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(A) :: Por la mañana café, por la noche e sempre Luis (a crónica do Uzbequistão-Colômbia)

Por la mañana café, por la noche e sempre Luis (a crónica do Uzbequistão-Colômbia)

Uzbequistão mostrou que joga mais do que parece, Luis Díaz mostrou que joga mais do que todos os outros – num Azteca ao rubro, foi ele que deu música no triunfo dos cafeteros para a liderança (3-1).

Bruno Roseiro
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A cor das camisolas também ajudava a ter um outro destaque mas, olhando para aquele mítico Azteca, aquele estádio que se destaca de todos os outros no Mundial por ter recebido alguns dos pontos mais altos de toda a história da competição de Pelé a Maradona passando pelo “Jogo do Século”, era amarelo, amarelo e apenas amarelo. Não ficava por aí: na altura de cantar o hino, milhares e milhares de vozes eram quase como colunas de altifalantes que deixavam os jogadores no relvado de lágrimas nos olhos (o eterno James Rodríguez, que se debate quase todos os dias com problemas físicos mas recusa desistir, era o melhor exemplo). A camisola até podia ser a alternativa, a marca da Colômbia estava bem presente. Este é o momento dos cafeteros.

Néstor Lorenzo, selecionador dos sul-americanos desde 2022, teve o privilégio de jogar com Diego Armando Maradona e treinar Lionel Messi mas não se conhecem propriamente dotes de mágico. No entanto, e vendo a forma como esta Colômbia encarava o Mundial, parecia ser um milagreiro. Até mesmo na mítica geração de 90, com os não menos míticos Higuita, Valderrama, Asprilla ou Freddy Rincón, a tricolor nunca passou dos oitavos de final. Mais: nem sequer conseguiu qualificar-se para o Mundial do Qatar, naquilo que iniciou uma terapia de choque no futebol local. Correu tão bem que se passou de um oito para o 80 – com Luis Díaz no melhor momento da carreira, Luis Suárez a marcar de toda a maneira e feitio, o eterno James Rodríguez para liderar a banda e o apoio de milhares de adeptos, a meta era chegar aos quartos… a olhar para a final.

Era exagerado colocar essa pressão, era incontornável essa pressão. Lorenzo bem tentava falar para fora a reforçar que já não existem equipas “pequenas” no Mundial mas os adeptos cafeteros já andavam em festa antes do apito inicial – tendo outro motivo de festejos na abertura do grupo K, com Portugal, que seria num plano teórico o adversário direto na luta pelo primeiro lugar, a não ir além de um empate com a RD Congo. Podia ser um resultado positivo para os colombianos, ficava também como aviso para os colombianos, que iam defrontar um desconhecido Uzbequistão com uma cara bem conhecida no banco: Fabio Cannavaro, que foi campeão mundial pela Itália em 2006 e ganhou nesse ano a Bola de Ouro. A primeira equipa da Ásia Central tinha tudo a ganhar e nada a perder, a Colômbia podia ter mais a perder do que a ganhar.

Foi por isso que, após uma entrada personalizada dos uzbeques, os cafeteros assumiram o controlo do jogo, foram empurrando o adversário para o seu meio-campo (mesmo sendo uma equipa que não necessitava de “afundar” muito a última linha para defender bem) mas demoraram a criar reais oportunidades. Jhon Arías, que tem jogado mais por dentro, teve a primeira ameaça numa meia distância que saiu ao lado (17′). A pausa para hidratação acabou por fazer bem aos colombianos, que vieram com outra agressividade nos movimentos no último terço para chegarem em vantagem ao intervalo: já depois de um remate ao poste de Luis Díaz após uma assistência de Jhon Arías (32′), o extremo do Bayern que passou pelo FC Porto teve um passe fantástico para a área onde apareceu o lateral direito Daniel Munoz a desviar de primeira para o 1-0 (40′).

