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(A) :: A lição de um campeão europeu ao campeão nacional: Sporting goleia Benfica e empata final da Liga

A lição de um campeão europeu ao campeão nacional: Sporting goleia Benfica e empata final da Liga

Arthur ainda adiantou Benfica mas foi o Sporting a dominar por completo o jogo 2, com o resultado mais expressivo em oito dérbis esta época a igualar a final depois do triunfo encarnado na Luz (8-2).

Bruno Roseiro
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Ao sétimo duelo direto, ainda havia algo por “inventar”. O primeiro dérbi da final da Liga de futsal, realizado no Pavilhão da Luz pelo primeiro lugar do Benfica na fase regular da prova, foi aquele que teve mais trabalho tático dos dois treinadores para procurar o efeito surpresa no adversário mas, de forma quase paradoxal, o que teve menos golos na presente temporada. Imperou a capacidade individual no 1×1, imperou a falta de eficácia do Sporting nos dez minutos finais em desvantagem, imperou o golo a mais dos encarnados no final da partida, com as águias a repetirem o trajeto da última época e a partirem na frente na decisão. Agora, os leões ficavam com margem de erro diminuta, com o jogo 2 a poder trazer um cenário de nova igualdade entre as equipas ou um passo de gigante dos encarnados para conseguirem reconquistar o título.

“Há muito pouco tempo para trabalhar. O que analisámos do resultado menos bem conseguido foi mesmo a competência na finalização e a falta de frieza para finalizar. Há que aproveitar as vantagens numéricas que tivermos durante o jogo, há que olhar o que fizemos bem no jogo. O Benfica vai entrar determinado, aguerrido, motivado pela vitória que teve. Para quem ganha a fase regular, é muito importante o primeiro jogo, para quem fica em segundo lugar é muito importante o segundo jogo. Uma nova derrota torna tudo mais difícil, não podemos esconder. Estamos cientes da importância do jogo, estamos cientes de que temos de vencer o jogo e assumimos essa responsabilidade porque estamos mais do que habituados a jogos competitivos e decisivos”, apontara João Matos, capitão do Sporting que ampliou ainda mais um currículo sem paralelo no futsal nacional com a conquista da terceira Champions antes do anunciado final de carreira.

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“No jogo 1 fomos uma equipa que jogou 40 minutos a acreditar muito em tudo o que tínhamos pensado. Mostrámos um carácter muito grande, aproveitando também a energia das bancadas. Essa unificação foi primordial para conseguirmos o resultado. Agora queremos melhorar alguns pontos, conseguir ser mais consistentes com a bola, na própria bola parada, conseguirmos ter êxito no guarda-redes subido. É um jogo muito dinâmico e esperamos conseguir aprender e fazer melhor. Só há uma forma de ficar no topo: aprender e crescer, aprender e crescer. Neste jogo vamos ter vários desafios pela frente. O mais importante é ter carácter como equipa, saber que vamos entrar e que vamos disputar todos os lances no limite”, frisara Cassiano Klein, técnico brasileiro do Benfica que voltou a apelar à presença dos adeptos no João Rocha.

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Era neste contexto que chegava o oitavo dérbi da temporada, um número mais “atípico” tendo em conta esse inédito cruzamento entre os velhos rivais também nas competições europeias, e com vantagem para a equipa encarnada, que levava quatro triunfos contra apenas dois dos leões, na Supertaça e na decisiva segunda mão dos quartos da Champions que terminou com o terceiro título internacional. Agora, voltou a cair para os leões e logo com um dos resultados mais desnivelados da época que igualou a final da Liga a um.

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Depois de um episódio que foi por si só uma derrota para todos os presentes, com a bancada onde estavam os adeptos do Benfica a não respeitar o minuto de silêncio que estava a ser cumprido em memória de Jaque Indi, um jovem jogador do Póvoa de Santo Adrião Atlético Clube que morreu no fim de semana num acidente de viação que fez ainda mais dois feridos graves, o encontro começou a todo o gás com o Sporting a esgotar logo no minuto inicial o seu pedido de VAR sem sucesso num lance em que um remate de Pauleta bateu no braço do Afonso na área antes de uma grande defesa de Léo Gugiel a remate de Zicky Té e uma oportunidade com carreira de tiro aberta de Tomás Paçó que saiu por cima. Apesar desse aparente ascendente, seria o Benfica a inaugurar o marcador de livre direto após falta de Wesley sobre Higor num grande trabalho do pivô dos encarnados, com Arthur a bater direto e a surpreender Bernardo Paçó (5′). O dérbi ganhava ainda mais interesse.

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A reação que o Sporting teve à desvantagem acabou por ser determinante para o resto da primeira parte. À cabeça, porque o Benfica esteve pouco tempo na frente e não conseguiu propriamente jogar com o resultado depois do empate num lance em que Bruno Pinto ficou isolado depois da tentativa de 2×1 de Afonso Jesus sobre o Tomás Paçó que permitiu que o goleador verde e branco fizesse o 1-1 apesar de uma primeira defesa de Léo Gugiel (8′). Mais tarde, o mesmo Bruno Pinto conseguiu bisar, aproveitando uma carambola na área após defesa para a frente de Léo Gugiel a remate de Felipe Valério (16′). Pauleta ainda desperdiçou três situações de 1×0 com muito mérito para o guarda-redes encarnado, Alex Merlim acertou no poste no último minuto e o intervalo chegou com uma vantagem mínima que não expressava o domínio leonino.

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Cassiano Klein tinha várias correções a fazer. O Benfica estava a atacar pior do que é normal e, sobretudo, estava a defender de forma muito mais errática, num dado a que não era alheia a ausência de André Coelho. No entanto, a reentrada no jogo seria ainda pior: numa subida de Bernardo Paçó a fazer 5×4, o guarda-redes assistiu Zicky Té para um golo fantástico para o 3-1 e, no mesmo minuto, Tomás Paçó encostou ao segundo poste uma assistência de Wesley para o 4-1 (22′). O dérbi não estava decidido por completo mas pouco faltava, tendo em conta que as melhores oportunidades, como uma bola no poste de Zicky Té (25′), iam pertencendo aos leões, que contaram também com Bernardo Paçó a brilhar na baliza. Assim, e de forma quase natural, foi o Sporting a aumentar o avanço no marcador, com Pauleta a conseguir finalmente marcar numa insistência na área (30′) e Wesley a fazer o 6-1 após um erro na saída de Arthur (32′).

Cassiano Klein parou de imediato a partida, percebendo que o descontrolo emocional dos encarnados só podia ter travado com uma pausa técnica para recolocar o foco no jogo. Logo de seguida, aproveitando uma recarga na área, os encarnados ainda reduziram (33′) mas nem isso serviu de estímulo suficiente para trazer uma nova versão da equipa, com Alex Merlim a marcar logo de seguida de livre direto e a fechar por completo a decisão do encontro (34′) e Diogo Santos a fazer o 8-2 depois de levar com a bola num remate de Bernardo Paçó e desviá-la para a baliza do Benfica (35′). A história estava escrita, naquilo que foi uma autêntica lição de um campeão europeu ao campeão nacional que conseguiu reabrir por completo a decisão da Liga.

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