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Lukashenko pede perdão a Zelensky e admite que "exagerou" ao criticar o Presidente ucraniano

Presidente bielorrusso admite que foi “duro” com Zelensky e que não deveria ter algumas críticas à Ucrânia. Lukashenko assegura também que Bielorrússia não é uma “ameaça” para Kiev.

José Carlos Duarte
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Um raro mea culpa. O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, mudou o tom ao falar sobre o homólogo ucraniano. Apesar de ser um dos maiores apoiantes da Rússia na Europa, o líder da Bielorrússia pediu desculpa e reconheceu que “exagerou” quando muitas vezes criticou Volodymyr Zelensky.

“Se Vladimir Alexandrovich [Zelensky] ficou ofendido, peço desculpas pelas minhas palavras”, afirmou Alexander Lukashenko, numa entrevista ao canal saudita Al Arabiya. O líder bielorrusso disse que talvez “não fosse necessário” fazer certas declarações, porque o Presidente ucraniano está a liderar um país em guerra. “Talvez não devesse ter falado tão duramente. Mas também ele deve entender que quem semeia ventos colhe tempestades”, sublinhou.

Alexander Lukashenko admitiu que muitas vezes também não gostou da forma como Volodymyr Zelensky falou sobre a Bielorrússia e sobre si desde o início da invasão e aconselhou-o a ter cuidado sempre que faz declarações públicas. Porém, o chefe de Estado bielorrusso faz agora o esforço de o compreender. “Este homem estava sob tanta pressão, um homem jovem e inexperiente, e não um militar. Talvez alguma coisa na sua cabeça não estivesse a funcionar bem. Contudo, quando me começaram a ameaçar, fui forçado a responder”, assinalou.

Sobre o estado da guerra, Alexander Lukashenko observou que a Ucrânia “está a atacar alvos” longe da linha da frente na Rússia. “Os ucranianos estão a atacar civis, monumentos históricos e culturais, refinarias de petróleo e fábricas. Eles estão a atacar em toda a Rússia, até aos Urais, com drones. Esse é o tipo de guerra que temos agora”, notou.

Em relação às consequências para o país que lidera, o chefe de Estado bielorrusso referiu que a guerra está a ter lugar no “quintal” da Bielorrússia. “Não queremos esta guerra. Podemos sofrer tanto como os ucranianos e os russos”, sublinhou, assegurando que Minsk não vai entrar no conflito na Ucrânia ao lado da Rússia. “Não se deve esperar qualquer tipo de ação militar da Bielorrússia”, destacou.

O Presidente bielorrusso disse que arrastar o país para a guerra seria “absolutamente inaceitável”, negando que Vladimir Putin também quisesse que a Bielorrússia estivesse presente no conflito. Além disso, Alexander Lukashenko explicou que “a Bielorrússia é militarmente muito vulnerável”: “Porque tudo na Bielorrússia está ao alcance das forças armadas ucranianas. Entendemos perfeitamente que as infraestruturas críticas podem ser atacadas.”

Para Alexander Lukashenko, “este conflito deve acabar” em breve e um acordo de paz “deve ser alcançado entre as partes em guerra”. E tentou dissociar os norte-americanos e os europeus do processo negocial, uma vez que a Europa de Leste não lhes é familiar. “Apenas nós, os três povos eslavos, ao chegar a um acordo, é que vamos lidar com as consequências”, previu, acrescentando que a Ucrânia “não deve temer” a Bielorrússia.

Em resposta a estes comentários, a líder da oposição bielorrussa no exílio, Sviatlana Tsikhanouskaya, lembrou que o rival político já pediu à Ucrânia “para se render”. Agora, criticou, Alexander Lukashenko está a “pedir desculpa”. “Isso é o que a força [da Ucrânia fez]. Expôs a fraqueza de uma ditadura construída em mentiras, medos e dependência de Putin. Nenhum pedido de desculpas encenado pode eliminar a cumplicidade na agressão”, escreveu no X.

http://twitter.com/Tsihanouskaya/status/2066770858144637040