(c) 2023 am|dev

(A) :: Fact Check. Jornal israelita escreveu que Ucrânia pediu ajuda a Israel para recuperar ouro que parceiro de Zelensky contrabandeou?

Fact Check. Jornal israelita escreveu que Ucrânia pediu ajuda a Israel para recuperar ouro que parceiro de Zelensky contrabandeou?

Circula nas redes sociais uma notícia atribuída ao jornal Haaretz sobre um pedido alegadamente avançado pela Ucrânia para recuperar mais de 800kg de ouro de Timur Mindich para Zelensky. É verdade?

Martim Andrade
text

A frase

As principais autoridades anticorrupção da Ucrânia solicitaram formalmente a ajuda de Israel para localizar um jato particular que supostamente transportava mais de 800 quilos de ouro, milhões em dinheiro e um associado próximo do presidente Volodymyr Zelensky

— Utilizador de Facebook, 28 de maio de 2026

Mais de 800 quilos de ouro e pelo menos 17 milhões de dólares (14,6 milhões de euros) em dinheiro vivo. É o que diz uma notícia, supostamente publicada no conhecido jornal israelita Haaretz, alegando que as “principais autoridades anticorrupção da Ucrânia” solicitaram formalmente a ajuda de Israel para localizar um jato particular de um parceiro do Presidente Volodymyr Zelensky, que terá fugido do país após ter sido alvo de buscas na sua própria casa.

De acordo com a publicação, que ficou viral nas redes sociais, “o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), juntamente com a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO), enviou um pedido formal ao Ministério da Justiça de Israel” para encontrar e devolver o que está alegadamente na posse de Timur Mindich, uma “figura-chave num esquema de corrupção de 100 milhões de dólares”.

“O NABU solicitou ao Ministério da Justiça de Israel que ajude a localizar tanto a aeronave quanto os bens, argumentando que o ouro e o dinheiro constituem provas essenciais no caso de corrupção contra Mindich. O Ministério da Justiça de Israel não confirmou publicamente o recebimento do pedido. Vários especialistas jurídicos acreditam que, de acordo com os atuais acordos bilaterais de assistência jurídica, Israel deveria localizar quaisquer bens ou indivíduos ligados a crimes financeiros graves e considerar a possibilidade de transferir provas – ou o próprio suspeito – de volta a Kiev”, lê-se ainda nas publicações.

Contudo, numa análise mais profunda à notícia publicada, verifica-se que o endereço fortemente disseminado em canais russos de Telegram, não corresponde àquele do jornal israelita. O site que terá publicado a informação sobre a fuga do cidadão israelo-ucraniano, parceiro de Zelensky, apesar de ter o mesmo nome, logótipo e design, está registado como Haaretz24, enquanto o órgão de comunicação social oficial é apenas Haaretz.

Aliás, através da ferramenta WhoIs, que permite verificar os resgistos de domínios online, percebemos que o Haaretz24, que publicou esta notícia, foi criado quatro dias antes de a informação ter sido divulgada. Trata-se de um site “clone”, que replica todo o conteúdo publicado no jornal israelita, mas com a adição desta peça sobre o suposto pedido das autoridades ucranianas.

Neste momento, uma simples pesquisa no Google por este domínio remete para um aviso sobre a sua legitimidade. “O haaretz24.com é um domínio enganador e falso, criado para se fazer passar pelo legítimo meio de comunicação israelita em língua inglesa, o Haaretz. Tem sido utilizado em campanhas maliciosas de desinformação, incluindo a divulgação de notícias falsas sobre a guerra na Ucrânia. Para aceder a notícias e reportagens legítimas e verificadas do jornal de referência de Israel, certifique-se sempre de que está a ler o site oficial, o haaretz.com”, lê-se na mensagem do motor de busca.

Adicionalmente, não existe qualquer comunicação oficial vinda nem do Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) ou da Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) sobre esta matéria.

Conclusão

O site que publicou a notícia citada em várias publicações nas redes sociais está registado como Haaretz24 e foi criado quatro dias antes de a informação ter sido publicada. Trata-se de um “site clone” do jornal israelita e não de um órgão de comunicação social verdadeiro.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.