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(A) :: É possível fazer qualquer iguaria se o sabor principal for Haaland (a crónica do Iraque-Noruega)

É possível fazer qualquer iguaria se o sabor principal for Haaland (a crónica do Iraque-Noruega)

Na partida de estreia na fase final do Mundial, a Noruega venceu o Iraque com dois golos de Haaland, um de Ostigard e outro de Thorstvedt. Pelos iraquianos marcou Ayman Hussein.

Manuel Conceição Carvalho
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A Noruega entrava neste Mundial como um dos grandes wildcards da competição. Haaland trazia consigo Odegaard e, juntos, davam alento aos noruegueses e àqueles que gostavam de ter mais uma boa equipa em competição. O jogo entre o Iraque e a Noruega serviria, por isso, de prova ao que os escandinavos seriam capazes de fazer na fase final do Campeonato do Mundo.

Afinal, a que saberia esta Noruega? Nos primeiros 10 minutos do encontro com o Iraque, a nada. O pouco a que soube começava e acabava com um sabor a Haaland, que ainda assim carecia de sal. A partir daí, o chef, o selecionador norueguês Stale Solbakken, tentava cozinhar uma partida com algo mais refinado e com intenção. O ingrediente seria Odegaard, que tentava trazer algum tempero a um jogo que se perspetivava mais intenso desde o início, tais as saudades de marcar presença num Mundial, onde os noruegueses não iam há 28 anos.

Os nórdicos não se sentavam à mesa sozinhos, mas o seu ascendente na partida era claro. O sabor a Haaland intensificou-se e, na verdade, em qualquer lado, é suficiente para fazer um prato em qualquer mesa. Aos 28′, David Wolfe foi a pitada de sal que Solbakken procurava. Depois de receber um passe de Antonio Nusa, o lateral esquerdo cruzou tenso e encontrou para Haaland, que apontou o seu primeiro golo na fase final de um Campeonato do Mundo.

Aos 38′, chegaria um dissabor para os noruegueses. Chamava-se Ayman Hussein e tornava-se no segundo jogador do Iraque a marcar num Mundial, depois de um grande cabeceamento a corresponder ao cruzamento de Amir Al-Ammari.

Mas não durou muito até que uma sobremesa antecipada caísse no prato norueguês, que ainda ia a meio da refeição. Haaland era iguaria e cliente ao mesmo tempo e não deixou os iraquianos saborearem o empate por muito tempo. Aos 42 minutos, o avançado do Manchester City aproveitou um erro na construção de jogo do Iraque e, à boca da baliza, converteu em golo um mau atraso para o guardião Jalal Hassan, que não conseguiu chegar ao esférico antes do número 9 da Noruega. Os nórdicos voltavam à vantagem e assim iriam para os balneários.

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A segunda parte chegava com uma ligeira melhoria do Iraque, que ainda assim não conseguia cortar o gosto norueguês — a gerir a vantagem mínima sem nunca perder o sentido da baliza contrária. Aursnes e Odegaard eram o gelo no ritmo de jogo que convinha às pretensões de Solbakken. Haaland continuava a ser referência na frente, o que impossibilitava os iraquianos de subir em demasia, na procura desesperada de um novo empate. Não é só o que faz dentro da área. Haaland traz também consigo o efeito psicológico e estratégico que provoca no oponente e nas decisões do técnico adversário. Com todas as atenções no avançado dos citizens, foi Leo Ostigard que agradeceu. Odegaard bateu um pontapé de canto e o defesa do Génova saltou mais alto que toda a gente e marcou o terceiro aos 78′. Aos 90+6′ ficou estabelecido o resultado final com um golo de Thorstvedt.

Para a história ficou uma Noruega que ripostou o triunfo da França sobre o Senegal e a ideia de que Haaland poderá não ser apenas um ingrediente na Noruega, mas uma das estrelas da competição.

A estrela

  • Haaland estreou-se num Mundial num plano em que já habituou os adeptos, a nível de clubes. Agora replicou o desempenho no maior palco do mundo em representação do seu país com um bis no seu dia de estreia num Campeonato do Mundo.

O joker

  • Ayman Hussein tornou-se no segundo jogador do Iraque a marcar num Mundial — na segunda edição em que os iraquianos estão presentes. O feito aconteceu depois de um grande cabeceamento a corresponder ao cruzamento de Amir Al-Ammari, aos 38′. O primeiro tinha sido Ahmed Radhi em 1986, diante da Bélgica.

A sentença

  • O jogo entre a Noruega e o Senegal, na próxima semana, pode mudar por completo as contas do grupo I. No entanto, os jogos desta terça-feira foram uma clara manifestação de intenções. A seleção francesa, com Mbappé, figura como grande favorita ao primeiro lugar, enquanto a Noruega, com Haaland, quer passar à próxima fase através do segundo, sem ter de recorrer à calculadora num possível terceiro posto. Para isso, terá de discutir o segundo lugar com os senegaleses, mas entra em campo com a confiança de já ter triunfado nesta fase final — algo de que os africanos não vão poder beneficiar.

A mentira

  • Quem esperava um jogo totalmente desequilibrado, saiu da partida com outra ideia. A Noruega mostrou mais argumentos, mas o Iraque, até ao terceiro golo da Noruega, mostrou sempre capacidade para poder vir a aproveitar uma oportunidade para dividir pontos, dando ao jogo mais interesse do que aquele que se antecipava.