“A Morte de Robin Hood”
Realizado por Michael Sarnoski (Pig — A Viagem de Rob), este é mais um daqueles filmes “revisionistas”, de desconstrução e de banalização de uma figura lendária e bem-amada, como manda a nossa época decaída e descrente de heróis e heroísmo. Interpretado por Hugh Jackman, este Robin Hood velho e cansado é um bandoleiro impenitente e um assassino impiedoso, que mata até mulheres e crianças sem hesitar, e vai expiar as suas atrocidades e ter a sua redenção num priorado situado numa ilha, graças à sua bondosa prioresa, e à presença da filha pequena de João Pequeno, morto por inimigos, e ali refugiada. A Morte de Robin Hood é escuro, sujo, feio e de uma violência selvática nas sequências iniciais, e podemos justamente preferir-lhe as versões de cinema e televisão interpretadas por Richard Greene, Errol Flynn, Sean Connery e Kevin Costner, e mesmo as paródias assinadas por Mel Brooks no pequeno e no grande ecrã.
https://www.youtube.com/watch?v=tlSDDuWxO_0
“Magalhães”
Supostamente uma versão “real” e “desmitificadora” da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães pelo filipino Lav Diaz, um dos expoentes do “slow cinema”, Magalhães mostra no início a conquista de Malaca pelos portugueses. A cidade são três casebres no meio da selva, e Afonso de Albuquerque é um farroupilha que, ao falar às tropas (meia-dúzia de extras com capacetes e armaduras de latão), desmaia, e os soldados riem-se e deixam-no lá caído. Estamos conversados em termos de “realismo” e “desmitificação”. Diaz é um ignorante crasso de história, não tem orçamento nem meios e a única coisa que pretende com este filme esquálido e chato, reducionista e ridículo, em que parte do elenco fala um português macarrónico, é induzir culpa e má consciência no público europeu sobre as viagens e explorações do tempo dos Descobrimentos. No papel de Magalhães, Gael Garcia Bernal parece passar o tempo todo sob o efeito de soporíferos.
https://www.youtube.com/watch?v=8h7rriQD1qc
“O Que É o Amor?”
A comédia francesa média está há bastante tempo ameaçada de extinção, mas conseguirá aguentar-se enquanto houver filmes como O Que É o Amor?, de Fabien Gorgeart. Fred (Vincent Macaigne), ex-marido de Marguerite (Laure Calamy), fez um pedido de anulação do matrimónio pela Igreja com esta, para se poder casar de novo. A ex-mulher, que tem uma nova família, não tem nada contra, mas quando o pedido é recusado em França, Fred, Marguerite e os seus respetivos advogados decidem levar o caso ao Vaticano. Lá vai toda a gente de cambulhada para Roma, incluindo filhos, a noiva de Fred e o segundo marido de Marguerite, e uma vez na Cidade Eterna, os ex-esposos veem reaparecer sentimentos que julgavam já ter desaparecido. Esta rocambolesca comédia de divórcio e de recomposição familiar é levada por Gorgeart — e pela espalha-brasas Laure Calamy — com bom ritmo, e acaba como deve ser: com um casamento.
https://www.youtube.com/watch?v=ZJVKd8KQTLA
“Cinco Segundos”
No novo filme do veterano cineasta italiano Paolo Virzì (Capital Humano, Noites Mágicas, Férias de Agosto), Valerio Mastandrea é Adriano Sereni, um próspero advogado que está em tribunal, processado pela mulher, que o acusa de negligência na morte da filha deficiente, quando nadavam num rio, e que, roído pela culpa, se refugiou nos estábulos reconvertidos em casa de uma villa senhorial abandonada. A propriedade é então ocupada por um grupo de jovens “alternativos” e idealistas que querem reabilitar os vinhedos, e Adriano entra em choque com Matilde (Galatea Bellugi), a líder do grupo e descendente dos aristocratas donos das terras, que está grávida, para depois nascer uma cumplicidade entre ambos. Apesar das boas interpretações e de estar cheio de bons sentimentos, boas intenções e de uma gravidade edificante, Cinco Segundos é um filme demasiado explicado, óbvio e previsível, além de um tudo nada simplista.
https://www.youtube.com/watch?v=nj-M3CS0cOY
“Toy Story 5”
Agora realizado por Andrew Stanton, que também volta a participar na escrita do argumento, o quinto filme da série Toy Story começa com Jessie na função de nova líder do quarto dos brinquedos da pequena Bonnie, após a partida de Woody com Bo Peep na parte 4, para irem ajudar brinquedos abandonados a ter novos donos. Buzz Lightyear é agora o segundo no comando. Mas os pais de Bonnie dão-lhe um tablet chamado Lilypad, que vai causar um reboliço entre o grupo de brinquedos e ameaça substituir-se a estes nas preferências da menina, quando não mesmo torná-los obsoletos. Buzz é então incumbido da missão de encontrar Woody, para que ele volte a casa e ajude os brinquedos a lidar com a ameaça digital que é Lilypad. Mas será que Buzz vai ser capaz de descobrir onde Woody e Bo Peep estão? Toy Story 5 foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.