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Secretário-geral da NATO satisfeito com críticas de governante dos EUA aos aliados europeus

Hegseth acusou de "vergonhoso" o bloqueio de bases europeias e anunciou revisão da presença militar dos EUA na Europa em seis meses. Líder da NATO apoiou as críticas do secretário da Defesa dos EUA.

Agência Lusa
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O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou-se esta quinta-feira satisfeito com a repreensão do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, aos aliados europeus, argumentando que é bom dizerem “a verdade uns aos outros”.

“Fico feliz por [Hegseth] o ter feito porque temos de dizer a verdade uns aos outros. Esta Aliança está a passar por uma transformação massiva, provavelmente a maior da sua história, para construir esta NATO 3.0, e isso também significa que há águas turbulentas. É uma fase complicada”, disse Rutte numa conferência de imprensa após a reunião dos ministros da defesa da NATO que decorreu esta quinta-feira em Bruxelas.

Rutte argumentou que a mensagem por trás das críticas do chefe do Pentágono é a intenção de “manter a pressão” sobre os restantes aliados.

Durante a troca com os seus homólogos, detalhou o chefe da NATO, Hegseth criticou que, apesar dos compromissos dos Estados-membros para investir mais em Defesa, “alguns ainda se estão a conter um pouco e precisam de fazer mais“.

O também ex-primeiro-ministro dos Países Baixos defendeu que os Estados Unidos expressaram esta quinta-feira “um compromisso muito claro e forte com a NATO”, na necessidade de tornar realidade “uma distribuição mais equitativa das responsabilidades” para a defesa coletiva da Europa.

Em particular, Hegseth criticou aliados europeus por não terem proporcionado às forças norte-americanas o acesso a bases na Europa para lançar ataques contra o Irão, considerando-a uma atitude “vergonhosa”.

https://observador.pt/2026/03/02/espanha-recusa-uso-de-bases-por-eua-nos-ataques-ao-irao-e-norte-americanos-ja-retiraram-avioes/

“Estes aliados colocam os filhos e filhas da América, os nossos filhos e filhas, em risco, negando-lhes o acesso, o uso de bases e o sobrevoo previsíveis que nunca deveriam ter sido questionados”, afirmou.

Itália, França e Reino Unido impediram aos EUA que utilizasse as bases nos seus territórios no contexto dos ataques ao Irão que realizou em conjunto com Israel a partir de 28 de fevereiro, enquanto Portugal deu autorização para que as forças norte-americanas utilizassem a base das Lajes, nos Açores, mediante três condições — em resposta a um ataque sofrido, necessário e proporcional e que não vise alvos civis.

Questionado sobre algumas das desqualificações expressas pelo secretário da Defesa dos EUA, como a relutância da Aliança em envolver-se no conflito no Irão como “vergonhosa”, Rutte limitou-se a responder que não comentará “cada palavra que cada aliado diz” porque “nunca” o faz.

O responsável justificou também a saída de Hegseth antes do fim do Conselho do Atlântico Norte realizado na segunda-feira, sem esperar para se reunir com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Passou quase duas horas a ouvir o debate (…) Sabíamos que ele tinha de sair em breve porque tinha compromissos anteriores. Mas passou quase duas horas a ouvir o debate”, referiu.

Durante o seu discurso no Conselho do Atlântico Norte, Hegseth chegou a dizer que a Aliança “tem sido um tigre de papel e uma via de sentido único” durante muitos anos, e também acusou os aliados europeus de se focarem na “igualdade de género” e nas “alterações climáticas” em vez de “tanques e caças”.

Pete Hegseth anunciou esta quinta-feira que os Estados Unidos vão rever no prazo de seis meses a presença militar na Europa.