O ator e realizador Sean Penn está a preparar um novo filme inspirado no ataque ao Capitólio, em Washington, a 6 de janeiro de 2021. A notícia é avançada pelo site Deadline, que refere que Bradley Cooper está em negociações para assumir o papel principal.
Ainda sem título oficial, o projeto do estúdio Warner Bros não se deverá centrar diretamente nos motins que marcaram aquele dia, mas sim na história de um jovem polícia cuja trajetória pessoal e profissional acaba por culminar no centro de um dos momentos mais marcantes da história recente dos Estados Unidos.
A 6 de janeiro de 2021, quatro pessoas morreram e 52 foram detidas depois de centenas de apoiantes de Donald Trump terem invadido o Capitólio, levando à interrupção da certificação dos resultados das eleições presidenciais que decorria no Congresso. Nesse dia, 14 agentes da polícia ficaram feridos. Segundo a publicação norte-americana, a narrativa baseia-se precisamente na experiência de um dos agentes envolvidos nos acontecimentos, contando inclusivamente com o apoio do próprio. A sua identidade, contudo, permanece confidencial.
Sean Penn assina tanto o argumento como a realização da longa-metragem e Bradley Cooper, nomeado cinco vezes para os Óscares, é o nome apontado para interpretar a personagem principal, embora o acordo ainda não esteja concluído. As filmagens deverão arrancar apenas em meados de 2027, devido aos compromissos do ator com o próximo capítulo da saga Oceans.
Fontes citadas pelo Deadline indicam que o filme pretende explorar os primeiros anos de vida do protagonista e o percurso que o transformou, mais tarde, numa figura vista por muitos como um herói nacional. Apesar de o ataque ao Capitólio constituir um elemento central da história, a produção não é descrita como um “filme sobre o dia 6 de janeiro”, mas antes como o retrato humano de um agente cuja vida foi profundamente marcada por esses acontecimentos.
Conhecido pelo seu envolvimento em causas políticas e sociais, Sean Penn acompanhou de perto as audiências da comissão especial da Câmara dos Representantes que investigou o ataque de 2021. Na altura, afirmou estar presente apenas “como cidadão interessado” em perceber se seria feita justiça. Durante as sessões, foi visto ao lado de vários agentes que defenderam o Capitólio, entre eles Michael Fanone, antigo polícia de Washington D.C.
Embora não exista confirmação de que a história de Fanone tenha servido de inspiração direta para o filme, o ex-agente tornou-se uma das figuras mais conhecidas associadas aos acontecimentos de 6 de janeiro. Após abandonar a polícia em 2021, passou a dedicar-se à análise e defesa de políticas de responsabilização das forças de segurança. Em 2022, publicou o livro Hold the Line: The Insurrection and One Cop’s Battle for America’s Soul, no qual relata a sua experiência durante o ataque ao Capitólio.
Nesse dia, Fanone respondeu a um pedido urgente de reforço das autoridades, apesar de se encontrar de folga. Depois de ser identificado pela multidão como agente policial, foi alvo de violentas agressões, tendo sido atingido com substâncias químicas, objetos contundentes e dispositivos de choque elétrico. Sofreu um traumatismo craniano, queimaduras e um ataque cardíaco, vindo posteriormente a testemunhar perante o Congresso sobre o que viveu durante o ataque. Antigo eleitor de Donald Trump, Fanone viria mais tarde a afastar-se publicamente do ex-presidente norte-americano e a repudiar o apoio que lhe havia dado.