O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou o primeiro-ministro de estar a fazer uma “cambalhota política” ao “aceitar discutir” a descida da idade da reforma, conforme proposto pelo Chega, explicou em entrevista à RTP. O socialista considera ainda que Luís Montenegro devia “ter clarificado urgentemente” a sua posição quanto a esta matéria no Parlamento.
O líder socialista começou por criticar André Ventura por, numa primeira instância, dizer estar disponível para viabilizar a proposta de revisão da legislação laboral e mais tarde alterar esta posição, recuando e colocando condições associadas a esta aprovação, nomeadamente a diminuição da idade da reforma para 65 anos de idade ou 40 anos de descontos.
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“Reduzir em um ano e nove meses a idade da reforma pode significar um custo que estimamos que seja de 4,5 mil milhões de euros por ano. Isto põe em causa os nossos deveres para com os mais jovens e futuras gerações. E também para com os pensionistas de hoje e de amanhã”, afirmou em entrevista.
De acordo com José Luís Carneiro, só existem “três ou quatro formas” para o Governo conseguir reunir este valor: “Fazer um corte nas pensões que estão hoje a pagamento, o que significa um corte de 10 a 12%; aumentar o valor das prestações sociais quer dos contribuintes quer das empresas; aumentar os impostos; ou diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social.”
Destacando que “não toma decisões precipitadas”, o secretário-geral do PS afirmou que “quando o primeiro-ministro aceita discutir este tema — o líder de um partido fundador do nosso modelo de Estado Social — isto trata-se de uma cambalhota política de grande significado”.
Questionado se o Governo afirmou que iria efetivamente discutir esta proposta, Carneiro vincou que se fosse ele a desempenhar a função de primeiro-ministro “diria publicamente no Parlamento que em circunstância alguma isso seria objeto de ponderação”. “O primeiro-ministro devia ter clarificado urgentemente essa situação”, acrescentou.
Esta quinta-feira está na agenda a discussão da proposta do Governo para a lei laboral. A votação desta proposta na generalidade está prevista para o dia seguinte, sexta-feira.
José Luís Carneiro reagiu ainda às declarações do antigo líder socialista Ferro Rodrigues, que disse que o PS tem de denunciar a aliança existente entre o Governo e o partido Chega. O atual líder socialista concordou com a visão de que o país está a ser governado pelo PSD e pela extrema-direita, afirmando que “de facto, tem existido [um entendimento destes partidos] em matérias substantivas em relação à vida coletiva”.
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Carneiro quer reunir-se com Montenegro no final deste mês ou no início do próximo
Questionado sobre a estratégia de oposição implementada pelo PS em concreto no que toca ao diálogo com o Governo, Carneiro afirmou que “desde a primeira hora foi claro” qual era a sua vontade: “Mostrar toda a disponibilidade para participar em decisões políticas que servissem o país, particularmente nos domínios da soberania do Estado”.
“Apresentei propostas em relação à Defesa e às questões da segurança interna e disponibilizei-me para colaborar com o Governo… Senti que, como líder de um partido com responsabilidades e com a aspiração a ter de novo responsabilidades governativas, deveria colocar ao primeiro-ministro não apenas a minha disponibilidade, mas também apresentar propostas para as soluções dos problemas”, apontou.
E afirmou ainda que já se reuniu com Luís Montenegro para debater assuntos da agenda política, acrescentando que já “trocou impressões” com o líder do Executivo sobre a “importância” de se voltarem a reunir “entre fim de junho e início de julho”.
PS esteve disponível para dialogar sobre PSU e Lei da Nacionalidade, diz Carneiro
O secretário-geral do PS não só fez questão de vincar que está disponível para dialogar com o Governo, como aproveitou para reagir às declarações feitas em plenário na passada quarta-feira: “Dizer que o PS não esteve disponível para dialogar sobre a Prestação Social Única [PSU] é falso. Porque o PS foi convocado pelo ministro dos Assuntos Parlamentares e uma delegação levou o entendimento do PS.”
“Dissemos ao Governo: dado que há um compromisso do qual dependem cerca de 600 milhões de euros, o Governo que avance com uma lei na Assembleia da República que diga que o Governo cria essa PSU. E depois os termos em que ela se aplica… O que o PS transmitiu ao Governo foi que temos de evitar passar um cheque em branco para que o Governo, por portaria, determine os termos em que vai alterar o apoio aos mais vulneráveis. Foi uma posição de muita responsabilidade.”
E quanto ao PS não querer envolver-se na alteração à Lei da Nacionalidade? Acusação também é falsa, garante. “Eu próprio me empenhei… Se perdermos os nossos princípios fundamentais e valores, não estamos a fazer aqui absolutamente nada.”