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(A) :: França poderá usar canhões de água contra imigrantes que cruzem Canal da Mancha. Medida surge com apoio do Reino Unido

França poderá usar canhões de água contra imigrantes que cruzem Canal da Mancha. Medida surge com apoio do Reino Unido

Acordo entre Inglaterra e França (de valor superior a 760 mil euros) prevê uso de canhões de água e gás lacrimogéneo contra migrantes. Organização humanitária denuncia "escalada da violência estatal".

Mariana Marques Tiago
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A polícia de choque francesa que está neste momento destacada na região norte do país poderá usar canhões de gás, gás lacrimogéneo e cassetetes contra imigrantes e traficantes de seres humanos que tentem cruzar o Canal da Mancha. Segundo avança o jornal The Guardian, as autoridades francesas terão estas ferramentas à sua disposição em virtude de um acordo de 660 mil libras (cerca de 761 mil euros) assinado com o Reino Unido.

Em abril deste ano o The Guardian escrevia que o governo britânico tinha chegado a um acordo com a França para controlar a chegada de imigrantes e traficantes de seres humanos através do Canal da Mancha. Londres iria pagar a Paris 660 mil libras. O acordo incluía planos para financiar uma polícia de choque que tivesse a função de “conter e dispersar” pessoas. No total foram criadas duas unidades policiais.

Agora, sabe-se que neste acordo está também incluído o uso de canhões de água pela polícia francesa. O Reino Unido, porém, não poderá fazê-lo, uma vez que na Grã-Bretanha o uso de canhões de água está proibido desde 2015 por serem considerados uma ameaça ao “policiamento por consentimento”. Segundo o jornal, apenas na Irlanda do Norte podem ser usados os canhões de água.

https://observador.pt/2026/01/01/chegadas-de-migrantes-ao-reino-unido-atraves-da-mancha-atingem-nivel-mais-alto-desde-2022/

Segundo fontes ouvidas pelo The Guardian, os polícias de choque das Companhias Republicanas de Segurança (CRS), pertencentes à Polícia Nacional francesa, têm agora liberdade para pedir para usar estas ferramentas para manter a ordem pública.

Na passada quarta-feira, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciava o envio da polícia de choque francesa para as praias francesas. Chamou-lhes “unidades de elite” e disse serem “apenas mais um elemento do acordo histórico entre os dois países”. As equipas enviadas estão “bem equipadas para responder a multidões hostis e às táticas em constante evolução dos contrabandistas, além de deterem imigrantes ilegais”, lia-se também num comunicado do Ministério da Administração Interna.

Segundo Downing Street, escreve o The Guardian, 40% das tentativas de travessia do Canal da Mancha em maio foram interrompidas devido ao aumento das operações conjuntas de aplicação da lei. Mas ainda assim, mais de 2.700 pessoas conseguiram fazer esta travessia.

Para o diretor da organização humanitária e de apoio a refugiados Care4Calais, o uso de canhões de água “seria uma escalada repugnante na violência estatal perpetrada contra refugiados em Calais”. “O governo do Reino Unido trata os refugiados como cidadãos de segunda classe e financiar este tipo de tática indiscriminada e violenta contra refugiados na França reforça essa visão. Se o uso de canhões de água é proibido na Grã-Bretanha, então não deveríamos ter um governo a apoiar a sua utilização. É desumano”, acrescenta o responsável Steve Smith.