A defesa de Luigi Mangione vai invocar a inimputabilidade do réu no julgamento do homicídio do diretor executivo da UnitedHealthcare, marcado para 8 de setembro. A informação é avançada pela CNN, que refere que a defesa justifica o pedido por Mangione ter, alegadamente, assassinado o CEO Brian Thompson durante um episódio de “distúrbio emocional extremo”.
“[A defesa] precisa saber qual é a doença que este réu sofre e como isso desencadeou um distúrbio emocional extremo no momento e local do ocorrido”, afirmou o juiz Gregory Carro, citado pela CNN, numa audiência com os advogados e Mangione, realizada esta quarta-feira.
A defesa tem até quinta-feira para apresentar o pedido, “incluindo o nome do perito psiquiátrico” que irá avaliar Mangione, sob pena de não poder usar a invocação de inimputabilidade no julgamento.
Carro anunciou que irá levantar o sigilo dos registos relativos a uma audiência secreta realizada a 3 de junho entre o juiz, a defesa e a acusação, e ao pedido da defesa para apresentar a prova de inimputabilidade. O juiz sublinhou que “lacrou as informações relacionadas com a defesa porque seria ‘muito prejudicial’ para Mangione se os seus advogados decidissem não prosseguir com a estratégia do pedido de inimputabilidade”.
Durante a audiência, a defesa e a acusação de Mangione trocaram farpas, acusando-se mutuamente de estarem a adiar o julgamento.
“A família de Brian Thompson tem o direito absoluto de saber o porquê [do homicídio] e quem foi o responsável”, defendeu Joel Seidemann, advogado de acusação, citado pelo The Guardian, que teme que a defesa possa pedir o adiamento da data do julgamento e que admite desconhecer a “teoria do distúrbio emocional extremo”.
A advogada de Mangione, Karen Friedman Agnifilo, apelidou a acusação do pedido de adiamento de “absurda” e afirmou que Seidemann “está a argumentar sobre algo que a defesa não mencionou”.
Luigi Mangione foi acusado, em dezembro de 2024, do assassinato de Brian Thompson, CEO da multinacional de seguros de saúde UnitedHealthcare, e pode ser condenado a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Enfrenta dois tipos de acusações: quatro federais (incluindo uma por homicídio com recurso a arma de fogo e duas por perseguição), e 11 estaduais pela justiça de Nova Iorque, que incluem uma de homicídio em primeiro grau e duas de homicídio em segundo grau — uma das quais relacionada com terrorismo.
O suspeito sempre se declarou inocente, apesar da intenção de assassinar Thompson ter sido revelada numa passagem do diário de Mangione, analisada pelo tribunal.