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(A) :: Marinha admite "falha interna" na notificação de testemunhas mas nega desrespeito ao tribunal que multou almirante em 816 euros

Marinha admite "falha interna" na notificação de testemunhas mas nega desrespeito ao tribunal que multou almirante em 816 euros

O julgamento de três militares acusados de violar segredo de Estado voltou a ser adiado. Defesa quer que a multa seja paga pelo próprio almirante — e as testemunhas detidas.

Agência Lusa
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A Marinha assumiu esta terça-feira uma “falha interna” na notificação de dois militares que recusaram embarcar no navio Mondego e iriam a julgamento na quarta-feira, mas negou qualquer atitude de desrespeito para com o tribunal.

Em causa está o facto de o tribunal de Lisboa ter considerado esta terça-feira que o chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) comprometeu os trabalhos do julgamento de três militares acusados de violação de segredo de Estado, condenando o almirante Nobre de Sousa a uma multa de 816 euros.

Em resposta a perguntas enviadas pela agência Lusa, o ramo adiantou que “da averiguação interna preliminar efetuada, confirma-se uma falha interna no procedimento de notificação dos militares”.

“Essa falha é inteiramente assumida pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, enquanto Comandante da Marinha, mas não configura qualquer desrespeito relativamente ao Tribunal”, lê-se na resposta.

De acordo com o despacho a que a Lusa teve esta terça-feira acesso, a segunda sessão de julgamento que estava agendada para quarta-feira foi adiada sem indicação de nova data, uma vez que o Chefe do Estado-Maior da Armada não notificou em tempo útil os dois militares convocados como testemunhas e o tribunal não foi avisado atempadamente de que existiam obstáculos à sua comparência.

“Verifica-se, pois, que não estão tais testemunhas, uma vez mais, notificadas e que não comparecerão neste tribunal”, lê-se no documento.

Esta conduta da Marinha, considerou o Tribunal Central Criminal de Lisboa, onde decorre o julgamento, “compromete gravemente o regular funcionamento do serviço deste tribunal, afeta de forma intensa a imagem de eficácia, prontidão e rigor que o cidadão espera de ambas as instituições” — tribunal e Forças Armadas.

Além disso, “configura uma tentativa de comprometimento do dever de acatamento das ordens judiciais e da autoridade dos tribunais”, lê-se no despacho, que acrescenta que se trata de “uma censurável e injustificada omissão do dever de colaboração com o tribunal e um entorpecimento igualmente intolerável da ação da justiça”.

Do lado da defesa dos três militares da Marinha, os advogados Paulo Graça e António Garcia Pereira adiantaram à Lusa que vão pedir para que a sanção seja paga pelo próprio Chefe da Marinha, e não pela Marinha, e vão requerer “a detenção das duas testemunhas para serem conduzidas sob detenção a juiz na nova data que vier a ser designada”.

Esta é já a segunda alteração da segunda sessão, que chegou a estar marcada inicialmente para o dia 6 de maio e foi adiada porque uma das testemunhas se encontrava em missão e, já na altura, o Tribunal de Lisboa apontou para a falta de colaboração da Marinha.

A 11 de março de 2023, o NRP Mondego falhou uma missão de acompanhamento de um navio russo a norte da ilha de Porto Santo, na Madeira, após quatro sargentos e nove praças se terem recusado a embarcar, alegando razões de segurança.

O episódio deu origem a dois processos judiciais: um que envolve três militares por violação de segredo de Estado, cujo julgamento já começou, e outro que envolve os 13 militares por insubordinação e que está ainda em fase de instrução.

Foram também instaurados processos disciplinares, recentemente reabertos pelo ramo depois de o Supremo Tribunal Administrativo ter considerado ilícitas as sanções aplicadas.

*Notícia atualizada às 23h45 com a reação da Marinha