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Quatro anos depois, o mundo continua a ser apenas e só dele (a crónica do Argentina-Argélia)

200 internacionalizações, primeiro a jogar em seis Mundiais, 16 golos como Klose e o 3.º mais velho a marcar: Messi fez um hat-trick, Argentina bateu Argélia e o mundo não mudou em quatro anos (3-0).

Mariana Fernandes
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Quatro anos depois, começava a defesa do Campeonato do Mundo. Depois da mítica conquista no Qatar, com a vitória nas grandes penalidades frente a França no culminar de uma campanha que até começou com uma derrota chocante com a Arábia Saudita, a Argentina estava no Mundial 2026 com o objetivo claro de garantir que tudo não foi um ato isolado, um acaso ou uma sorte. E que, acima de tudo, podia ser repetido. 

E, sem qualquer tipo de desprimor a todos os outros, existia um homem que queria tudo isso mais do que todos os outros. Aos 38 anos, num Campeonato do Mundo onde todos achávamos que já não estaria e principalmente depois de concretizar no Qatar o sonho que sempre teve, Lionel Messi chegava aos EUA com a fé e a convicção de que ainda podia fazer mais história. E se ele próprio garante que está “entusiasmado como sempre e a aproveitar cada momento”, o selecionador argentino não tem dúvidas de que precisa mais do capitão agora do que precisava há quatro anos.

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“Toda a gente quer vê-lo jogar, acho que toda a gente quer vê-lo em campo. Não são só os argentinos. Ele esteve sempre aqui e sempre foi fundamental para nós. E agora ainda é mais. É uma pessoa simples, que gosta dos estágios e dos treinos, que se prepara para isso. É um animal competitivo. E isso também nos obriga a continuar a tentar, a não relaxar, a tentar estar ao lado dele, para o apoiar e ajudar”, disse Lionel Scaloni, sendo que Lionel Messi chegava esta terça-feira às 200 internacionalizações pela Argentina, para além de se tornar o primeiro jogador de sempre a participar em seis Mundiais — um recorde que Cristiano Ronaldo vai igualar nas próximas horas e contra a RD Congo.

A Argentina estreava-se no Mundial 2026 em Kansas City e contra a Argélia, no arranque de um Grupo J que também conta com Áustria e Jordânia. Lionel Scaloni surpreendia ao deixar Otamendi e Julián Álvarez no banco, mas tinha Lionel Messi e Lautaro Martínez no ataque, enquanto que também contava com o veterano Riyad Mahrez como suplente e lançava Farès Chaibi, Anis Hadj Moussa, Amine Gouiri no setor mais ofensivo. E todos queriam fazer melhor do que os respetivos adeptos, que nas horas antes do jogo se envolveram em confrontos em plena Times Square.

O jogo arrancou praticamente com dois golos anulados: Lionel Messi acertou na baliza, mas foi apanhado em fora de jogo (5′), e Farès Chaibi repetiu a façanha (8′). Pouco depois, porém, o inevitável não demorou. Rodrigo de Paul descobriu Messi e o argentino fez o que melhor sabe fazer, conduzindo e colocando o pé esquerdo na bola à entrada da grande área para não dar qualquer hipótese a Luca Zidane (17′), estreando-se a marcar no Mundial 2026 ao primeiro remate. Ao intervalo, a Argentina estava a vencer a Argélia em Kansas City.

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Os argentinos intensificaram a superioridade na segunda parte, até porque a ponta final do primeiro tempo tinha contado com alguma reação argelina. Lautaro Martínez ainda ficou perto de aumentar a vantagem com um remate rasteiro que Luca Zidane defendeu (54′), mas a estrela da noite já estava encontrada — e Messi só precisou de uma defesa incompleta de Zidane, depois de um remate de Mac Allister de fora de área, para aproveitar a recarga e bisar (60′). 

Mas não ficou por aí. Já dentro do derradeiro quarto de hora, depois de receber à entrada da grande área, Messi atirou de pé esquerdo e chegou ao hat-trick (76′), chegando aos 16 golos em Mundiais e igualando Miroslav Klose como o melhor marcador da história dos Mundiais. No fim, a Argentina venceu a Argélia de forma clara em Kansas City e confirmou a candidatura à reconquista do Campeonato do Mundo.

A estrela

  • É impossível fugir ao óbvio. No dia em que chegou às 200 internacionalizações pela Argentina, também se tornou o primeiro jogador de sempre a participar em seis Mundiais (algo que Cristiano Ronaldo vai igualar esta quarta-feira), igualou Cristiano Ronaldo com golos em cinco Mundiais e tornou-se o terceiro mais velho de sempre a marcar em Mundiais, apenas atrás de Roger Milla e Pepe, e é também o mais velho de sempre a fazer um hat-trick em Mundiais. Pelo meio, chegou aos 16 golos em Mundiais, igualando Miroslav Klose como o melhor marcador da história dos Mundiais. Lionel Messi, claro — que nos primeiros dois remates no Campeonato do Mundo acertou na baliza nas duas vezes, com um golo anulado e um golaço que abriu o marcador.

O joker

  • Abre-se uma exceção para ele porque todas as exceções têm de ser abertas para ele. Hoje, esta madrugada, Lionel Messi é a estrela, o joker e qualquer outra designação que arranjem para ele. Aos 38 anos, o argentino assinou o primeiro hat-trick do Mundial 2026 e até se deu ao luxo de ser substituído logo a seguir, quase como se já tivesse cumprido tudo aquilo a que se tinha proposto. O melhor para nós, para ele e para todos aqueles que adoram futebol é que ainda falta um mês de Campeonato do Mundo — e um mês de Lionel Messi a querer ser bicampeão mundial.

A sentença

  • Com este resultado, a Argentina confirma definitivamente a candidatura à reconquista do Campeonato do Mundo. Ao contrário do que aconteceu no Qatar, em que os argentinos arrancaram com um passo em falso e uma derrota contra a Arábia Saudita, a equipa de Lionel Scaloni deixou uma clara demonstração de força contra a Argélia e dificilmente não vai ganhar o Grupo J, garantindo desde já que tem como objetivo chegar à final de Nova Jérsia a 19 de julho.

A mentira

  • O que se passou em 2022 não foi um acaso. Lionel Scaloni continua a comandar uma das melhores equipas do mundo, entre o facto de contar sempre com um extraterrestre e a capacidade de o juntar a alguns dos jogadores mais talentosos da atualidade. A Argentina sabe jogar e joga bem — e será preciso muito mais do que a frágil Argélia para colocar à prova um grupo que quer ser bicampeão mundial.