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Feira imobiliária israelita em Londres acusada de promove venda de colonatos de israelitas na Cisjordânia e Jerusalém Oriental

Organização afirma que menção de colonatos foi um "erro" e emitiu um pedido de desculpas. Evento motivou protestos de mais de 100 deputados e uma manifestação que levou à detenção de 14 pessoas.

Ricardo Reis
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A Great Israeli Real Estate Event, feira imobiliária israelita, esteve a promover em Londres durante o fim de semana passado a venda de colonatos de israelitas na Cisjordânia e Jerusalém Oriental. A revelação é feita pela Sky News, que teve acesso a panfletos distribuídos durante o evento por parte de um ativista do grupo de judeus pró-Palestina Jewish Anti-Zionist Action. No entanto, a organização afirma que toda a situação se tratou de um “erro”.

“As fotografias mostram materiais de marketing distribuídos no evento, a promover propriedades em Ma’ale Adumim e Givat Zeev, na Cisjordânia, e em Ramat Eshkol e Givat HaMatos, em Jerusalém Oriental. Esses colonatos são ilegais segundo o direito internacional“, refere o canal britânico.

“Depois de passar pela segurança, recebi um saco de pano e um folheto publicitário das diferentes imobiliárias presentes na feira naquele dia”, afirmou. “Entre essas empresas estavam a Yigal Realty, que vendia casas no colonato ilegal de Givat Zeev, e a Tivuch Shelly, que vendia casas em Givat HaMatos e Ramat Eshkol, ambos colonatos ilegais em Jerusalém Oriental“.

“Visitei a banca da Tivuch Shelly e recebi um folheto publicitário de imóveis em Ma’ale Adumim, que é um colonato ilegal na Cisjordânia”, acrescentou.

Esta não é a primeira vez que a organização da exposição divulga a venda de colonatos, tendo, em 2025, chegado a incluir no site do evento o colonato de Gush Etzion, lembra o The Guardian. A divulgação acabou por ser retirada.

Na terça-feira, a organização do evento negou a venda de colonatos e emitiu um pedido de desculpas, através do jornal online Jewish News, justificando que a inclusão nos panfletos “se deveu a um erro”.

“Gostaríamos de voltar a sublinhar que a organização do espaço nos deixou bem claro que não deveríamos, de forma alguma, promover a venda de imóveis israelitas para além da Linha Verde, e todos os vendedores participantes concordaram em cumprir essa exigência”, esclareceu um porta-voz da exposição. A chamada “Linha Verde” refere-se à fronteira que separa Israel dos territórios palestinianos da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

O porta-voz também rejeitou “firmemente a tentativa de deslegitimar bairros consolidados em Jerusalém, a capital de Israel, que abrigam comunidades diversas e que há muito fazem parte do tecido urbano da cidade”.

Além disso, uma fonte da Sinagoga Unida de Edgeware, onde se realizou a exposição, garantiu ao The Guardian que confirmou previamente que “todas as propriedades comercializadas eram legais perante a legislação britânica”.

O evento causou polémica mesmo antes da sua realização, tendo mais de 100 deputados britânicos assinado uma carta aberta, publicada na passada sexta-feira, a pedir o cancelamento do certame, refere a Sky News, com base numa decisão do Tribunal Internacional de Justiça de 2024.

Esse documento declara que “todos os Estados têm a obrigação de não reconhecer como legítima a situação decorrente da presença ilegal do Estado de Israel no Território Palestiniano Ocupado, bem como de não prestar ajuda ou assistência na manutenção da situação criada pela presença contínua do Estado de Israel no Território Palestiniano Ocupado“.

Um dos subscritores da carta, o deputado trabalhista Andy McDonald, copresidente do Grupo Parlamentar de Amizade Reino Unido-Palestina, considerou ser uma “completa abominação que as pessoas tenham a audácia de vir [a Londres] e negociar terras que não lhes pertencem”. “Como seria se os russos estivessem aqui a negociar terras da Ucrânia? Estou horrorizado que isso seja tolerado”, condenou McDonald, tendo pedido a atuação do Governo britânico.

Downing Street afirmou, na segunda-feira, em comunicado, a que a Sky News teve acesso, que contactou a Autoridade de Padrões de Publicidade para “garantir que qualquer evidência deste tipo de publicidade seja analisada de acordo com a legislação do Reino Unido”. Já a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, garantiu na terça-feira na Câmara dos Comuns que pediu à autoridade para investigar o caso “com urgência”.

No entanto, a entidade afirmou ao The Guardian, na terça-feira, que foi contactada pelo Governo, mas encaminhou a resolução do incidente para o executivo. Além disso, garantiu que não recebeu reclamações.

Durante o evento, 14 pessoas foram detidas por protestarem em frente ao local onde decorria o evento, refere a BBC.