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"Sempre fomos amigos": Meloni e Trump trocam palavras na cimeira do G7 depois de desentendimento público

Os dois líderes tinham-se desentendido após Meloni ter repreendido Trump por criticar o Papa Leão XIV pela condenação à guerra. Trump ironizou que foi "abandonado". Meloni negou: "Não, não foi".

Agência Lusa
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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, tiveram uma reunião de “esclarecimento” à margem do jantar de líderes da cimeira do G7, na segunda-feira na localidade francesa de Évian, noticiou a agência ANSA.

Os dois líderes tinham-se desentendido publicamente após Meloni ter repreendido Trump por criticar o Papa Leão XIV pela sua condenação à guerra com o Irão, e também pela não participação da Itália no conflito.

Segundo fontes citadas pela ANSA, Meloni e Trump tiveram uma “troca de ideias útil”, que permitiu “esclarecer as coisas”, e durante a cimeira de Évian haverá outras oportunidades de diálogo entre os dois líderes.

A primeira-ministra italiana reiterou o princípio de que a unidade ocidental é “absolutamente necessária neste momento de grande crise internacional”, adiantaram as mesmas fontes, dando conta da concordância de Trump.

Nos últimos meses, “Meloni tinha esclarecido algumas declarações públicas do Presidente Trump”, e “ambas as partes deixaram claro o quão importante é o conceito de unidade, no qual a primeira-ministra italiana “sempre insiste e realmente acredita”.

Na terça-feira, antes do início do almoço de trabalho na cimeira, Meloni trocou algumas palavras com Trump. Imagens cedidas pelo Palazzo Chigi mostram a primeira-ministra a aproximar-se do Presidente norte-americano, que já conversava com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Friedrich Merz.

Os três foram depois acompanhados pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, que gracejou sobre a amizade entre a primeira-ministra italiana e Trump, numa conversa relatada pela ANSA.

“Sempre fomos amigos”, exclamou Meloni. Sorrindo, o Presidente norte-americano ironizou que foi “abandonado”, o que Meloni negou, também sorrindo — “Não, não foi”.

Merz também esteve presente no momento de confraternização.

Meloni, cujo partido Irmãos de Itália junta figuras da direita radical e conservadora, foi a única líder europeia convidada para a tomada de posse de Trump no ano passado.

Após o desencadear da guerra com o Irão, em 28 de fevereiro com os ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica, Trump acusou a Itália de falta de apoio e disse que Meloni, a quem inicialmente chamava “linda”, tinha mudado.

A posição do governo italiano incluiu a recusa da permissão às Forças Armadas norte-americanas para utilizarem uma base aérea na Sicília nas operações militares contra o Irão.

Meloni também irritou Trump ao defender o Papa Leão XIV, criticado por Trump por ser “fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”, em resposta às posições do pontífice contra a guerra.

Meloni disse recentemente que teve a “coragem” de expressar a sua opinião a Trump sobre o Irão e o Papa e que não se deixou abalar pela sua reação e pela rutura que se seguiu.

“Não me senti ofendida pelas palavras de Trump. Acho que a coragem é dizer o que se pensa, mesmo quando se discorda”, disse Meloni.

“Claramente não significa questionar a nossa relação histórica com os Estados Unidos. Os amigos estendem a mão, inclusive, e talvez principalmente, quando dizem que discordam”, disse Meloni.