Que as mãos de Vozinha na baliza são de confiança já muitos em Chaves sabiam — e agora sabem também os espanhóis e todo o mundo. O que poucos sabiam (excluindo, uma vez mais, os valentes transmontanos) é que as mãos de Vozinha dão garantias de qualidade noutro setor: a cozinha. É também entre tachos que, ao preparar uma cachupa para os colegas de equipa, Josimar Dias reflete o amor por Cabo Verde.
“O [Vozinha] não é uma pessoa de muitas brincadeiras, é uma pessoa que cria bom ambiente, mas dá sempre o respeito aos colegas. Mas aqui [em Chaves] fez algo interessante: trouxe umas panelas com cachupa para todos os colegas de equipa e praticamente todos provaram. Feita por ele. E dou-lhe os parabéns porque estava muito deliciosa. Ele também tem muito jeito para a cozinha”, confessa Nélson Lenho, diretor desportivo dos transmontanos e um dos responsáveis pela chegada, em 2024, do guarda-redes.
https://observador.pt/2026/06/16/a-influencia-de-josimar-a-alcunha-por-fazer-queixas-aos-avos-e-as-lagrimas-pela-mae-sem-visto-o-dia-em-que-vozinha-se-tornou-uma-lenda/
Mas fazer uma cachupa para tantos jogadores foi uma tarefa tanto ou mais difícil do que manter inviolável a baliza que defendeu, durante 90 minutos, contra os campeões da Europa no Mercedes-Benz Stadium. É que as panelas que tinha em casa não chegavam. “Eles não tinham panela para a quantidade que queriam fazer, porque era para um almoço de equipa. Então emprestei-lhes a panela e eles lá fizeram. [O Vozinha] ainda tentou fazer em casa, pelo que ele contou, e não conseguiu porque o fogão era muito pequenino”, conta Frederico Pinto, dono da Taska das Caldas, passagem habitual dos jogadores do GD Chaves.
Qual médio talentoso com a bola nos pés, o guarda-redes já tinha ultrapassado um obstáculo (a falta de uma panela grande), mas faltava outro: um forno adequado. Aí entrou Anabela Vassal, a quem Vozinha confia o que não confia a mais ninguém: a cadela Akyra. A mulher de 63 anos ajudou-o mais uma vez — como o faz sempre que toma conta da labradora de nove anos — e emprestou-lhe a sua cozinha.

“O Vozinha ligou-me a dizer que o fogão dele não dava, porque a panela era muito grande. Eu não estava em casa, mas deixei-lhe a casa à vontade”. Em casa alheia, o cabo-verdiano lá fez o prato típico e deixou algumas sobras para Anabela, que avalia a refeição em “cinco estrelas”, mas ainda espera que o guarda-redes a ensine a fazer cachupa.
Entre as milhares de mensagens que Vozinha recebeu depois de ter sido o melhor em campo na estreia histórica de Cabo Verde em mundiais, estava uma da mulher que está por estes dias a cuidar de Akyra. Mesmo no momento mais alto da sua carreira, o guardião mantém a preocupação com a cadela.
“A tua filha manda-te os parabéns”, escreveu, juntando uma fotografia da labradora branca. Entretanto, até já conseguiu falar com o dono da cadela. “Falei sobre o jogo. Disse-lhe que estava emocionada. Perguntei-lhe ‘porque é que choraste?’. Ele disse: ‘Porque eu queria que os meus avós estivessem presentes neste momento’”.
A imagem de um gigante (de quase 1,90m) muito reservado e que vivia só com uma cadela é repetida por dirigentes, ex-colegas e adeptos. Todos eles, tal como os antigos colegas ‘Carraça’ e Pedro Tiba, repetem que Vozinha merece “mais do que ninguém” o reconhecimento mundial.
“Olhar para aquele momento, em que normalmente um adepto de futebol só está ali a ver um jogador dentro de campo a chorar, não sabe tudo o que está por trás, e quem sabe tudo o que ele passou para chegar e para estar a passar este momento… Ele merece mais do que ninguém, merece mais do que qualquer jogador. Foi arrepiante ver aquele momento”, confessa Tiba, que partilhou balneário com o cabo-verdiano em 2024/25, no Chaves.
