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(A) :: A "emoção de jogar por Portugal", o exemplo da Argentina em 2022 e a falta de hábito de Ronaldo: Martínez gostou da "atitude dos jogadores"

A "emoção de jogar por Portugal", o exemplo da Argentina em 2022 e a falta de hábito de Ronaldo: Martínez gostou da "atitude dos jogadores"

Depois do jogo, Martínez destacou inúmeras vezes a atitude dos jogadores, frisando que o golo de João Neves mudou o rumo do jogo. Treinador descarta falar da candidatura ao título na fase de grupos.

Tiago Gama Alexandre
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Pela primeira vez, Roberto Martínez não ganhou a partida de estreia numa grande competição de seleções. Esse foi um dos dados históricos que saltaram à tona depois do empate de Portugal frente à RD Congo, no pontapé de saída da caminhada lusitana no Campeonato do Mundo da América do Norte. De recordar que, há dois anos, já no comando técnico nacional, Martínez tinha conseguido vencer a Rep. Checa no arranque do Europeu (2-1). Ao serviço da Bélgica, bateu o Canadá na única vitória dos diabos vermelhos no Qatar-2022 (1-0), depois de ter goleado a Rússia, no Euro-2020, e o Panamá, no Mundial-2018, pelo mesmo resultado: 3-0.

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Logo a seguir ao encontro, o selecionador nacional mostrou-se otimista em declarações na super flash-interview às televisões detentoras dos direitos de transmissão. “Entrámos muito bem no jogo. Marcar o golo mudou um pouco a falta de chegada à área. Começámos a procurar só manter a bola e isso deu uma oportunidade à RD Congo de reagrupar e de recomeçar. Agora é avaliar. Mas gostei da atitude da equipa — continuámos. É melhor ter um desempenho destes na fase de grupos e melhorar muito, porque a atitude foi muito boa e os aspetos individuais que precisamos para crescer no Mundial estiveram lá”, disse o técnico espanhol nessa ocasião.

“Acho que é importante perceber que entrámos no jogo muito, muito bem. Até ao primeiro golo tínhamos profundidade e chegávamos ao último terço bem. O golo mudou o jogo. Contemporizámos muito e circulávamos a bola em zonas que permitiam à RD Congo ajustar a pressão e tentar iniciar o contra-ataque. Não tivemos profundidade nem oportunidade de explorar as costas. O golo da RD Congo chegou no momento mais difícil para nós, mas acho que reagimos bem. A atitude dos jogadores foi extraordinária. Não gostámos do desempenho, mas gostei muito da atitude dos jogadores até ao último segundo. Temos mais dois jogos, temos de avaliar bem e ter autocrítica. No Mundial não há jogos fáceis. Precisamos de melhorar e crescer”, acrescentou, mais tarde, na flash da SIC.

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“Tudo o que não foi feito é uma opção. Precisamos de avaliar o jogo racionalmente. Temos muito bons jogadores e precisamos de todos. Temos mais dois jogos e vamos utilizar tudo o que temos para ter valências e aspetos diferentes no nosso jogo. Adormecimento? É fácil de explicar: é o Mundial. A RD Congo fez um jogo muito bom, ganhou muitos duelos e chegou longe. Acontece no futebol, não é nada novo. Precisamos de avaliar e crescer. Rúben Dias? O futebol é um jogo de erros. Há muita vontade e emoção por jogar por Portugal e isso faz com que percas o foco no momento certo. Faz parte de estar aqui e dos três jogos da fase de grupos. A atitude dos jogadores foi exemplar. Ronaldo primeiro a sair de campo? Era o primeiro jogo, um momento em que ainda não temos os hábitos da FIFA. Neste Mundial temos oito jogadores a fazer flash e ainda não temos esse hábito de ficar no relvado. Estávamos tristes, mas vamos tentar apanhar o hábito rapidamente”, concluiu Martínez, antes de se alongar na análise em conferência de imprensa.

“Há momentos em que os desempenhos não estão ao nível. No Qatar, a Argentina perdeu com a Arábia Saudita e ganhou o Mundial, a Espanha fez o mesmo contra a Suíça em 2010… É um processo. Falar em ganhar o Mundial é uma emoção que não ajuda a ganhar jogos. O mais difícil era começar o jogo bem e fizemos isso. Marcar o golo, que é um momento que normalmente ajuda muito a controlar o jogo, teve o efeito contrário. Tentámos manter a bola, não chegámos à baliza, demos oportunidade à RD Congo de recomeçar, armar o contra-ataque, e perdemos muita profundidade. Tentámos mudar o padrão de ataque, chegámos à baliza com mais frequência, mas não com a qualidade que temos. Faz parte. Já vi jogos assim em que o adversário aproveita e ganha o jogo. Tentámos até ao fim. A emoção de ganhar o Mundial não faz parte na fase de grupos”, explicou.

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“Na nossa estrutura, o ponta-de-lança precisa de muita disciplina, ficar na linha defensiva nas costas dos centrais e abrir espaços. Depois do primeiro golo, não chegámos ao último terço com o nível que precisamos para servir o ponta-de-lança ou utilizar os seus movimentos. O ponta-de-lança precisa de estar perto da baliza, mas precisamos de chegar lá. É importante utilizar os jogadores que temos. Com a entrada do Francisco Conceição, chegámos mais ao último terço. O espaço na linha defensiva abriu mais e era para utilizar o Gonçalo Ramos, mas tínhamos o Bruno Fernandes em posição de chegada. Hoje não é jogo para ver as estatísticas, não são boas. Não foram ao nível do que precisamos. O importante é refletir, avaliar e poder ajustar para, no próximo jogo, podermos chegar ao nível que já mostrámos”, concluiu Roberto Martínez.