Prometia muito, acabou com pouco. Portugal até entrou a ganhar na estreia no Campeonato do Mundo com a RD Congo mas foi caindo com o passar dos minutos, consentiu o empate e não teve propriamente muitas bolas de golo para poder entrar a ganhar como aconteceu no Qatar-2022, nesse caso diante do Gana. Foram mais os destaques negativos do que as notas positivas em termos individuais, com João Neves a merecer mais pelo que fez e Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo a contribuírem menos do que se esperava que fizessem entre exibições que deram bons sinais mas que acabaram por perder-se com o passar dos minutos.
https://observador.pt/2026/06/17/o-dia-em-que-a-numerologia-se-perdeu-num-futebol-de-praia-a-cronica-do-portugal-rd-congo/
Vitinha foi o exemplo paradigmático do paradoxo do jogo que Portugal fez. Por um lado, quase todas as ações em posse da Seleção passaram pelos pés do médio do PSG, considerado o terceiro melhor jogador do mundo na última corrida pela Bola de Ouro. Mais: conseguiu chegar ao recorde de passes longos com sucesso neste Mundial. No entanto, e entre a taxa de eficácia sempre alta em todas as ações, acabou por jogar muito para o lado e menos para a frente, não conseguindo dar a verticalidade que a equipa estava a precisar numa partida em que Bruno Fernandes teve menos espaço mas procurou sempre desequilibrar no passe.
Diogo Costa, 5. Uma exibição sem intervenções que se destacassem (boas ou más)
Não teve propriamente muito trabalho, também não teve propriamente uma intervenção que se destacasse muito – nem pela positiva, nem pela negativa. Travou de forma segura um remate de Kayembe que ficou prensado num jogador português (33′), teve uma intervenção titubeante com os pés numa reposição que podia ter criado problemas à defesa nacional (35′), não conseguiu travar o desvio de cabeça de Wissa nos descontos da primeira parte para o 1-1. No segundo tempo, defendeu bem uma tentativa de Bakambu na área mais descaído sobre o lado direito mas o lance acabaria por ser invalidado por fora de jogo do congolês.
- Clube: FC Porto (Portugal)
- Internacionalizações: 44 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 57 jogos, 5.066 minutos, 0 golos, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
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João Cancelo, 6. O que não fez, o que conseguiu fazer depois e o golo que era um feito
Com a colocação de Bernardo Silva na direita, o lateral direito, que foi companheiro do esquerdino não só no Benfica mas também no Manchester City, tinha condições para poder dar mais vezes largura pelo flanco mas, por questões estratégicas ou por bom bloqueio da organização defensiva congolesa, acabou por estar mais discreto nessa perspetiva do que esperado. Subiu no segundo tempo, marcou um grande golo após passe com o peito de João Neves que acabaria por ser anulado por fora de jogo e terminou na esquerda após a saída de Nuno Mendes, estando bem mais ativo no plano ofensivo mas sem cruzamentos para finalização.
- Clube: Barcelona (Espanha) depois de Al Hilal (Arábia Saudita)
- Internacionalizações: 69 jogos, 12 golos
- O que fez em 2025/26: 38 jogos, 2.503 minutos, 5 golos, 8 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
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Tomás Araújo, 4. Dois cortes providenciais e dois passos proibidos à frente na defesa à zona
Teve uma estreia de fogo no Mundial, passando de dúvida entre os 26 eleitos de Roberto Martínez por ter de forma teórica António Silva na frente a titular no encontro inaugural em que Rúben Dias ficou de fora por lesão. Os centrais portugueses não tiveram uma exibição isenta de erros mas o jogador do Benfica acabou por estar uns furos acima do companheiro de posição ao longo da partida, tendo uma dobra importante na área a evitar o remate de Bakambu (14′) e um corte providencial numa transição que evitou que Bakambu pudesse ficar isolado (75′). A exibição acabou por ficar marcada pelo golo de Wissa na sequência de uma bola parada, com o avançado do Newcastle a surgir no espaço que seria o seu na linha de defesa à zona de Portugal.
- Clube: Benfica (Portugal)
- Internacionalizações: 6 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 44 jogos, 3.024 minutos, 1 golo, 2 assistências, 8 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/sporttvportugal/status/2067308198248263917
Renato Veiga, 4. A liderança que se pedia e que se perdeu em hesitações
Sem Rúben Dias, e ganhando o espaço no eixo recuado descaído sobre a esquerda a Gonçalo Inácio, Renato Veiga tinha uma oportunidade de ouro para marcar posição como jogador de Seleção. O jogo não era fácil, podia até tornar-se ingrato tendo em conta o domínio com bola de Portugal e a exposição que poderia deixar em termos defensivos às unidades mais recuadas, e não correu da melhor forma ao central do Villarreal. Teve hesitações ainda que sem consequências diretas, foi colocado algumas vezes como jogador que tentava o passe longo para virar o jogo mas acabou com 90 minutos discretos e sem razões para recordar.
