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Estudo mostra que Neandertais cresciam de forma semelhante aos humanos modernos

Investigação analisou ossos e dentes de leite de fósseis com 50 a 75 mil anos encontrados na Alemanha. Alguns ossos longos mostram desenvolvimento localmente mais acelerado.

Agência Lusa
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O crescimento ósseo fetal dos Neandertais era semelhante ao dos humanos modernos, embora alguns ossos revelem sinais de desenvolvimento localmente mais acelerado, concluiu um estudo liderado por investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) e esta quarta-feira divulgado.

A investigação coordenada por Alvise Barbieri, do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da UAlg, analisou ossos e dentes infantis de Neandertais com entre 50 mil e 75 mil anos descobertos em Sesselfelsgrotte, na Alemanha.

A equipa analisou ossos e dentes decíduos (vulgarmente conhecidos como dentes de leite) de três indivíduos juvenis: um indivíduo perinatal e dois juvenis adicionais.

As análises foram feitas com recurso a microtomografia computorizada não invasiva (micro-CT), o que permite examinar a estrutura interna dos fósseis sem os danificar, contribuindo para uma melhor compreensão das fases mais precoces do desenvolvimento desta espécie extinta, lê-se na nota.

Segundo os investigadores, os ossos analisados “apresentam características típicas de um esqueleto imaturo em rápido crescimento, incluindo elevada vascularização e ausência de osteões secundários”, mas alguns ossos longos, como o fémur e o úmero, “apresentam zonas com maior compactação e organização estrutural”, o que poderá sugerir um desenvolvimento local mais rápido.

Os autores sublinham que, “no geral, a trajetória de crescimento observada parece amplamente comparável à dos humanos modernos nesta fase inicial da vida”.

Embora a origem dessas alterações não possa ser determinada com certeza, os autores admitem que possam estar relacionadas com episódios de stresse fisiológico precoce, associados a fatores como deficiência de vitamina D, deficiência de cálcio ou dificuldades na absorção deste mineral durante o final da gestação, ou nos primeiros anos de vida.

Além das implicações para o conhecimento da biologia dos Neandertais, o estudo demonstra o potencial das técnicas de microanatomia virtual para investigar fósseis frágeis sem recorrer a métodos destrutivos, abrindo caminho a futuras investigações sobre o desenvolvimento e a saúde das populações humanas pré-históricas, concluem os investigadores.

Os resultados, publicados na revista científica Royal Society Open Science, resultam de um trabalho desenvolvido no âmbito do projeto SHARP, financiado pela National Geographic.