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Artista russo Semyon Skrepetsky, que usava a caricatura para criticar Putin, foi morto com cinco tiros na Polónia

Semyon Skrepetsky tornou-se conhecido pelas caricaturas satíricas de figuras políticas como o Presidente russo, Vladimir Putin, o líder bielorrusso Alexander Lukashenko.

Edgar Caetano
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Foi morto a tiro, na Polónia, um artista russo que ficou conhecido pelas caricaturas satíricas de figuras políticas como o Presidente russo, Vladimir Putin, o líder bielorrusso Alexander Lukashenko. Semyon Skrepetsky foi baleado cinco vezes por um homem armado, num homicídio ao estilo de execução, e as autoridades detiveram, entretanto, dois homens bielorrussos cuja eventual ligação ao crime ainda está a ser investigada.

Forte crítico do regime liderado por Vladimir Putin, Semyon Skrepetsky (pseudónimo artístico) foi morto na segunda-feira na cidade de Biała Podlaska, no leste da Polónia. O homem, cujo nome verdadeiro era Robert Kuzovkov, tinha 44 anos.

Segundo a informação transmitida pelas autoridades, o russo foi abatido com cinco tiros na cabeça, no peito e nas costas, num parque de estacionamento situado a cerca de 600 metros do consulado da Bielorrússia. De acordo com Marcin Kozak, porta-voz do Ministério Público Distrital de Lublin, um homem armado aproximou-se da vítima e disparou duas vezes.

Depois de Kuzovkov cair ao chão, o agressor terá efetuado mais três disparos antes de fugir do local. A morte foi declarada no local, assim que o corpo foi encontrado. Os investigadores recolheram cinco cápsulas e uma bala de calibre 9 mm. A autópsia está marcada para quarta-feira.

Nas horas seguintes, a polícia deteve dois cidadãos bielorrussos, de 33 e 37 anos, nas proximidades do consulado bielorrusso. Mas as autoridades estão ainda a apurar se tiveram alguma ligação ao crime.

Kuzovkov vivia em Biała Podlaska desde 2021, segundo a imprensa local citada pela BBC. Sob o nome de Semyon Skrepetsky, tornou-se conhecido pelas caricaturas satíricas de figuras políticas como o presidente russo, Vladimir Putin, o líder bielorrusso Alexander Lukashenko, bem como o dirigente checheno Ramzan Kadyrov.

O artista utilizava a sua obra para criticar as políticas do governo russo, que considerava opressoras. Vídeos publicados recentemente nas redes sociais mostram Kuzovkov a participar, a 12 de junho, num protesto do Dia da Rússia junto à embaixada russa em Berlim. Nas imagens, exibia uma pintura satírica retratando Putin e o antigo líder soviético Joseph Stalin, além de uma bandeira russa presa às calças e arrastada pelo chão.