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(A) :: "O Ronaldo não fez nada" e a falta de "coragem" de Martinez. Como a imprensa internacional reagiu à estreia "pobre" de Portugal no Mundial

"O Ronaldo não fez nada" e a falta de "coragem" de Martinez. Como a imprensa internacional reagiu à estreia "pobre" de Portugal no Mundial

Os dedos apontaram todos para a "fraca" prestação do capitão, com a maioria a sugerir uma mudança no 11 inicial — sem CR7. Mas, acima da falta de concretização de Portugal, há o mérito da RD Congo.

Martim Andrade
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Nos primeiros 45 minutos, as oportunidades não chegaram. Mas, na segunda metade do jogo, após cada remate falhado, Cristiano Ronaldo foi a grande vítima da cobertura internacional do jogo entre Portugal e a República Democrática do Congo. Para o The Athletic, as críticas à exibição do capitão não se limitaram aos 90 minutos. “Os jogadores portugueses juntaram-se no meio-campo e aplaudiram os adeptos. Bem, nem todos. Adivinhem quem já foi para o balneário”, escreveram no final da partida.

O The Telegraph compara a prestação de Cristiano Ronaldo à de Lionel Messi, reacendendo o velho debate. “No dia seguinte a Lionel Messi ter demonstrado porque é que continua na seleção argentina, Portugal recebeu talvez um lembrete da razão pela qual Cristiano Ronaldo não deveria fazer parte da sua”, nota a redação britânica. De acordo com os analistas desportivos do jornal, o avançado português foi “subjugado” pela dupla de centrais congolenses Mbemba e Tuanzebe.

Toda a imprensa nota que a Seleção Nacional entrou na segunda parte — após o golo tardio de Wissa — com “ritmo lento” e “imprecisões”. O El País escreve que foi o momento que fez Portugal “perder o pouco ritmo que ainda tinha” quando Vitinha foi substituído para entrar Gonçalo Ramos. Mesmo assim, apesar das críticas à exibição portuguesa, reparam que o empate foi também “muito merecido” para o conjunto da República Democrática do Congo.

Voltando ao The Telegraph, uma das pessoas que comentou a “pobre prestação” de Portugal foi um antigo companheiro de equipa do capitão. Na sua breve reação aos 90 minutos em Houston, Wayne Rooney admite que estava à espera de ver “mais energia” vinda da seleção portuguesa. “Quero ver mais velocidade na equipa. Quero ver jogadores a ultrapassarem o Cristiano Ronaldo de vez em quando. Acho que foi uma exibição fraca da seleção de Portugal”, disse o antigo capitão do Manchester United.

Portugal precisa de melhorar “muito”, de acordo com o The Guardian, que aponta dedos novamente à prestação do avançado português que jogou a partida na íntegra. Criticam, também, o selecionador nacional. “Se decidirem manter o Ronaldo em campo — e nada do que vi do Martinez me leva a crer que ele tenha vontade ou coragem para o deixar de fora —, eu colocaria o Bernardo no centro, faria com que os laterais subissem e tentaria dar algum ritmo aos passes”, recomendam os britânicos.

Outros recomendam mesmo que Ronaldo comece os próximos jogos no banco de suplentes. “A questão do que [Cristiano Ronaldo] ainda tem para oferecer é outra, e concordo que, quando o vejo jogar hoje em dia, as dificuldades que tem em movimentar-se provocam-me algo entre uma pontada de tristeza e uma sensação da minha própria mortalidade. Gostaria de o ver como um super suplente!”, acrescentou um adepto, num comentário destacado pelo The Guardian.

“[Ronaldo] não fez nada hoje, o que apesar de não ser inteiramente culpa dele, não é um bom presságio para o resto do Mundial”, continuam os jornalistas do The Athletic, anexando um mapa que mostra a presença do capitão em campo. A ESPN redobrou estas críticas a Cristiano Ronaldo, recordando que este foi o 10.º jogo consecutivo de um Campeonato do Mundo que termina sem um golo do número 7 da seleção. E, apesar de a imprensa internacional estar a dar a notícia do resultado como um produto da falta de concretização de Portugal, não deixa de salientar a importância do empate para a seleção africana.

“É um resultado fantástico para a República Democrática do Congo — e totalmente merecido, dada a disciplina defensiva, a organização, o espírito e a resiliência que demonstraram ao longo de todo o jogo”, escreve o jornal desportivo do New York Times.