Portugal empatou 1-1 com a República Democrática do Congo na estreia no Mundial-2026, em Houston, e as reações foram muito semelhantes: o resultado é frustrante mas o caminho ainda agora começou. O capitão de equipa, Cristiano Ronaldo, foi o mais breve de todos nas declarações. Na zona mista do Toyota Center, analisou o empate em poucas palavras: “Não faltou nada. O futebol é isto. Portugal poderia ter ganho, mas também perdido”.
Antes, assim que o árbitro apitou para o fim, o capitão afastou-se dos colegas, ficou sozinho de mãos na cintura durante alguns segundos, foi abordado por Diogo Costa e Renato Veiga, trocou cumprimentos rápidos com adversários e encaminhou-se diretamente para o balneário — sem participar nas entrevistas de campo. Mas houve tempo para, mais tarde, pronunciar-se nas redes sociais, onde garantiu que “isto está longe de ter acabado”.
Já João Cancelo não teve dúvidas em admitir que este “é um empate que sabe a derrota”. O lateral foi dos mais críticos na análise ao jogo. “Controlámos com bola, mas não tivemos tantas oportunidades para marcar. Em alguns momentos, precipitámo-nos, o que deu contra-ataques perigosos do adversário”, disse, reconhecendo que a RD Congo “veio com a lição muito bem estudada”. À CazéTV, foi ainda mais direto: “Faltou força no último terço. Precipitámo-nos em algum momento. Sabe-nos a derrota, a eles quase como se fosse uma vitória”.
Gonçalo Ramos foi, à semelhança de Cancelo, um dos mais autocríticos. “Começámos bem o jogo, marcámos um golo muito cedo, mas acabámos por, de certa forma, relaxar e não procurar o segundo e o terceiro golo como deveríamos ter feito. Isso não serve como desculpa”, admitiu. “Numa competição como esta não podemos relaxar, não podemos acomodar-nos com uma vantagem de um golo ou até de dois. Com a qualidade que temos, temos de procurar marcar dois ou três golos, para ter uma vantagem verdadeiramente confortável. Uma vantagem de um golo nunca é confortável, ainda mais numa competição destas em que todas as equipas podem fazer mossa e, em qualquer jogada, numa bola parada, num ressalto, pode surgir um golo da equipa adversária”, acrescentou.
Apesar do cenário, outro internacional português — Semedo — pediu que os adeptos acreditem na equipa. “Percebo o lado dos adeptos, mas é acreditar em nós, no processo. Foi o primeiro jogo de uma competição larga. Temos dois jogos ainda na fase de grupo e vamos fazer um bom trabalho“, garantiu. O lateral reconheceu que há coisas a corrigir, mas recusou que o empate seja um indicador da qualidade da equipa: “Não podemos medir a qualidade a nível coletivo quando um jogo corre menos bem. Acho que fizemos uma boa qualificação para o Mundial, o nosso trajeto tem sido bom e não podemos já julgar a qualidade da equipa”.
Rafael Leão apontou o dedo ao momento que mudou o jogo. “Nos primeiros 20 minutos controlámos o jogo. Fizemos golo cedo que era muito importante. Depois do golo, se calhar pela ansiedade de fazer o segundo golo, perdemos um bocado do jogo e a RD Congo começou a tornar-se mais perigosa”, afirmou. O avançado garantiu que o empate não coloca em causa as ambições portuguesas: “Há mais dois jogos em que podemos fazer a diferença e seguir em frente”.
O marcador do golo português mostrou sentimentos mistos. João Neves revelou-se “muito contente” com o golo, com a sua estreia num Campeonato do Mundo e com a estreia a jogar na prova. “É o meu primeiro Mundial, o meu primeiro jogo na competição, mas o mais importante é a performance da equipa. Estou um pouco em baixo pelo resultado em si“, admitiu, acrescentando que “o grupo está unido” e que a equipa “vai continuar a acreditar nas suas qualidades”.
Por seu turno, Pedro Proença, presidente da FPF, reagiu nas redes sociais com uma mensagem de confiança: “Um empate no primeiro jogo não é o resultado que queríamos, mas em nada afeta a ambição que trazemos para este Campeonato do Mundo”.
Fora do campo e do grupo, Ricardo Quaresma deixou um recado a Martínez que pediu a João Félix, com quem estava em conversa na LiveModeTV, para entregar. “Continuo a acreditar em vocês, sem dúvida nenhuma. Diz ao teu treinador para te meter mais vezes“, disse o antigo internacional.