Denúncias de um alegado tratamento preferencial a Ghislaine Maxwell, cúmplice do agressor sexual Jeffrey Epstein, levaram funcionários das comissões de Supervisão e de Assuntos Judiciais da Câmara dos Representantes dos EUA a visitar o centro prisional de segurança mínima de Bryan, no estado do Texas, onde cumpre agora a sentença dos 20 anos de prisão.
Recentemente, uma antiga trabalhadora do centro prisional, que foi despedida depois de revelar publicamente os e-mails de Maxwell, contou à CNN que a correspondência de Ghislaine era tratada diretamente pela prisão. Na semana passada, numa carta enviada a Trump, o democrata Jamie Raskin perguntava ao Presidente dos EUA se este ou “qualquer outra pessoa da sua administração tinha fornecido à Sra. Maxwell a transferência para o centro prisional, tratamento favorável e preferencial na prisão ou acomodações especiais para as suas comunicações e interação com a sua família e o mundo exterior”. Estas perguntas surgiam após denúncias sobre o alegado acesso de Ghislaine a um computador portátil sem supervisão ou a áreas reservadas ao staff, para ver televisão sozinha, e também a ter contacto com um cão.
No entanto, as questões relativas à transferência não ficaram esclarecidas e, em comunicado, o próprio Jamie Raskin e outro colega democrata, Robert Garcia, acusaram o Departamento de Prisões (BOP na sigla em inglês) de ter falhado na resposta a perguntas básicas.
“Apesar dos trabalhadores de ‘Camp Bryan’ terem proporcionado uma visita guiada às instalações e à programação do estabelecimento, a direção do Departamento de Prisões descartou repetidamente as nossas questões ou não conseguiu fornecer informações básicas sobre as nossas principais preocupações, incluindo o tratamento extraordinário da Sra. Maxwell, as alegações de agressão sexual nas instalações e as retaliações contra reclusas que tentaram denunciar os factos”, escreveram os responsáveis.
Em declarações à CNN, Robert Garcia declarou que, das 600 mulheres que se encontram no centro prisional de Bryan, Ghislaine Maxwell é a única condenada por agressão sexual e que, quando questionado, o diretor da prisão não soube explicar a razão que levou à transferência da ex-namorada de Epstein. O democrata afirmou que os membros da Câmara dos Representantes descreveram o estabelecimento prisional como uma “universidade comunitária“: “Há árvores, fontes, é relaxada, há pessoas a passear (…). É, essencialmente, a prisão com menos restrições”.
O tratamento preferencial foi negado pela agência federal que assegurou ser proibido privilegiar qualquer recluso. “O BOP está empenhado em manter os mais elevados padrões de integridade e profissionalismo”, acrescentaram.
Citado pelo jornal The Guardian, um porta-voz do Departamento afirmou que os tópicos “foram abordados na medida do possível”, acrescentando que “os trabalhadores do BOP não podem fazer declarações sobre investigações em curso (…) nem teriam conhecimento de pormenores sobre quaisquer investigações conduzidas por entidades externas ou independentes”. No entanto, reforçou o empenho em “colaborar com os parceiros do Congresso”, por reconhecerem a “importância da transparência”.
“O povo americano está farto de ver a Administração Trump a mimar uma traficante sexual e a obstruir a investigação do Congresso sobre o papel da Procuradora-Geral Blanche em garantir que a Sra. Maxwell permaneça confortável e em silêncio”, acusaram os democratas.
https://observador.pt/2025/12/23/documentos-mostram-como-ghislaine-maxwell-a-irma-mais-velha-fixe-aliciava-menores-para-o-circulo-de-epstein/