Uma mãe e uma criança infetadas com Ébola foram raptadas de um hospital na República Democrática do Congo por homens que terão invadido as instalações onde estavam a receber tratamento, revelaram as autoridades do leste do país, na terça-feira. O desaparecimento destas pessoas está a alarmar os profissionais de saúde, que tentam combater a propagação do vírus, ao mesmo tempo que a desconfiança nos centros de tratamento é questionada pelos membros da comunidade.
Na segunda-feira, as vítimas foram levadas do Hospital Wanamahika por homens “muito furiosos”, com facas, revela Lubambo Maboko Gaston, autoridade de saúde local. Em comunicado, assegurou que nenhum membro da equipa médica ficou ferido no ataque, o qual ocorreu por volta das 22h locais, noticia o jornal local Kivu Morning Post.
A mãe e a criança de apenas seis anos terão sido submetidas a um rastreio ainda na segunda-feira, na área da saúde de Vutike Furu. Seguidamente, foram encaminhadas por Gaston para uma unidade de tratamento, na cidade de Butembo, perto da província de Kivu do Norte, dados os sintomas que apresentavam. Segundo conta, as vítimas corriam risco de “agravar a situação” e de “infetar os seus familiares”, avança a agência de notícias Reuters.
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A transferência para a unidade de saúde de Butembo estaria a ser finalizada quando os indivíduos armados, não identificados, invadiram o local e opuseram-se à entrada das vítimas no centro de atendimento especializado. Não é claro se os assaltantes conheciam as vítimas, mas sabe-se que a desconfiança nos centros de tratamento é cada vez maior, fazendo com que o combate à transmissão da doença seja comprometido. “Até ao momento, ainda não encontrámos as duas pessoas que procuramos. Fazemos um apelo solene para que se dirijam o mais rapidamente possível a um centro de tratamento de Ébola, pois o seu regresso à comunidade pode agravar a sua saúde”, disse Lubambo Maboko Gaston, gestor de resposta a incidentes de Ébola em Kivu do Norte.
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Ainda no mês passado, na sequência de protestos negacionistas, o político local, Luc Malembe, confirmou à BBC que as pessoas não estão devidamente informadas. “Parte da população, especialmente em zonas remotas, acha que o Ébola é uma invenção dos estrangeiros — não existe. Acreditam que as Organizações Não Governamentais e os hospitais criaram o vírus para fazer dinheiro”, revela. Os revoltosos incendiaram duas tendas que serviam um hospital juntamente com o corpo de uma vítima mortal, perto da cidade de Bunia, em Ituri — um dos principais focos de infeção ativos até ao momento.
O aumento repentino de casos foi causado por uma espécie rara de Ébola conhecida como Bundibugyo, que já provocou 200 mortes em África e 840 casos. Atualmente, não existe vacina para esta espécie e a Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu que pode demorar meses até que uma vacina seja criada e segura.
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Kivu do Norte — para onde a mãe e a criança de seis anos foram levadas na segunda-feira — registou 67 casos confirmados e 38 mortes, de acordo com dados governamentais divulgados na terça-feira, tornando-se a segunda província mais afetada depois de Ituri, que representa mais de 90% dos casos.
A OMS e o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) já lançaram um plano de apoio conjunto de 446 milhões de euros para o combate ao surto apenas na República Democrática do Congo. Sabe-se ainda que o corpo de uma vítima mortal de Ébola é altamente contagioso, pelo que as autoridades são obrigadas a assegurar um enterro seguro para impedir a propagação do vírus.
Neste momento, é desconhecido o paradeiro ou o estado de saúde de ambas as vítimas, mas as autoridades garantem que as buscas continuam, segundo o jornal local La Prunelle Verte.
Texto editado por Dulce Neto