O enorme guarda-redes é, por estes dias, uma das figuras mais mediáticas do futebol mundial. Passou de Chaves para Atlanta, da segunda liga portuguesa para o Mundial e de cerca de 40 mil seguidores para quase nove milhões (no momento em que ler isto é provável que o número já esteja desatualizado, tal é o número de pessoas que procura saber quem é Vozinha). As pessoas que se cruzaram com ele ajudam a traçar o perfil transmontano deste craque.

O líder silencioso que se cuidou para chegar aos 40 em forma. “Notava-se a liderança só pela presença dele”
Talvez pelo forte calor que se sente na rua, as estradas de Chaves que vão dar ao Estádio Municipal Eng.º Manuel Branco Teixeira estão quase vazias. Na casa dos flavienses já se prepara a próxima temporada. O clube está na segunda divisão desde 2024, quando desceu depois de ter ficado em último lugar da Primeira Liga. O mercado de verão desse ano trouxe mudanças, incluindo a chegada de Vozinha.
Quando chegou a Trás-os-Montes, já lá estava Rui Moura — desconhecido pelo nome civil, mas inconfundível pela alcunha que já levou estampada em camisolas como a do Boavista ou do FC Porto. “Não tinha conhecimento dele”, lembra Carraça.
https://observador.pt/2026/06/15/a-esperanca-do-tamanho-do-mar-que-fez-historia-para-contar-aos-netos-e-as-vozinhas-a-cronica-do-espanha-cabo-verde/
“Mas conheci-o em Chaves, quando iniciámos essa época [2024/25]. Tive uma excelente impressão. Reparei logo que era um jogador que se cuidava imenso. Tanto é que, hoje em dia, com 40 anos, ainda continua com esta performance. Está ‘top’. Tem muito cuidado em tudo: alimentação, descanso”.
O lateral destaca um líder “silencioso”, que não precisa de gritar para se impor. “Mas quando tinha que intervir, também o fazia. Mas notava-se a liderança só pela presença dele. Era das pessoas mais importantes ali no balneário”. Carraça esteve as últimas três temporadas em Chaves, as últimas duas viveu-as ao lado de Vozinha.
O verão que levou o caboverdiano a Trás-os-Montes também fez regressar um velho conhecido à cidade. O médio Pedro Tiba pendurou as botas no final de 2024/25, depois de uma temporada à frente de Carraça e, claro está, Vozinha. Sem grandes saudades do ritmo frenético da vida de um futebolista, só tem palavras boas sobre o guarda-redes dos Tubarões Azuis.
“Eu já o conhecia, da seleção, de ouvir falar dele, também tinha jogado no Gil [Vicente], onde eu também joguei. É daí que eu o conheço. Sou amigo dele, ainda há poucos minutos falei com ele. É da minha geração e era alguém com quem eu me dava super bem no balneário e andávamos bastante tempo juntos. É uma pessoa também muito parecida comigo, muito tranquilo”, assume o antigo médio.
Se nos treinos tinham alguma rivalidade, fora dele destaca um “coração enorme” de um guarda-redes “sempre mais preocupado com a equipa do que com ele próprio”. “Não é daqueles jogadores que mete a culpa nos outros quando comete um erro.” O elogio serve também de crítica às gerações mais novas: “Cada vez se vê menos isso”.
Com um largo sorriso, Tiba diz que tinha mais sucesso contra Vozinha do que os atuais campeões europeus. “Era sempre uma competitividade muito grande, porque ele era forte a defender fora de área e eu era forte a rematar fora de área. Então fazíamos uma competição. No final do treino ele mandava-me os vídeos que o treinador de guarda-redes mandava com as defesas dele. E eu depois mandava-lhe os vídeos dos golos que marcava. Ganhei com larga distância”, relata, entre risos, e provas de “muito mais sucesso” do que os espanhóis.
