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Portugal devia ser modelo para países como Alemanha e França reformarem as suas economias, defende gestora de fundos da Allianz

Países do centro da Europa como a Alemanha e França deveriam olhar para as reformas estruturais feitas por Portugal, no contexto do programa de assistência da troika, que “está agora a dar frutos”.

Edgar Caetano
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Portugal deveria ser um modelo para países como a Alemanha e França, já que os países do centro da Europa precisam de reformar as suas economias da mesma forma que Portugal fez durante o programa de assistência financeira da troika (2011-2014). A mensagem foi transmitida por um dos líderes da gestora de fundos alemã Allianz Global Investors, nesta quarta-feira, que quis “elogiar” o país pelas reformas que fez e que “estão, agora, a dar frutos”.

Questionado pelo Observador numa conferência da Allianz Global Investors (Allianz GI), em Frankfurt, Gregor Hirt, principal responsável pelo investimento multi-ativos da gestora, aplaudiu a forma como, na sua leitura, Portugal reformou a sua economia e o seu mercado de trabalho na última década, depois de pedir assistência financeira externa aos parceiros da União Europeia, ao Banco Central Europeu (BCE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

As reformas feitas em resposta à crise das dívidas soberanas fizeram com que, hoje, países como Portugal, Grécia e Itália sejam “zonas económicas mais dinâmicas do que o centro da Europa, incluindo Alemanha e França”.

Graças à crise europeia que tivemos há alguns anos, Portugal tornou-se um exemplo de um país que fez grandes reformas, flexibilizou a sua economia e o seu mercado de trabalho. E agora [o país] está a colher frutos disso”, afirmou Gregor Hirt.

O especialista acrescentou que “é disto que estamos a sentir falta em algumas economias do centro da Europa, como Alemanha e França”. “Se conseguíssemos fazer isso, ao mesmo tempo que são lançados os grandes investimentos [em defesa e infraestruturas, que foram anunciados no ano passado], isso pode dar bons frutos para a economia europeia como um todo”, afiançou o líder do investimento multi-ativos da Allianz GI.

Até que estas reformas aconteçam será mais difícil para as empresas europeias conseguirem ser mais “amadas” pelos investidores nos mercados bolsistas. Neste momento, 60% dos resultados das maiores empresas cotadas europeias são obtidos fora da Europa – e são aquelas empresas mais expostas à economia interna (europeia) que estão a ter um desempenho bolsista menos positivo, salientou Gregor Hirt.

A Allianz Global Investors é uma das mais influentes gestoras de ativos da Europa, gerindo o equivalente a cerca de 600 mil milhões de euros dos seus clientes, entre investimentos em ações, obrigações e outros ativos.

*O jornalista viajou a Frankfurt a convite da Allianz Global Investors