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(A) :: Futebol e casas portuguesas para quem pode (os americanos)

Futebol e casas portuguesas para quem pode (os americanos)

Se nada mudar no nosso discurso público, então nem quando o Mundial de Futebol de 2030 for em Portugal os portugueses vão ter dinheiro para pagar os bilhetes.

Pedro Caetano
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A escassa presença de adeptos estrangeiros nos estádios deste Mundial de Futebol de 2026, comparada com outros mundiais — ao contrário da narrativa difundida pela imprensa em Portugal —, não se deve a uma alegada “complexidade xenofóbica na obtenção de vistos”. A realidade dita o oposto: para um português, obter o visto ESTA e entrar nos EUA continua a ser um processo muitíssimo mais simples e célere do que o desespero de horas que um americano enfrenta nas filas dos passaportes no Aeroporto de Lisboa.

A verdadeira razão é económica e embaraçosa para Portugal. Ao fixar os preços dos bilhetes em milhares de dólares por partida, a FIFA ajustou a sua tabela ao poder de compra norte-americano, inviabilizando o torneio para a maioria das famílias estrangeiras, incluindo europeias e portuguesas. Deslocar uma família de quatro pessoas para assistir a uns meros 90 minutos de futebol pode facilmente custar entre 5 mil a 30 mil euros só em bilhetes, sem contar com viagens e hotéis a preços também americanos.

Portanto, se as bancadas do Mundial estão cheias de americanos (ou imigrantes residentes legais de todas as nacionalidades do mundo que singraram nos EUA), é porque a América domina o mundo, enriquecendo os seus cidadãos e residentes legais numa engrenagem de prosperidade que, infelizmente, continua por explicar e por replicar no panorama português. Na imprensa portuguesa, a dependência do Estado é quem mais ordena.

Esta disparidade é apenas mais um dos inúmeros comprovativos não relatados em Portugal que expõem o abismo entre dois modelos socioeconómicos. Enquanto o Portugal social-democrata (ou socialista) mal consegue caminhar sob o peso de uma enorme carga fiscal em cima da classe média, a sociedade capitalista americana colhe os frutos de uma economia onde, em média, os salários brutos são quase o triplo dos portugueses e os impostos são metade. Assim, na prática, o cidadão comum nos EUA dispõe de um rendimento líquido seis vezes superior ao do seu homólogo português.

A pujança financeira do americano médio é ainda mais alavancada por uma cultura de investimento em vez de lamento. Longe de dependerem apenas do salário ou de subsídios do Estado, a maioria dos adultos norte-americanos investe e rentabiliza o seu capital na bolsa através de fundos de reforma e saúde, entre outras contas. O dinamismo do mercado é tal que, na recente oferta pública inicial (IPO) da SpaceX — em que as ações dispararam de 135 para 175 dólares numa única manhã de sexta-feira (12 de Junho) —, milhões de investidores individuais americanos tiveram 30% de lucro imediato, mais do que muitos PPRs portugueses renderam numa década. Quem tivesse esperado até ao dia seguinte do mercado abrir (segunda-feira 15 de Junho) para vender as ações que comprou na IPO teria ganho 43% de lucro, e sabe-se lá que mais lucro pode ter quem mantiver a SpaceX por anos.

Nós avisámos no nosso último artigo do Observador, antes da IPO, que esta oportunidade de lucrar facilmente juntamente com Musk ia acontecer. Infelizmente, os portugueses, em vez de terem acesso a residentes americanos bem informados, são sujeitados, nas televisões e jornais nacionais impressos, sobretudo a maldizentes antiamericanos e anti-direita muito mal informados sobre os EUA.