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Em vantagem, a Colômbia foi mantendo o seu futebol tricotado em ataque organizado, mostrando grande capacidade na reação à perda para evitar transições rápidas que conseguissem colocar Shomurodov a fazer a exploração da profundidade. No entanto, o foco na baliza estava perdido, as ações deixaram de ser incisivas e o Uzbequistão aproveitou para fazer história, chegando ao primeiro golo em Mundiais após uma intervenção deficiente de Camilo Vargas a remate de Shomurodov antes da recarga de Fayzullaev sozinho na pequena área (60′). Era um aviso à navegação que os colombianos ouviram e interpretaram da melhor forma, com Puerta a recuperar a bola em zona alta e Luis Díaz a rematar em arco para o 2-1 com o guarda-redes Yusupov a ficar mal na fotografia (65′). Luis Suárez, que não teve nenhuma oportunidade para visar a baliza, acabou por dar lugar a dez minutos do finl a Richard Ríos, numa fase em que a Colômbia esteve mais preocupada em segurar a vantagem do que em procurar marcar. Ainda assim, e depois de uma jogada de insistência de Chucho Hernández na direita, Campaz fez o 3-1 (90+9′) e Karimov acertou na trave (90+10′).

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A estrela

  • De forma inevitável, Luis Díaz. Em muitas ocasiões, com o extremo bem aberto na esquerda, a equipa do Uzbequistão chegou a criar situações de 2×1 ou mesmo 3×1 mas nem assim levou a melhor no duelo com o jogador do Bayern, que encontrou sempre de forma de contornar o trânsito condicionado à sua volta para fazer a diferença. Na primeira parte, o jogador que passou pelo FC Porto antes de ser vendido ao Liverpool acertou no poste numa entrada por dentro com remate cruzado e fez a assistência para o 1-0, no segundo tempo marcou na primeira oportunidade que teve com um remate em arco para o 2-1.

O joker

  • Jhon Arías, a jogar de forma cada vez assumida por dentro, tornou-se uma surpresa pela positiva por tudo aquilo que consegue oferecer à equipa depois de ter jogado nos últimos meses no Palmeiras vindo dos ingleses do Wolverhampton. Ainda assim, o fator diferenciador em forma de herói improvável foi mesmo David Muñoz, lateral direito do Crystal Palace que ganhou a Liga Conferência e a Supertaça de Inglaterra esta temporada. Apesar da época desgastante na Premier League e nas provas europeias, o defesa de 30 anos entrou a todo o gás no Mundial, mostrando grande disponibilidade para fazer todo o corredor perante o jogo mais interior de James Rodríguez e Arías e marcando o primeiro golo do jogo.

A sentença

  • Com esta vitória, e depois do empate entre Portugal e RD Congo, a Colômbia passa a liderar de forma isolada o grupo K do Mundial com três pontos antes de receber, novamente no México (mas agora em Guadalajara, que espera mais uma enchente de adeptos cafeteros), a formação congolesa na madrugada de quarta-feira. Já o Uzbequistão ficou com a tarefa mais complicada, defrontando na próxima terça-feira, em Houston, a Seleção Nacional, que precisa vencer para continuar a depender apenas de si na luta pelo primeiro lugar antes de defrontar os colombianos na derradeira jornada em Miami.

A mentira

  • O resultado não mostra bem aquilo que este Uzbequistão consegue fazer, tendo em conta também o facto de ser estreante num Mundial e estar com um técnico, Fabio Cannavaro, que não está há muito tempo com a equipa. E o relatório é relativamente simples de fazer: quando não existe uma pressão alta e agressiva na reação à perda, a equipa mostra capacidade para chegar ao último terço em poucos passes e sempre com muita verticalidade nas ações; quando essa capacidade deixa de contar e quando o jogo obriga os uzbeques a atuarem mais pressionados, a organização defensiva vai abrindo e o coletivo torna-se bem mais frágil. Não sendo o melhor dia para isso depois do empate com a RD Congo, Portugal pode conseguir estudar as especificidades da equipa de Cannavaro… sem pensar em vitórias antecipadas.