A mim preocupa-me esta maneira de viver.
Estamos a viver num mundo em que tudo se decide pelo que aparenta ser, pelo que parece bem, a quem nada sabe sobre o tema e que, porque todos queremos viver em liberdade, achamos que temos o direito de decidir sobre tudo pelo que apenas ouvimos dizer e nos pareceu bem.
A democracia não é isto!
A democracia é a defesa de uma sociedade em que todos devem ter as mesmas oportunidades, em que se pode ter diferentes opiniões, em que todos devemos poder optar pelas nossas preferências, sempre e quando estas não ponham em causa a liberdade e o respeito pelos outros e pela própria sociedade.
Por isso mesmo, a democracia não pode ser conduzida pela opinião simples de cada pessoa, mas sim por quem tem conhecimento sobre as questões que necessitam ser resolvidas e que, apresentando alternativas fundamentadas e explicando as vantagens e inconvenientes, permita então a uma maioria optar pela solução que lhes pareça mais adequada.
A decisão baseada naquilo que cada um acha nunca será nem boa nem justa, nem sequer positiva para a sociedade.
E a forma de governar baseada neste conceito não é de forma alguma democrática. É populista e é destrutiva.
Não promove nem a liberdade nem o respeito, não é justa nem positiva, é apenas imediata na satisfação de um prazer falso de poder que, num mundo que vive de sensações e de imediatismo, parece ser aquilo que não é e prejudica tudo aquilo que deveria promover.
A democracia só funciona quando baseada em instituições fortes e estas só são fortes quando cuidadas por quem estuda, por quem aprende, por quem investiga e por quem assume que a sua missão é cuidar do bem comum.
Foram estas instituições que foram sendo destruídas ao longo das últimas décadas, por políticos que, para conseguirem garantir o seu lugar e a sua continuidade no poder, as foram eliminando.
Foram-nos dando a ideia de que tudo funciona sempre bem sem ser preciso trabalhar para conseguir um bom resultado.
Foram eliminando a sua capacidade de propor aquilo que não queriam fazer, fosse porque lhes dá trabalho, fosse porque são hoje incompetentes para o conseguirem fazer.
A verdade é que nos foram criando a ideia de que a democracia por si só nos traria a qualidade de vida, que sem cuidar os nossos filhos poderão ter futuro e que sem esforço e sem seriedade se pode construir um país.
Cada vez mais nos vamos dando conta de que isso não é assim.
Abrimos um jornal ou uma televisão e só ouvimos que alguém que devia ser exemplo na nossa sociedade, ou é corrupto, ou roubou, ou mentiu ou abusou.
Poucas vezes ouvimos dar exemplo de quem cumpriu o seu papel e poucas vezes o vemos acariciado e valorizado em qualquer canal da comunicação.
Por um lado, já vai havendo poucos que o façam, por outro os que continuam a cumprir não procuram o exibicionismo, mas acima de tudo não é notícia porque não vende.
A sociedade continua a encantar-se por saber o que vai mal e sem se preocupar em promover o que vai bem.
Precisamos de voltar a valorizar o mestre, a valorizar o que é sério, aquele que trabalha sem ficar rico, aquele que cuida dos outros porque acredita na sociedade e na democracia.
Temos que voltar a cuidar de nós todos em vez de tentarmos tratar de cada um de nós.
Juntos seguiremos sempre mais fortes e mais ricos como pessoas.