pertenceu a Quiñones, que cabeceou para defesa de Kim Seung-gyu após cruzamento de Alvarado (20′). A pausa para hidratação, que foi assobiada pelos adeptos, acabou por baixar o ritmo do encontro, com o intervalo a chegar na fase em que os tigres estavam mais soltos no ataque.
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Os papéis inverteram-se no arranque da etapa complementar, altura em que Kim Seung-gyu comprometeu num lance bastante inusitado: depois de um cruzamento da esquerda, o guarda-redes saiu da baliza para agarrar a bola, mas deixou escapá-la depois de chocar com Lee Gi-hyuk e permitiu a Romo finalizar certeiramente para a baliza deserta (50′). A partir daí, o selecionador sul-coreano mexeu no ataque e retirou Son e Jae-sung para lançar Hwang Hee-chan e Hyun-gyu. O homólogo mexicano aproveitou a pausa para hidratação para responder com Orbelín Pineda e Obed Vargas, na mesma altura em que Eom Ji-sung e Yang Hyun-jun saíram do banco. Pouco depois, o guarda-redes redimiu-se, fazendo uma grande defesa perante um isolado Jiménez (75′). Já com Cho Gue-sung, Santiago Giménez, Reyes e César Huerta em campo, Vargas desferiu mais um remate forte de fora da área, para mais uma grande parada de Kim (85′). Na resposta, José Rangel fez uma grande defesa para travar o cabeceamento de Gue-sung e, na recarga, tirou a bola em cima da linha com uma defesa providencial quando estava no chão (87′).
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A estrela
- Foi uma das mudanças de Javier Aguirre para defrontar a Coreia do Sul e acabou por dar créditos à aposta do treinador. Depois de não ter saído do banco frente à África do Sul, Luis Romo entrou no onze para ser decisivo, tendo feito o golo que colocou o México nos 16 avos de final no seu único remate. Para além disso, o jogador que atua no Chivas Guadalajara, a equipa que joga no Akron, somou 32 passes, duas bolas longas, sete conduções de bola, dois desarmes, três recuperações de bola e sete duelos ganhos.
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O joker
- Se o México venceu a Coreia do Sul, em parte deve-o a José Rangel. Depois de ter assumido a titularidade dos tricolores com alguma contestação à mistura — afinal, no banco está Guillermo Ochoa —, o guarda-redes de 26 anos tem dado segurança a uma das seleções da casa e, frente aos sul-coreanos, fez duas defesas bastante difíceis na ponta final, segurando os três pontos, o primeiro lugar do grupo A e o apuramento para os 16 avos de final.
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A sentença
- Com esta vitória, o México está pela décima vez na fase a eliminar do Campeonato do Mundo, onde não chegava desde a edição da Rússia, em 2018. Os mexicanos chegaram aos seis pontos e tornaram-se na primeira seleção a chegar à próxima fase, carimbando o primeiro lugar do grupo A com mais três que a Coreia do Sul, que só precisa de um ponto frente à África do Sul para garantir o segundo lugar. Os mexicanos sabem de antemão que vão continuar a jogar em casa, com a partida dos 16 avos, frente ao terceiro classificado dos grupos C, E, F, H ou I a acontecer na Cidade do México.
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A mentira
- Presente pela quarta vez em fases finais do Campeonato do Mundo, Kim Seung-gyu borrou a pintura no pior momento possível, ainda que a Coreia do Sul continue em posição privilegiada para terminar no segundo lugar. O guarda-redes de 35 anos até estava a fazer um Mundial seguro, com quatro defesas somadas em jogo e meio e mais de um golo evitado, mas voltou do balneário na mó de baixo e ficou ligado ao golo que deu a vitória ao México, num lance em que tinha mais de 70% de hipóteses de impedir o golo, ainda que tenha negado o segundo golo a Raúl Jiménez e Obed Vargas.
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