(c) 2023 am|dev

(A) :: Serial killer de Gilgo Beach condenado a prisão perpétua: "Você é um pequeno homem nojento e desprezível"

Serial killer de Gilgo Beach condenado a prisão perpétua: "Você é um pequeno homem nojento e desprezível"

Os crimes foram cometidos entre 1993 e 2010, tendo os primeiros restos mortais sido descobertos em 2011. Heuermann foi descoberto através de análise de amostras de ADN e de arquivos do seu computador.

Ricardo Reis
text

O serial killer de Gilgo Beach, em Nova Iorque, que, entre 1993 e 2010, assassinou sete mulheres foi condenado esta quarta-feira a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Rex Heuermann foi condenado a três penas de prisão perpétua, além de “25 anos a prisão perpétua por quatro acusações de homicídio em segundo grau”, segundo a BBC. Todas estas penas serão cumpridas consecutivamente.

“Você é um pequeno homem nojento e desprezível, isso se for um homem. E é um cobarde”, afirmou o juiz Timothy Mazzei, citado pela BBC, na leitura da sentença. “Tirem-no daqui”, ordenou após a condenação, que foi recebida com aplausos pela audiência presente na sala de tribunal.

Rex Heuermann foi detido em 2023 e declarou-se culpado de sete homicídios, em abril deste ano, em troca da colaboração com a Unidade de Análise Comportamental do FBI para “ajudar a capturar outros serial killers”, de acordo com a Associated Press. Admitiu ainda o assassinato de uma oitava vítima, mas nunca foi acusado.

Na audiência desta quarta-feira, mostrou-se “um pouco arrependido” pelos crimes, durante uma curta declaração.

O julgamento foi caracterizado por um ambiente de elevada tensão, com os familiares das vítimas visivelmente revoltados pelos crimes cometidos pelo serial killer, e pela demora nas investigações policiais, que consideram não terem sido “suficientemente exaustivas pelo facto de as vítimas serem profissionais do sexo”, segundo a BBC e a Associated Press.

“As coisas que eu faria consigo são piores do que tudo o que você já fez com qualquer pessoa”, confessou Amanda Funderburg, irmã de Melissa Barthelemy, uma das vítimas, citada pela BBC, que pediu a Heuermann para olhar para si durante as suas declarações. “Guarde um lugar para mim no inferno, porque nos veremos lá“, afirmou, recordando o telefonema que recebeu do serial killer, em 2009, quando tinha 15 anos, a descrever o assassinato da irmã. Heuermann detalhou pormenores da violação e como tinha deixado o corpo de Barthelemy “apodrecer”.

A familiar de uma outra vítima, Jasmine Robinson, prima de Jessica Taylor, afirmou que “um milhão de anos [de pena de prisão] não são suficientes” pelos crimes cometidos pelo serial killer, enquanto a mãe de Valerie Mack sublinhou que foi feita justiça, mas que tal “não pode substituir o que foi tirado” às vítimas.

Alguns dos assassinatos ocorreram quando os filhos das vítimas eram crianças, como foi o caso de Nicolette Brainard-Barnes, filha de Maureen Brainard-Barnes, que tinha apenas sete anos quando a mãe foi assassinada. “Eu era uma menina pequena e precisava da minha mãe”, lamentou Nicolette, citada pela BBC, que recordou que a mãe, “como qualquer profissional do sexo”, era um “ser humano completo”.

Crosta de pizza e Chevrolet Avalanche ajudaram a identificar o culpado

Os crimes de Gilgo Beach decorreram entre 1993 e 2010. Nesse mesmo ano, lembra a Associated Press, investigadores encontraram restos mortais de mulheres desaparecidas na praia que deu nome ao caso, enquanto investigavam o desaparecimento de outra mulher, não relacionado com os crimes. Amostras de ADN confirmaram que os corpos pertenciam a profissionais do sexo que haviam sido dadas como desaparecidas, uma delas mais de 20 anos antes. No total, foram encontrados os restos mortais de nove mulheres, um homem e uma criança, mas o homicida foi apenas considerado culpado e condenado pelo assassinato de sete mulheres.

Nessa praia, o serial killer ocultava os corpos das vítimas estranguladas, que eram “amarrados pela cabeça, cintura e pernas com uma serapilheira”, refere a NBC News. Alguns corpos eram também desmembrados.

O caso ficou sem solução até 2022, quando foi retomado pela Polícia de Suffolk. O interrogatório à colega de casa de Amber Costello, uma das vítimas, provou ter sido determinante para a investigação. A testemunha relatou ter visto o carro de um homem que parecia “um ogre” no local do desaparecimento, em 2010, correspondente ao homicida na altura, refere a BBC.

Através do cruzamento de vestígios de ADN, recolhidos dos restos mortais, e de uma crosta de pizza encontrada junto do escritório do serial killer, as autoridades atribuíram a autoria da onda de homicídios a Rex Heuermann, segundo o artigo publicado pelo Observador, em abril.

O homicida contactava as vítimas através de plataformas como Craigslist e Backpage, recorrendo ao uso de pseudónimos como “Thomas Hawk” e “Andrew Roberts”, e tinha uma coleção de pornografia violenta, incluindo violações de mulheres e crianças, no seu email falso, segundo o The New York Times. Além disso, tinha guardado no seu computador um “guião” para a consumação dos crimes, segundo a Associated Press, com uma série de tarefas a serem executadas, como a destruição de evidências — que incluía o desmembramento das cabeças e das mãos das vítimas — e a produção de álibis, bem como “lições práticas para a ‘próxima vez'”.

A onda de assassinatos foi um dos “mistérios mais intrigantes” de Nova Iorque, refere a Associated Press, e tornou-se objeto de podcasts, livros e documentários.

A família do serial killer não assistiu à leitura da sentença, por respeito aos familiares das vítimas, segundo a BBC e a Associated Press.