- Clube: Villarreal (Espanha)
- Internacionalizações: 14 jogos, 1 golo
- O que fez em 2025/26: 51 jogos, 3.911 minutos, 2 golos, 1 assistência, 7 amarelos e 1 vermelho
Nuno Mendes, 6. As arrancadas pela esquerda que não passaram do arranque
Voltou a ser a locomotiva habitual na esquerda, ou combinando com Pedro Neto para o cruzamento do ala ou aproveitando o espaço que o ala do Chelsea conseguia deixar para explorar a profundidade e chegar mesmo à área contrária, como aconteceu aos 18′ após um grande passe de Bruno Fernandes que terminou com Mpasi a afastar o perigo. Foi substituído a cerca de 20 minutos do final quando continuava a ser um dos jogadores portugueses com maior rendimento e capacidade de desequilíbrio, dando lugar a Nelson Semedo.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 45 jogos, 1 golo
- O que fez em 2025/26: 49 jogos, 3.531 minutos, 6 golos, 8 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2067307479344599086
Vitinha, 6. Nunca passa ao lado do jogo mas o jogo pedia menos passes para o lado
Todo o jogo de Portugal passou pelo cérebro do meio-campo do PSG, Vitinha nunca deixou de assumir esse papel de ser o cérebro de todo o jogo a partir do meio-campo. No entanto, entre muitos com uma taxa de eficácia ao alcance de poucos, faltou aquela mudança de velocidade extra para dar outro tipo de vantagem nas mudanças de corredores de jogo. Antes de ser substituído por Gonçalo Ramos nos minutos finais, Vitinha já tinha chegado ao recorde de passes longos eficazes neste Mundial mas, no ponto mais nevrálgico, teve demasiado jogo lateralizado e menos jogo vertical em relação ao que Portugal estava a precisar.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 39 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 60 jogos, 4.805 minutos, 7 golos, 10 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2067300440333578378
João Neves, 7. Marcou de cabeça, assistiu com o peito e jogou muito com os pés
Foi o melhor jogador de Portugal a quase todos os níveis. Marcou o único golo de cabeça, aparecendo de rompante na área ao primeiro poste para desviar para o lado contrário um cruzamento de Pedro Neto (6′), fez a assistência magistral com o peito para um golo anulado a João Cancelo no início da segunda parte (55′) e procurou sempre desmarcações de rutura que fossem capazes de encontrar os espaços quase inexistentes na organização defensiva da RD Congo. Fez e recebeu quatro passes progressivos, terminou com uma eficácia de 98% de acerto de passe mas não conseguiu impedir que Portugal empatasse na estreia.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 23 jogos, 4 golos
- O que fez em 2025/26: 44 jogos, 3.129 minutos, 10 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2067323769744392402
Bruno Fernandes, 6. Ele bem quer, ele bem tenta, mas faltou sempre o resto
Com o centro de jogo a passar quase sempre pelos pés de Vitinha e com as linhas defensivas congolesas muito juntas, Bruno Fernandes não estava propriamente numa zona de conforto. No entanto, e apesar de não ter aparecido tanto como é habitual, conseguiu ser o jogador mais clarividente no penúltimo ou último passe, como aconteceu nas tentativas de exploração da profundidade com Pedro Neto, Nuno Mendes e mais tarde Francisco Conceição. Teve um remate de meia distância no final que passou ao lado da baliza da RD Congo e acabou por ficar a lamentar aquilo que parecia ser um golo feito num lance em que Ronaldo se antecipou para desviar um cruzamento rasteiro de Francisco Conceição da direita ao lado (68′).
- Clube: Manchester United (Inglaterra)
- Internacionalizações: 90 jogos, 29 golos
- O que fez em 2025/26: 46 jogos, 3.927 minutos, 13 golos, 24 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/ESPNFC/status/2067327928698900731
Bernardo Silva, 3. Nem por fora, nem por dentro, com um amarelo pelo meio
Sem a presença de Rúben Dias na equipa, e também por questões estratégicas, Bernardo Silva foi aposta de Roberto Martínez no lado direito do ataque, procurando muitas vezes o jogo interior para deixar que fosse João Cancelo a dar a largura nesse flanco. Com um amarelo pelo meio, naquela que foi a sua primeira falta e ainda no meio-campo dos congoleses, o agora jogador do Real Madrid não fez a diferença nem por fora, nem por dentro, acabando por sair ao intervalo de forma natural para a entrada de Francisco Conceição.
