Um grupo de condutores de elétricos em Milão foi suspenso das suas funções enquanto as autoridades investigam a atividade de um chat no WhatsApp onde alegadamente eram trocados comentários de cariz sexual com base em imagens de passageiras capturadas pelas câmaras de vigilância dos transportes, que mostravam pernas, rostos, seios e coxas de mulheres. Pelo menos um funcionário da ATM, a empresa de transportes públicos da cidade, é suspeito de ter acedido sem autorização a um sistema informático e de ter pirateado o circuito interno de videovigilância para obter imagens, revelou o The Guardian.
As suspeitas surgiram quando uma passageira reparou no telemóvel de um motorista, fora de serviço mas ainda de uniforme, que viajava sentado à sua frente num elétrico. O homem, segundo o jornal britânico, estaria a consultar um chat de grupo no WhatsApp que alegadamente continha esse tipo de imagens.
A passageira apercebeu-se de que as imagens provinham do circuito interno de videovigilância, instalado em todos os elétricos de Milão por razões de segurança, e decidiu fotografar as conversas visíveis no ecrã do telemóvel do motorista. Posteriormente, enviou-as a uma ativista, que denunciou a situação à ATM.
A empresa abriu de imediato uma investigação interna e apresentou uma queixa à polícia local, que foi depois encaminhada para o Ministério Público de Milão, segundo a Sky Tg24. “A ATM agiu prontamente e com a máxima atenção para esclarecer totalmente o episódio, verificar a utilização adequada das ferramentas da empresa, proteger os clientes e os milhares de funcionários que trabalham corretamente todos os dias ao serviço da cidade”, assegurou a empresa de transportes públicos de Milão em comunicado.
Marco Maria Donzelli, presidente da Codacons na Lombardia, organismo italiano de defesa do consumidor que apresentou queixa aos procuradores de Milão, considerou o caso “muito grave” e afirmou que, a confirmar-se, poderá envolver crimes previstos no código penal e dar origem a pedidos de indemnização por parte das vítimas.
“O respeito pela dignidade humana e a igualdade de género são valores essenciais”, afirmaram os dirigentes de vários sindicatos dos transportes num comunicado conjunto.
Entretanto, foram ordenadas buscas nas casas de outros cinco funcionários, assim como a apreensão dos seus telemóveis e outros dispositivos, não sendo ainda claro se as imagens vieram do circuito interno de videovigilância de um ou de mais elétricos, ou se foram partilhadas fora do chat de grupo, relata o The Guardian.