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Brasil. Testemunha viu homem tirar câmara do corpo da jovem que morreu em salto de ponte. Instrutores não sabem quem devia prender corda

Testemunha viu funcionário remover câmara da vítima. Os três instrutores detidos não conseguem explicar quem devia prender a corda ao arnês da jovem de 21 anos.

Marina Ferreira
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É um dos desenvolvimentos mais recentes do caso da jovem de 21 anos que morreu em Limeira, no interior de São Paulo, Brasil, após ter sido lançada de uma ponte sem a corda que a iria segurar no salto de “rope jump” em que participava. Uma das testemunhas no local do incidente que aconteceu no passado sábado, 13 de junho, relatou às autoridades ter visto um funcionário da empresa responsável pela modalidade radical a retirar a câmara GoPro que a vítima tinha presa ao corpo, já depois de a mulher ter caído desamparada de uma altura de 40 metros.

Rafael Goulart, que fazia parte de um grupo de 80 pessoas, e que iria também saltar naquele dia da Ponte do Esqueleto, disse à CNN Brasil que, além de ter presenciado o momento da queda da mulher, viu, depois, um funcionário a dirigir-se até ao corpo da jovem para retirar o equipamento de gravação que ela usava quando foi atirada.

“A gente olhava lá pra baixo, estava o corpo da menina que foi assassinada por eles. E eles preocupados em tirar a câmara do pescoço dela e da mão dela. […] Não sei se é pra esconder provas, ou se é porque o equipamento é caro. Independente de qualquer coisa, não tinha que mexer”, contou o homem.

As imagens que podem ter sido captadas pela câmara — cujo paradeiro não é conhecido — são consideradas pelas autoridades brasileiras determinantes para apurar o contexto do desfecho fatal do salto em queda livre.

Instrutores que lançaram a jovem não sabem dizer quem tinha a responsabilidade de colocar a corda

Num dos vários vídeos nas redes sociais que mostram o momento da tragédia no município brasileiro de Limeira, três homens são vistos a erguer na posição de “avião” a jovem que acabou por morrer. Agarravam-na pelas pernas e braços abertos em cima da plataforma. A jovem estava de capacete e envergava um arnês, ao qual ninguém prendeu a corda que a protegeria da queda.

Os três instrutores foram detidos no dia do incidente na Ponte do Esqueleto, em São Paulo, sendo que dois deles ainda terão tentado fugir, mas foram rapidamente localizados pelas autoridades brasileiras. Alegaram depois que não estavam em fuga, mas apenas a sair do local.

Entretanto, prestaram depoimentos tornados públicos em que, um a um, não conseguiram determinar quem tinha a responsabilidade de colocar a corda à pessoa que realizava o salto, ou quem tinha a tarefa de realizar a verificação de segurança da mesma, um passo comum na prática de desportos radicais como aquele.

https://twitter.com/g1/status/2066901339439792236

“A gente não entende como é possível, é visível no peito, então é difícil entender como não viu“, refere um dos instrutores às autoridades. “Eu simplesmente não consigo entender”, acrescentou. Outro instrutor testemunhou não se lembrar do momento que antecedeu o lançamento da jovem e garantiu que alternava com o colega as duas responsabilidades: a de colocar a corda e de verificar que esta estava colocada — nenhuma delas teve lugar.

O terceiro homem detido, diz ter sido “chamado para ajudar a levantar” a rapariga e garantiu que não era responsável nesse momento por assegurar que a corda estava colocada, nem de a colocar — estava noutro local a equipar as pessoas que iriam saltar a seguir.

Os três homens foram entretanto transferidos para um centro de detenção provisória diferente daquele em que foram mantidos sob custódia inicialmente. O advogado dos instrutores diz que a transferência foi necessária para preservar a integridade física dos três. A informação não foi confirmada oficialmente pela Secretaria de Administração Penitenciária, que alega que a mudança se justifica por “questões administrativas”, cita o G1, portal de notícias da Globo.

“Não vi um procedimento de dupla checagem”, relata homem que saltou com os mesmos instrutores

São, entretanto, vários os testemunhos de ex-praticantes da modalidade desportiva radical através da empresa brasileira responsável pelo acidente e que apontam para a escassez de medidas de segurança. Rodrigo Ratochinski, de 28 anos, relatou à BBC Brasil o choque com que recebeu a notícia da morte da jovem durante o salto de ‘rope jump’ que tinha ele próprio realizado há um mês com o mesmo grupo de instrutores.

Pagou 180 reais (cerca de 30 euros) pelo salto e estima que no mesmo dia em que saltou pelo menos outras 40 pessoas tenham saltado, só na parte da manhã. Diz não ter assinado nenhum termo de responsabilidade, nem recebido alerta sobre os riscos da prática desportiva.

“Quando colocaram o equipamento em mim, parecia de qualidade, na minha visão. Senti uma segurança a partir desse momento”, afirmou, mas diz que por medo decidiu ele próprio verificar o equipamento de segurança. “No momento do salto é quando a gente fica com mais medo, mais adrenalina. Eu estava muito inseguro, então fiz a dupla checagem com as outras pessoas — vi se o cinto e a corda estavam bem presos. Me deu muito medo, mas, ao mesmo tempo, a equipa me passou segurança na hora”, relatou ainda.

O homem de 28 anos diz que o que mais estranhou foi o ritmo em que os saltos se sucediam, com intervalos muito curtos. “Eram muitas pessoas a saltar ali. Provavelmente eles já estavam fazendo isso o dia inteiro. Eu não vi um procedimento de dupla checagem, que seria importante nesse momento”, nota ainda.