Foi, portanto, tal como na ida ao mundial, uma oportunidade perdida por muitos portugueses que permanecem remediados porque anestesiados a ler e ouvirem muitos outros a dizerem que Musk é “muito perigoso” por ter tanto poder, apesar de este inovar e criar oportunidades de riqueza para todos aqueles que as souberem aproveitar. Quase ninguém explica aos portugueses que, se calhar, mais perigosos — se nunca questionados nem refreados — podem ser os omnipresentes Estados que tendem para o socialismo, como o português, que confiscam muito para pouco servirem. Por exemplo, em Portugal já se cobra um IMT muitíssimo maior do que na América sobre a aquisição de casa. Agora, ainda falam na UE em aumentar tambem ainda mais o IMI. Quem para este sorvedouro infindável e inexplicável vindo dos nossos politicos europeus e portugueses todos iguais e todos a irem pela esquerda? Sempre a confiscarem mais? Sempre sem ideias para mais nada senão regular e taxar ainda mais, enquanto disfarçam o assunto dizendo mal dos governantes americanos de direita que escolhem um caminho oposto para possibilitarem prosperidade.

Quando analisamos os dados do PIB per capita, mesmo os estados norte-americanos historicamente menos industrializados, no fundo da tabela dos EUA, demonstram uma dinâmica de criação de riqueza que hoje rivaliza com as grandes economias europeias e humilha, especialmente, Portugal. Portugal nem sequer pode ser comparado economicamente com os 10 estados menos ricos dos EUA, quanto mais com os 10 mais ricos.

Devido ao facto de nos EUA haver uma verdadeira ideologia de direita apologista da criação em vez da confiscação de riqueza, até o estado menos rico dos 50 estados americanos, o Mississípi —onde o clima quente e humido torna o trabalho ao longo do ano muito mais penoso e menos convidativo do que em Portugal – já passou o Reino Unido em termos de riqueza média em PIB per capita. O Mississípi está em bom caminho também para passar a Alemanha e a França nessa métrica no futuro.

Esta riqueza impressionante americana, mesmo no último estado da tabela, deve-se a um ecossistema político pró-empresarial, normalmente promovido quando a direita está no poder. A direita recompensa o risco e desonera as empresas e os indivíduos, reduzindo o peso do Estado; o oposto da asfixia fiscal permanende de esquerda  que se vive em Portugal ha mais de 5 decadas.

No entanto, cá, como só é permitido traduzir a esquerda americana, ensinam apenas a colher sem nunca falar de ter de semear. Não admira que o rácio entre o salário médio e o mínimo seja tão baixo e que quase ninguém em Portugal tenha dinheiro para ir ao Mundial na América. Não nos venham contar estórias de que os portugueses sem registo criminal não vão aos estádios do Mundial nos EUA por causa de vistos que conseguem em minutos. Claramente, não é isso que os impede de ir.

O facilitismo da esquerda de dar tudo (o mesmo poucochinho) a todos, independentemente do mérito e esforço, “tirando aos ricos” (isto é, empurrando para o escalão dos 48% quem aufere mais de 80 mil euros, e asfixiando o consumo com 23% de IVA) soa melhor e é mais fácil de elogiar por jornalistas, sociólogos ou cantores de rock lusos básicos e superficiais. No entanto, é uma receita para o desastre se houver pouco ou nada para dar. Que pai ou mãe não seria o herói momentâneo e facilitista dos filhos pequenos se lhes desse e pagasse tudo o que eles pedissem em doces ou bugigangas eletrónica até a família se arruinar, já não poder pagar sequer o empréstimo da casa e irem todos viver para a rua?

Se nada mudar no nosso discurso público, em que em vez de enfrentarmos as nossas tristes realidades inventamos estórias contra os EUA e o seu governo, então nem quando o Mundial de Futebol de 2030 for em Portugal os portugueses vão ter dinheiro para pagar os bilhetes e assistir aos jogos nos nossos estádios. Tal como na habitação compram as melhores casas, virão os americanos, com o seu enorme poder de compra, adquirir os nossos melhores bilhetes. Nessa altura, restará aos portugueses assistir ao espetáculo pela televisão — se a energia não estiver demasiado cara devido a outras ideias “brilhantes” esquerdistas lusitanas e europeias. Em vez de apenas maldizer tamanha prosperidade económica americana, passemos a informar-nos sobre que ideias a explicam e permitem. Nem que seja para, pelo menos, podermos ir aos estádios do mundial de um desporto de que até gostamos bastante mais do que os americanos que lá podem ir.