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Quase um milhão de palestinianos enfrenta calor em tendas ou ao relento

Com 76,6% das casas destruídas ou danificadas e temperaturas a subir, cerca de 850 mil palestinianos estão sem acesso a materiais básicos de abrigo em Gaza.

Agência Lusa
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Quase um milhão de palestinianos está a viver em tendas que não estão preparadas para o calor do verão devido às restrições impostas por Israel à entrada de materiais na Faixa de Gaza, denunciaram esta quinta-feira organizações não governamentais (ONG) internacionais.

Segundo a Shelter Group, organização liderada pelo Conselho Norueguês para os Refugiados (CNR) e especializada em colmatar as necessidades de habitação, cerca de 170.000 famílias estão a viver em tendas, e outras 5.000 dormem ao relento, sendo que há 52.000 em abrigos sobrelotados.

Este mês, referiu a ONG, foram contabilizadas 850 mil pessoas sem acesso a materiais para abrigo, o que constitui uma crise “exacerbada não pelo clima, mas pela destruição, deslocação e bloqueio da ajuda”.

A organização realçou que o calor do verão aumenta os riscos para estas famílias, já que as temperaturas atuais ultrapassam os 34 graus Celsius e as previsões apontam para um aumento do número de dias com temperaturas acima dos 35 graus.

“As famílias em Gaza não estão a enfrentar um desastre natural. Estão a ser forçadas a suportar um calor sufocante em abrigos de emergência que não foram concebidos para resistir a deslocações prolongadas ou a altas temperaturas”, alertou o coordenador da Shelter Group, Jehan Salim.

“Medidas simples, como sombras, ventilação e melhorias básicas nos abrigos, podem reduzir significativamente os riscos e melhorar as condições de vida, mas estas medidas não estão disponíveis em Gaza e estão a ser deliberadamente negadas”, acusou.

Para o secretário-geral do CNR, Jan Egeland, “é ultrajante que as famílias em Gaza estejam agora, após meses de deslocações e perdas, a enfrentar o calor do verão em tendas improvisadas porque Israel continua a restringir a entrada de materiais para os abrigos”.

A Shelter Group e os seus parceiros “têm a experiência e a capacidade para ajudar os palestinianos a obter abrigos mais seguros e dignos”, sublinhou, acrescentando, no entanto, que as competências não substituem os materiais.

“Israel deve permitir imediatamente a entrada de materiais para os abrigos em Gaza para que os nossos parceiros possam ajudar as famílias a protegerem-se do calor, das intempéries e de outros perigos”, reiterou a organização.

A ofensiva israelita na Faixa de Gaza, após os ataques realizados em Israel pelo grupo islamita palestiniano Hamas a 7 de outubro de 2023, destruiu ou danificou 76,6% das casas no enclave palestiniano, provocando a contínua deslocação da população.

Apesar do cessar-fogo acordado em outubro de 2025 na sequência de uma proposta dos Estados Unidos, Israel continua a atacar quase diariamente a região e mantém restrições à entrada de bens no enclave, não deixando também entrar organizações de ajuda humanitária externas.

“Este verão não tem de ceifar mais vidas e dignidade”, afirmou Salim, insistindo que “as soluções são conhecidas” e que “os parceiros estão prontos para agir”.

O que é necessário agora é um “fornecimento constante de materiais para abrigo, para ajudar as famílias a protegerem-se do calor, das intempéries e de outros danos”, enfatizou Salim.

As autoridades de Gaza, que são controladas pelo Hamas, mas cujos dados a ONU considera fiáveis, anunciaram esta quinta-feira que o número de mortos em ataques israelitas desde o cessar-fogo aumentou para 1.007, referindo que, desde o início da ofensiva, o número de vítimas mortais já ultrapassa as 73 mil e o número de feridos é superior a 173 mil.