Fora do relvado, o caboverdiano passava a maior parte do tempo no seu recato. Nas pausas entre os jogos ficava por casa, nas paragens para compromissos internacionais pouco descansava (já que era presença regular na convocatória dos Tubarões Azuis) e, nas férias, o destino era sempre o mesmo: Cabo Verde.

“Não troca Cabo Verde por nada e tem uma paixão enorme pelo país que representa”, acrescenta Tiba. Carraça concorda: “Estava sempre a incentivar-nos a irmos lá de férias. Eu era para ir este ano, só que meteu-se a situação do Mundial e então não ia coincidir com as férias dele, mas ficou prometido para o próximo ano”.
Nos treinos, Vozinha falava muito sobre o sonho, agora tornado realidade, de representar Cabo Verde no Mundial. Nos últimos tempos, o “orgulho” começou a dar lugar ao “nervosismo”. “Notei que ele estava mais confiante e notei que estava mais ansioso, porque sempre que se falava no Mundial, aqueles olhos brilhavam, ele estava mortinho para que chegasse o momento”.
Durante o jogo de estreia, Tiba torceu mais por Cabo Verde do que às vezes torce por Portugal. “Foi engraçado, foi uma montanha-russa”. O antigo médio esperou algum tempo depois do jogo até enviar uma mensagem ao ex-colega e amigo. “O único conselho que lhe podia dar — mas eu não sou ninguém, que nunca passei por isto — era para desfrutar o momento. E ele está a desfrutar, mas com a ambição que ele tem já está a pensar no próximo jogo”. Para já, o futuro próximo pode passar pela contratação de alguém para gerir o Instagram. “Ele estava um bocado atrapalhado com as redes sociais, porque tem milhares e milhares e milhares de mensagens”, brinca.
“Para mim é um motivo de orgulho. Depois da história de vida dele, chegar aos 40 anos e acontecer o que aconteceu, deixa-me muito orgulhoso”, acrescenta Carraça. O homem que foi seu colega até ao final da última temporada deu-lhe os parabéns e Vozinha reagiu impressionado com o número de seguidores: “Tu és um maluco, isto é uma loucura”. “Eu próprio já dava por mim a entrar na página dele e a atualizar para ver quantas pessoas o seguiam”.
Para o futuro no Mundial, Tiba e Carraça concordam que o adversário mais difícil já passou. Agora? Resta sonhar. Já sobre o próximo clube de Vozinha, discordam. Tiba, que continua a viver em Chaves apesar de já ter pendurado as botas, assume alguma tristeza pelo fim de ciclo com os transmontanos. Carraça, que procura clube depois de também ter saído do Chaves, confessa que gostaria de voltar a encontrar o guarda-redes no mesmo balneário.

“A Akyra só confio na Anabela”. A relação de confiança que nasceu num dos momentos mais duros para Vozinha
A um dia da estreia de Portugal no Mundial, já se vão vendo alguns adereços com as cores dos lusitanos nas ruas de Chaves. Bandeiras e cachecóis pintam de verde e vermelho algumas ruas. Mas, até há pouco, os flavienses eram mais caboverdianos do que portugueses. O caso mais notório é o de Anabela, muito acarinhada pelos jogadores transmontanos.
A cuidadora de Akyra, cadela de Vozinha, viu o encontro contra Espanha com “muitos nervos”. Ao intervalo estava “feliz” porque o guarda-redes “ainda não tinha sofrido nenhum golo”. Quando o árbitro terminou o encontro “foi uma alegria”. Do outro lado do Oceano Atlântico, Anabela estava confiante.
Presença regular nas bancadas do Estádio Municipal Eng.º Manuel Branco Teixeira, conheceu o guarda-redes quando ele chegou a Chaves. “Logo no início, quando ele veio, faleceu-lhe a avó, com quem ele foi criado. Ele telefonou-me de manhã a perguntar se eu sabia de alguém que ficasse com a cadelinha para ele ir ao funeral da avó. Eu disse-lhe que ficava. A partir daí ficou sempre comigo e foi sempre uma amizade muito grande”.