- Clube: Manchester City (Inglaterra)
- Internacionalizações: 110 jogos, 14 golos
- O que fez em 2025/26: 61 jogos, 4.423 minutos, 4 golos, 6 assistências, 16 amarelos e 1 vermelho
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2067325922202579251
Pedro Neto, 5. Uma assistência, alguns desequilíbrios e o apagar com o passar dos minutos
À semelhança do que tinha acontecido no particular com a Nigéria, Pedro Neto voltou a ser aposta pelo lado esquerdo do ataque, desmistificando a moda atual de que um ala tem sempre de jogar com o pé invertido. A entrada dificilmente poderia ter sido melhor, com o jogador do Chelsea a fazer a assistência para o golo de João Neves (6′) antes de mais um bom par de ações ofensivas que não geraram depois oportunidades, mas foi perdendo gás com o tempo e acabou por ser substituído a cerca de 20 minutos do final por Leão.
- Clube: Chelsea (Inglaterra)
- Internacionalizações: 26 jogos, 3 golos
- O que fez em 2025/26: 61 jogos, 4.265 minutos, 11 golos, 12 assistências, 8 amarelos e 1 vermelho
https://twitter.com/sporttvportugal/status/2067294605545017385
Cristiano Ronaldo, 3. Muitos foram lá por ele, ele não fez muito pelos outros
Fora de campo todos falavam nele, dentro de campo todos o queriam ver – e o efeito Ronaldo é tanto que, mesmo aos 75′, com uma exibição sofrível, o Houston Stadium continuava a entoar o seu nome. O avançado é uma figura mundial, uma lenda que ficará na história como um dos melhores de sempre e que em cada jogo consegue sempre bater um recorde, como aconteceu agora por ser o jogador de campo mais velho de sempre a participar numa fase final do Mundial. No entanto, existe uma diferença entre todo esse impacto e aquilo que é o rendimento em campo. Aí, Ronaldo não foi Ronaldo. E, além de ter feito apenas dois remates ao lado, teve o “azar” de desviar uma bola que, caso tivesse seguido, poderia dar o golo a Bruno Fernandes…
- Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
- Internacionalizações: 229 jogos, 143 golos
- O que fez em 2025/26: 46 jogos, 3.736 minutos, 35 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 1 vermelho
https://twitter.com/playmaker_PT/status/2067333014401474948
Francisco Conceição, 6. Ele bem espalhou as brasas mas a bola queimava na área
Entrado ao intervalo, Francisco Conceição teve um duelo aceso com Kayembe na direita do ataque nacional, tentou aparecer ao segundo poste nos cruzamentos mas teve como principais ações duas bolas em que foi buscar a profundidade, cruzou rasteiro mas os desvios de Ronaldo na área acabaram por sair ao lado. Não conseguiu contribuir de forma direta para golos mas melhorou, e muito, o rendimento pela direita.
- Clube: Juventus (Itália)
- Internacionalizações: 18 jogos, 4 golos
- O que fez em 2025/26: 49 jogos, 3.013 minutos, 6 golos, 6 assistências, 4 amarelos e 0 vermelhos
https://twitter.com/playmaker_PT/status/2067314108714594434
Nelson Semedo, 2. Não acrescentou na frente, fez uma falta para amarelo atrás
O lateral do Fenerbahçe foi aposta para a parte final da partida, entrando para o lado direito para Cancelo derivar para a esquerda, mas raramente conseguiu ajudar a criar desequilíbrios na frente e acabou mesmo por fazer uma falta atrás numa transição que lhe valeu um amarelo já nos derradeiros minutos.
- Clube: Fenerbahçe (Turquia)
- Internacionalizações: 51 jogos, 0 golos
- O que fez em 2025/26: 47 jogos, 3.384 minutos, 1 golo, 4 assistências, 12 amarelos e 0 vermelhos
Rafael Leão, 2. Tinha algum espaço mas acabou por perder-se com o tempo
A entrada de Rafael Leão tinha todas as condições para desequilibrar de vez o encontro, com João Cancelo a passar da direita para a esquerda mas a jogar muitas vezes por dentro e o avançado do AC Milan a ficar em várias ocasiões a jogar 1×1 com o adversário direto. No entanto, nada correu bem ao jogador que chegou a ser apontado à titularidade, que se perdeu com o tempo e não conseguiu acrescentar nada a Portugal.
- Clube: AC Milan (Itália)
- Internacionalizações: 45 jogos, 5 golos
- O que fez em 2025/26: 36 jogos, 2.144 minutos, 10 golos, 3 assistências, 5 amarelos e 1 vermelho
Gonçalo Ramos, -. Sem tempo para mexer com o jogo (ou sequer rematar à baliza)
Entrou a sete minutos dos 90, reforçando um ataque com duas unidades mais em “cunha” que pudessem fazer a diferença na frente, mas não teve nem tempo para aparecer nem oportunidades para rematar.
- Clube: PSG (França)
- Internacionalizações: 26 jogos, 10 golos
- O que fez em 2025/26: 55 jogos, 2.046 minutos, 13 golos, 3 assistências, 4 amarelos e 1 vermelho