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Trump questiona legitimidade eleitoral no Brasil e Lula manda-lhe recado: "Que não se meta nas eleições"

Trump diz que o Brasil se tornou um "pouco complicado" e que a "situação política ficou um pouco perigosa". Lula respondeu: "Quem tem de aprender com as eleições civilizadas do Brasil é Trump".

Agência Lusa
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José Carlos Duarte
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O Presidente brasileiro, Lula da Silva, reagiu esta quarta-feira às declarações do homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre a situação política do Brasil, dizendo que são os Estados Unidos têm de aprender com o sistema eleitoral brasileiro.

Lula da Silva respondeu a Trump durante uma conferência de imprensa realizada à margem da Cimeira do G7, em Évian, França, e prometeu mostrar ao chefe de Estado norte-americano uma urna eletrónica na próxima vez que os dois se encontrarem.

Antes, numa conferência de imprensa, Trump declarou que a situação política no Brasil é perigosa e que o país se tornou “um pouco complicado”.

Na ocasião, o político republicano foi questionado sobre se conversou durante o G7 sobre as novas tarifas impostas ao Brasil e sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas globais. “Na verdade, passei bastante tempo com ele [Lula]. E o Brasil tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. A situação política ficou um pouco perigosa. Está a falar sobre o Brasil, certo? Tem sido algo desagradável”, completou.

Na sequência, Trump mostrou o seu apoio a Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato a Presidente do Brasil, e tornou a comentar o sistema eleitoral brasileiro ao dizer que “eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos”.

O Presidente norte-americano também confundiu Eduardo Bolsonaro com o irmão, Flávio. “Ouvi que prenderam alguém que está a concorrer para a Presidência. Ouvi que prenderam Bolsonaro Jr., ele estava a sair-se bem nas sondagens e prenderam-no. Porque ele fez uma declaração no Texas”, afirmou Donald Trump.

Eduardo Bolsonaro — que vive no Texas e que foi condenado esta terça-feira pelo Supremo Tribunal mas ficou em liberdade — não está a ponderar candidatar-se às eleições brasileiras; quem o faz é o irmão, Flávio Bolsonaro.

Lula atira: “Que não se meta nas eleições do Brasil”

Questionado sobre essas declarações de Trump, Lula da Silva ironizou, dizendo que o norte-americano conhece pouco o Brasil. “Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, declarou.

O Presidente brasileiro defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral do país e destacou a rapidez do apuramento dos resultados. “Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump”, afirmou o chefe de Estado brasileiro. “Na próxima vez eu vou levar uma urna eletrónica para mostrar para ele como é que ela funciona”, ironizou.

Segundo Lula, Trump tem o direito de manter as suas preferências políticas e ideológicas, mas deve respeitar o princípio da não ingerência entre Estados. “Ele pode continuar a gostar do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. (…) Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”, indicou. “O que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos”, declarou.

Questionado sobre a sua relação com Trump durante a cimeira, Lula afirmou que não solicitou uma reunião bilateral com o Presidente norte-americano porque os dois países continuam a negociar questões das tarifas. “Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, explicou.

O chefe de Estado brasileiro criticou ainda as tarifas anunciadas por Washington contra produtos brasileiros e classificou a decisão como uma atitude inadequada. “Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil”, disse.

Lula afirmou que as negociações continuam a ser conduzidas pelos ministros e diplomatas dos dois países e manifestou confiança numa solução negociada.

Apesar das divergências, o Presidente brasileiro indicou que mantém aberta a possibilidade de um contacto direto com Trump caso as conversações não avancem. “Se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone e ligar para o Trump outra vez e marcar uma outra conversa”, afirmou.