O apoio nesse momento difícil — Vozinha era muito ligado aos avós — juntou os dois. Desde então, os contactos passaram a ser recorrentes. Sempre que precisa, o caboverdiano telefona a ‘Belusca’, como carinhosamente lhe chama, para ficar com Akyra, seja porque vai “ter com um amigo ao Porto” ou porque vai ao seu país natal. Anabela, que chegou a conhecer pai, mãe e irmã do guarda-redes, lembra-se de ouvi-lo falar bastante dos familiares.
“Ele não é uma pessoa de ir a festas. Pode ir ver um concerto ou assim, mas não é de andar em noites. É muito reservado, mas dá-se bem com toda a gente, ele é muito sociável com as pessoas”. Desde que tem Akyra, há cerca de nove anos, Vozinha já passou por Chipre e Eslováquia, mas levou sempre a cadela.
Quem se cruza com ele nas ruas de Chaves destaca que costuma andar sempre com o animal de estimação, como também reconhece Carraça. “A cadela é como um filho para ele. É muito apegado à cadela, tem uma relação extraordinária com ela. É muito carinhoso com ela. Tinha sempre a rotina de fazer uma sesta e depois acordar e passear a Akyra”.
Tiba, que também tem um cão, aproveita a boa vontade de Anabela. “A Akyra e o cão do Tiba ficam comigo. Mas eles dão-se os dois bem”. Enquanto fala, a labradora descansa deitada no chão depois de um longo dia a brincar “com a bola”. “É muito sossegadinha, como se vê, pode ficar um bebé em cima dela que ela não faz nada”, aponta.
Anabela antecipa com tristeza a saída de Vozinha de Chaves. No entanto, sabe que a relação vai durar. “A nossa amizade nunca mais vai acabar.” Mesmo que saia definitivamente de Trás-os-Montes, o guarda-redes ainda tem que regressar a Portugal para levar com ele Akyra.
“Eu gostava que ficasse, para estar ao pé de mim. Ele dizia-me ‘para onde eu for, tu vais comigo'”. Mas Anabela, com netos para cuidar, não tem intenção de fazer as malas, apesar de saber que Vozinha não quer entregar Akyra a outras pessoas. “Há tempos esteve aqui um [amigo] caboverdiano e ele disse-lhe: ‘Confio tudo em ti, mas a Akyra não, só confio na Anabela”.
“Sempre foi alucinado pelo Vozinha, uma loucura”. Antes dos milhões de seguidores, os adeptos do Chaves
A febre dos cromos da caderneta do Mundial atinge, este ano mais do que em outros, os adeptos caboverdianos. Além deles, há os habituais colecionadores que torcem por conseguir o cromo de um ídolo. É o caso do pequeno Tiago, de seis anos. Mas desengane-se quem acha que o jovem flaviense procura incessantemente por abrir uma saqueta e ver a cara de Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi.
“Ele é fanático pelo Vozinha”, começa por contar Sandra Malta, tia do jovem. “Toda a gente chora pelo cromo do Ronaldo ou do Messi, ele não, ele chorou pelo Vozinha”. Atrás do balcão da loja do Chaves, mostra o vídeo (também enviado para Vozinha) de Tiago lavado em lágrimas a mostrar a figura com a cara do guarda-redes.
Se agora Vozinha tem tantos seguidores como os melhores do mundo no futebol, há poucos dias Tiago podia orgulhar-se de ser um dos poucos aficionados do atleta. “Sempre foi alucinado pelo Vozinha, uma loucura”. O vício sempre foi alimentado pela família.

“Mandávamos vídeos para o Vozinha”. Um dos últimos foi trocado no início deste mês, no dia do 40.º aniversário do caboverdiano. Sandra enviou um vídeo de Tiago a dar os parabéns ao guarda-redes e Vozinha respondeu com uma mensagem de voz a agradecer.
Dentro da loja quase vazia do Chaves, onde já não é possível comprar camisolas de guarda-redes, reconhece o guardião como “espetacular”, “humilde”, “muito simpático” e de “coração bom”. Ao contrário do que acontece com muitos jogadores, Vozinha será recordado. “Há jogadores que passam e nem marcam, porque o clube mantém-se e os jogadores vão passando. Mas o Vozinha é um daqueles que vai marcar o clube, especialmente agora”.
