Ayyoub Bouaddi tem apenas 18 anos e já se estreou no Mundial, trocando a França por Marrocos, com uma exibição de destaque no empate (1-1) frente ao Brasil. Mas a par do talento com a bola, Bouaddi tem um cérebro brilhante que dita um percurso académico especial.
Com apenas 15 anos, Ayyoub Bouaddi ganhou um concurso de oratória no Palácio do Eliseu a dissertar sobre o tema “O resultado é superior ao método?”. Poucos meses depois, recebeu uma menção honrosa na área de ciências e garantiu um lugar numa licenciatura em Matemática e Física. “Ajuda-me a manter a mente ativa”, explicou o jogador, citado pelo The Guardian. Desta maneira, consegue “aproveitar ao máximo o tempo livre”.
A sua tenra idade colocou dúvidas quanto à qualificação para o Mundial. Contudo, para o treinador Mohamed Ouahbi, isso não é um problema. “Eu só olho para o desempenho dos jogadores, não para a idade deles. Ele podia ter 35 anos e, se jogasse bem, jogava. Ou 17. Eu não sou daqueles que têm medo de convocar jogadores jovens”, referiu, citado pelo El País. “Tínhamos a certeza de que ele faria um grande jogo, portanto não havia risco nenhum”, acrescentou.
Bouaddi recebeu aprovação da FIFA para jogar por Marrocos devido às suas raízes familiares, apesar de ter jogado por seleções jovens na França. Ainda assim, como diz numa publicação do Instagram, não desvaloriza este último país: “Tenho e sempre terei orgulho na minha dupla nacionalidade”.
A federação marroquina escolheu-o para substituir Walid Regragui e, de facto, a decisão compensou, como demonstram as suas estatísticas no jogo com o Brasil — teve 90% de eficácia nos passes e seis recuperações de bola.
O treinador destacou que não ficou impressionado com os resultados porque já sabia o jogador que ele era. “Tivemos muitas reuniões com ele para o convencer a escolher Marrocos, e correu bem. Ele já tem muita experiência na primeira liga da França. (…) Já esteve em mais jogos do que outros [mais velhos do que ele] na Liga dos Campeões”, afirmou.
Apesar de jogar no Lille, onde fez toda a sua formação, há especulações de possíveis transferências para outros clubes, como refere o The New York Times. Mas para Bouaddi, o foco está na competição: “Claro que fico muito feliz por saber que há clubes interessados em mim. Mas, para já, estou apenas concentrado no Mundial com Marrocos e vamos tentar dar tudo para fazer o nosso melhor“.
Os clubes não são os únicos que reconhecem o valor de Bouaddi. Outros atletas fizeram questão de o elogiar. “É um grande jogador”, disse o colega marroquino do Sunderland, Chemsdine Talbi, destacando que está muito feliz por tê-lo na equipa. Francisco Geraldes, antigo jogador do Sporting, também se mostrou rendido a Ayyoub numa publicação do Instagram: “Posso dizer que avisei”, escreveu.
No empate frente ao Brasil, Bouaddi não se limitou a jogar: assumiu as rédeas da partida e encarou de frente nomes como Casemiro, Fabinho e Bruno Guimarães. Relativamente aos próximos jogos, Bouaddi continua ambicioso. “Vamos manter esta mentalidade, isto é apenas o começo”, mencionou nas redes sociais.