Tal como Tiago, também Ricardo Rodrigues é adepto dos transmontanos. Se este ano não conseguiu ir a tantos jogos como desejaria, isso não afasta o orgulho que agora sente pela incrível façanha de Vozinha.
“Uma exibição típica dele, muito serena. Teve a felicidade de engatar contra uma seleção do poderio da Espanha e foi com grande satisfação que vimos essa exibição. É motivo de grande satisfação e estão ligados ao clube, é um mediatismo muito grande e, quando é positivo, é sempre bom”, diz o flaviense de 39 anos que já passou pelos relvados, como treinador de guarda-redes.
Enquanto se dirige à Taska das Caldas, assume alguma tristeza pela saída de Vozinha do Chaves. Dentro do restaurante muito frequentado pelos colegas de equipa do guarda-redes, o dono Frederico Pinto, atarefado, diz que, ao contrário da maioria dos companheiros de clube, e talvez por cozinhar bem, Vozinha frequentava pouco aquele espaço.
“Vinha buscar comida de vez em quando”. E, claro, passava pela rua “a passear a cadela”, como sempre.




Com “contrato a acabar”, Vozinha sairá do clube. Apesar disso, direção demonstra orgulho
As bancadas estão vazias. No GD Chaves já se prepara a próxima temporada, depois de dois anos a terminar a segunda liga a meio da tabela. Entre telefonemas com agentes e reuniões, Eduardo Fentanes, diretor do futebol, e Nélson Lenho, diretor desportivo, explicam a saída de Vozinha.
“São ciclos. Os ciclos nas carreiras dos profissionais cumprem-se. A carreira de futebolista é uma carreira difícil e ter este reconhecimento nesta altura da sua carreira é uma história fantástica e dá-nos muito orgulho. Ele tinha um contrato a acabar, depois de dois anos [em Chaves]. Estamos a meio de uma renovação [de plantel]. Ele também já tinha esta vontade de mudar de ares. Foi algo muito natural”, resume o mexicano Eduardo Fentanes, há pouco tempo no clube.
Apesar de ter terminado a ligação com o Chaves, o clube ainda deverá beneficiar do prémio dado pela FIFA aos atletas convocados. Em 2022, como dá conta o jornal A Bola, cada clube recebeu cerca de oito mil euros por cada dia do jogador no Mundial, valor que deve aumentar nesta edição. Por esse motivo, garante uma fonte anónima do clube ao Observador, Vozinha deu mais a ganhar aos transmontanos do que recebia no clube como salário. A mesma fonte atira que o caboverdiano não recebeu uma proposta para renovar condizente com o seu nível.
Nélson Lenho, um dos responsáveis pela chegada de Vozinha ao clube, prefere destacar o orgulho sentido pelas conquistas do guarda-redes. “Se existe profissional que merece, é ele. Pela história de vida e pela dificuldade que enfrentou ao longo da carreira. Trabalhou muito para isso. Todas as lágrimas que ele ontem mostrou ao mundo são verdadeiras, são mesmo sentidas, não são lágrimas forçadas para as câmaras, aquilo que vocês viram do Vozinha é o Vozinha no dia a dia, é tudo falado com emoção e nós estamos muito orgulhosos que ele se tenha estreado da forma que estreou”.
Com sotaque castelhano, Eduardo ressalva o profissionalismo do caboverdiano, que, mesmo quando as coisas correram menos bem esta temporada, nunca perdeu o profissionalismo. “Esta época não foi fácil, houve rotação na posição. Apesar de não ter conseguido a melhor época cá, deu a volta por cima e chegou ao Mundial e fez esta exibição. Foi extremamente profissional, tive a oportunidade de dizer-lhe isso pessoalmente, precisamente quando deixou de ser titular. Ser suplente como guarda-redes é difícil, é diferente de outras posições”.
https://observador.pt/especiais/eles-sao-os-campeoes-da-europa-mas-nos-somos-os-campeoes-da-cachupa-a-estreia-de-cabo-verde-o-pais-que-grita-por-vozinha-para-ter-voz/